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Scarlet Nexus review - Um surpreendente RPG de acção

Brainpunk.
Eurogamer.pt - Recomendado crachá
Scarlet Nexus é um JRPG para quem adora uma história envolvente, com muitas reviravoltas, e uma jogabilidade divertida.

Não sou aquele tipo de jogador que consome JRPGs massivamente, mas de longe a longe, gosto de me perder nestes mundos imaginados pelos criadores japoneses. Dentro deste género, Scarlet Nexus é de longe a propriedade intelectual mais entusiasmante dos últimos anos. É a combinação perfeita para quem não quer um jogo excessivamente longo, sem ultrapassar uma centena de horas, mas ainda gosta de uma história bem pautada, desenvolvida e com um leque de personagens muito diversificado. É também uma proposta atraente para quem prefere acção em tempo real em vez dos combates por turnos. Nisso, Scarlet Nexus é surpreendentemente profundo. O sistema de combate permite-te encadear combos enquanto combinas múltiplos poderes (emprestados pelos teus companheiros de equipa).

Os produtores descrevem Scarlet Nexus não como Cyberpunk, mas como um novo conceito chamado Brainpunk. No mundo do jogo existe um grupo de soldados dedicado a combater os Outros, estranhas criaturas que chovem do céu vindas do Cinto de Extinção (formado por um cometa que passou perto do planeta Terra). Estes soldados estão ligados a um computador central através do qual podem utilizar diversos poderes e comunicar uns com os outros telepaticamente. A missão da OSF (Força de Supressão dos Outros) é proteger cidades futuristas onde as restantes pessoas tentam levar as suas vidas normalmente, ainda que por vezes sejam surpreendidas pela ocasional chuva de Outros.

A execução do conceito está fenomenal e consegue passar a ideia de que o mundo real praticamente está fundido com o digital, dando origem a uma nova realidade de super-humanos. Em certos momentos, quando as personagens usam um poder chamado Brain Field, os cabos digitais tipicamente invisíveis tornam-se bem evidentes. Apesar do conceito ser novidade, há muita influência positiva da animação japonesa. O leque de personagens é altamente variado e tem tanto momentos de grande acção como diálogos relaxados e parvos.

Brain Drive activado.

Dois protagonistas, duas histórias interligadas

Scarlet Nexus tem duas personagens principais cujas histórias andam lado-a-lado: Kasane Randall e Yuito Sumeragi. Há que sublinhar que as histórias são parecidas, mas têm diferenças - portanto, se queres ver tudo, há que realmente concluir a história duas vezes, uma com cada protagonista. Sem querer revelar muito, a história é uma montanha-russa cheia de surpresas e reviravoltas. Inicialmente, estava à espera de algo mais simples e cliché, mas fui completamente apanhado de surpresa. O jogo vai meticulosamente deixando-te mais envolvido, até que quando já estás na recta final sentes que conheces intimamente cada personagem e sentes-te envolvido no rumo da narrativa (ainda que, diferente de outros RPGs, não possas fazer qualquer tipo de decisão).

"Se queres ver tudo, há que realmente concluir a história duas vezes, uma com cada protagonista"

O jogo desenrola-se por capítulos, havendo sempre uma fase de "descanso" entre cada um. É nesta fase de descanso que Scarlet Nexus releva a sua faceta de Persona. Durante esta fase podes comprar presentes para oferecer aos teus companheiros de equipa como uma forma de evoluir a tua relação com eles. Quanto melhor for a tua relação, melhores serão os poderes que eles te emprestam em combate. A evolução da relação dá-se quando um "Bond Episode" fica disponível. É essencialmente uma cena diálogo que aproxima as duas personagens. Nesta fase, também podes explorar novamente os níveis pelos quais passaste anteriormente para aceitar sidequests - que nem sequer deviam chamar-se assim, são basicamente desafios / missões de combate e não acrescentam nada à narrativa principal.

Um incentivo para voltares a jogar uma segunda vez - para além de ficares a conhecer a história da outra personagem - é o modo Ex New Game (aquilo que todos conhecem por New Game Plus). Este modo deixa que comeces a jogar uma segunda vez com tudo aquilo que desbloqueaste da primeira vez. É uma mais valia, visto que há bastantes coisas para desbloquear, inclusive novas habilidades através do Brain Map. Da primeira vez, quase que consegui desbloquear tudo, mas ficaram a faltar umas quatro ou cinco coisas. O combate fica, de facto, mais profundo e satisfatório à medida que desbloqueias mais conteúdos.

