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Sifu review - Kung Souls

Difícil, mas não vais parar de querer aperfeiçoar.

Eurogamer.pt - Recomendado crachá
Mais um belo exemplar indie que pegou em ideias existentes e combinou-as com as suas e nos dá algo que exige foco, atenção e investimento.

Após conquistar diversos elogios para Absolver em 2017, a francesa Sloclap decidiu aperfeiçoar essa fórmula e com claras inspirações nos jogos da From Software, entrega-te Sifu, uma segunda dose de artes marciais com muitas mecânicas curiosas. Descrito como um "beat 'em up com elementos de ação e aventura", Sifu é realmente um jogo como poucos que vi e na sua busca por uma experiência difícil, tens o que podia ser descrito como um Streets of Rage na terceira pessoa, apoiado por filosofias que relembram a agressividade da série Souls. Sifu é um daqueles jogos muito difíceis, mas que recompensa quem investe tempo a repetir até aperfeiçoar.

Sifu é um jogo de artes marciais, no qual conhecerás um jovem que deseja matar os cinco assassinos que mataram a sua família. Algures numa cidade chinesa, terás de explorar diversos locais controlados por um deles até chegar ao chefe da quadrilha. Para chegar a esse pilantra, que é obviamente o boss de cada nível, terás de despachar pelo caminho diversos dos seus rufias e a melhor maneira de descrever Sifu é dizer que se trata da um beat 'em up na terceira pessoa que pretende capturar a essência dos filmes da era Hong Kong de Jackie Chan.

Sendo uma experiência muito difícil, que exige a tua atenção e testa os teus reflexos, Sifu poderia rapidamente tornar-se irritante e repetitivo, mas a equipa desenhou os níveis para introduzir atalhos e o sistema de combate é tão intenso e divertido que te faz abraçar o desafio e tentar melhorar constantemente. Um exemplo dos atalhos que posso referir está no segundo nível, a discoteca, onde tens de subir ao primeiro andar para apanhar um cartão eletrónico para abrir uma porta no rés do chão. Se conseguires uma vez, na segunda não precisas subir e despachar novamente todos aqueles rufias, podes ir logo para a porta. Isto ajuda imenso a tornar mais fluída a experiência, mas ainda assim terás de repetir exaustivamente diversas secções.

Combater é muito mais do que martelar botões de soco ou pontapés, tens de te desviar dos ataques porque os inimigos são muitos e impiedosos, perdes vida rapidamente, especialmente porque proteger constantemente faz a tua barra de estabilidade estourar e ficas à mercê de chapadas valentes. Como se fosse inspirado em Sekiro da From Software, tens uma constante gestão entre esquiva, proteção no timing perfeito para atordoar o inimigo ou a passada rápida para tentar escapar ao alcance dos golpes. O sistema de combate é frenético e duro, mas existe estratégia e será necessário dominar a arte de desviar no timing certo e ainda proteger no momento perfeito sem comprometer a barra de postura.

É mesmo preciso muito cuidado porque quando este "Jackie Chan" videojogável perde tens a opção de reiniciar o nível ou continuar e sempre que continuas o personagem fica mais velho. Esta mecânica é muito curiosa pois não é meramente visual. Quando o jovem perde, a sua idade aumenta de acordo com o multiplicador no ecrã (quantas mais vezes seguidas perdes, mais o multiplicador aumenta e mais rápido o jogo termina). Ao ficar mais velho, ele fica mais forte, mas a sua vida é menor. Além do número limitado de tentativas, a profundidade e estratégia na experiência de sifu não se resume ao impiedoso sistema de combate, também a forma como adquires habilidades tem alguns entraves.

Consoante derrotas inimigos e passas secções, quanto melhor a tua prestação mais XP ganhas, isto serve para desbloquear habilidades. Se juntares XP suficiente, podes desbloquear essa habilidade de forma permanente. Isto significa que quando o protagonista envelhece ao ponto de não conseguir mais seguir em frente com a sua derrota, tens de reiniciar o nível (os atalhos permanecem) e se desbloqueares uma habilidade de forma permanente, não terás de juntar mais XP para a desbloquear. Além disto, algumas habilidades estão associadas a uma idade máxima para a aprender ou à pontuação no nível (as melhorias na barra de postura ou vida, por exemplo). Isto obriga-te a procurar constantemente aperfeiçoar cada nível, pois até poderás ter XP suficiente para desbloquear de forma permanente uma habilidade, mas se perdeste muitas vezes e ele envelheceu ao ponto de já não a conseguir aprender, nada feito.

Todos adoram artes marciais

Numa era em que a indústria ameaça asfixiar a criatividade porque o risco de tentar algo novo choca com a necessidade de constante subida na faturação, continuamos a ver os estúdios independentes a liderar a luta por algo fresco. Sim, existem estúdios de elevado perfil que continuam a tentar algo diferente, mas são os indies que continuam a correr mais riscos e a desfrutar de maior aclamação pela sua ousadia. Sifu não vai abalar os pilares da indústria como Hades o fez, por exemplo, mas é uma forte, impiedosa e meritória experiência que conquista os que adoram um bom desafio. Não encontrarás nada parecido com Sifu no mercado e quando o gameplay te faz querer jogar mais e mais até executares na perfeição o nível, é porque algo de muito bom foi alcançado.

Prós: Contras:
  • Sistema de combate desafiante que vais querer dominar
  • Atalhos que ajudam a remover atrito no desfrutar da experiência
  • Repetir até conseguir resulta em momentos de grande triunfo
  • Boss fights intensas com diversas fases
  • Altamente difícil, mas com mérito e sensação de recompensa
  • Quando perdes envelheces e essa mecânica tem impacto visual e no gameplay
  • Podes desbloquear de forma permanente as habilidades
  • O design visual tem bons momentos, mas a qualidade gráfica não impressiona
  • A câmara pode tornar-se no teu maior adversário
  • A ausência de hand-holding poderá desmotivar alguns

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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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