Gameplay com combinações de poderes

A jogabilidade de Scarlet Nexus funciona como um hack and slash em que fazes combinações entre dois botões de ataque. Podes também fazer coisas mais avançadas como lançar os inimigos para o ar e esquivar-te dos ataques no momento certo, o que activa um abrandamento da câmera e oportunidade para fazer um contra-ataque. A faceta de hack and slash é meramente satisfatória. O que realmente apimenta a jogabilidade são as combinações de poderes. Tanto Kasane Randall e Yuito Sumeragi têm poderes psíquicos, o que lhes permite levitar objectos pesados e arremessá-los com grande velocidade contra os Outros.

"O que realmente apimenta a jogabilidade são as combinações de poderes"

A parte divertida vem da possibilidade de pedir emprestados os poderes dos nossos companheiros de equipa. Cada soldado da OSF tem um poder específico. Enquanto Kasane Randall e Yuito Sumeragi são psíquicos, os seus companheiros têm poderes de fogo, eletricidade, super velocidade, duplicação, teletransporte, imunidade, invisibilidade, entre outras coisas. Eventualmente, vais poder usar dois poderes em simultâneo e algumas combinações são incrivelmente poderosas. O empréstimo de poderes é temporário, mas podes aumentar o tempo de utilização melhorando as relações com os teus companheiros. Progredindo o suficiente, os teus companheiros até podem aparecer à tua frente para bloquear um ataque adversário.

A satisfação do combate vem também da mecânica de finishers: sequências cinemáticas em que dás o golpe final num Outro com grande estilo. Os Outros têm uma barra de vida e uma barra de resistência. Se a barra de resistência for esgotada antes da barra de vida, então ficam expostos a um finisher da tua parte. Existem muitos tipos diferentes de Outros e cada um tem um ponto fraco. Se atingires este ponto fraco, a barra de resistência vai ser drenada mais rapidamente. Nem sempre o ponto fraco está logo exposto, há Outros que têm armaduras que precisam de ser partidas para ficarem expostos.

O conceito pedia um design de níveis melhor

É neste elemento que Scarlet Nexus peca, bastante diga-se. O design de níveis é extremamente básico e com técnicas pouco elegantes como paredes invisíveis. Na principal cidade do jogo, existe uma parede invisível que te impede de saltar para a estrada principal (onde não existem carros a passar). A exploração dos níveis resume-se a pequenas bifurcações (esquerda ou direita) onde podes apanhar itens. Visualmente, embora as personagens, animações e sequências cinemáticas tenham bom aspecto, os níveis deixam muito a desejar. Nas consolas de próxima geração, neste caso na PS5 (onde foi testado), Scarlet Nexus tem loadings rapidíssimos e suporte para o Dualsense (os gatilhos adaptativos simulam a resistência de fazer levitar objectos), mas noutros quesitos, parece um jogo datado.

Não é um jogo perfeito. O nível final parece feito de uma forma preguiçosa, no sentido que acaba por ser uma combinação em linha recta de todos os níveis que percorremos até ali. Podia também haver mais personalização no visual das personagens - os itens de personalização disponíveis são um bocado limitados. Ainda assim, estas falhas não foram barreira para ter desfrutado imenso de Scarlet Nexus. Oferece uma história entusiasmante embrulhada num novo conceito, tendo ainda uma gameplay peculiar e bem executada. Da primeira vez, demorei cerca de 25 horas para chegar ao fim. Da segunda vez é mais rápido, pelo que em média cada jogador tem aqui cerca de 40 horas. Uma aposta garantida para quem gosta de animes, RPGs e acção.

Prós: Contras:
  • Uma história de qualidade, com muitas reviravoltas
  • Personagens apelativas e variadas
  • Gameplay explosiva com combinações de poderes
  • Suporte para as funcionalidades do Dualsense
  • Grande valor de replay
  • No geral, um conceito refrescante
  • Design de níveis básico
  • Qualidade visual inconsistente

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Sobre o Autor

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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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