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Saints Row - Banalidade Furiosa

Demasiados bugs e maus gráficos.

A diversão no gameplay e a tontice Saints Row não se aguentam à tona quando os bugs e fraca qualidade visual o puxam tão baixo. Torna-se num dos piores jogos de mundo aberto dos últimos anos.

Ao longo destes últimos meses assisti a apresentações nas quais a Volition falava de forma empolgada deste reboot de Saints Row, comecei a ficar convencido que era aquele tipo de "Velocidade Furiosa em videojogo" que estava a precisar. Uma daquelas experiências de diversão descomprometida, de desligar o cérebro e simplesmente deixar reinar a tontice.

Após diversos JRPGs de longa duração, estava a precisar de um jogo destes para o verão, chegada a oportunidade de o jogar fiquei empolgado por saciar a minha curiosidade. As primeiras horas com o reboot de Saints Row foram muito divertidas e sentia que a Volition conseguiu o desejado, um jogo de ação tonta e explosiva, sem sentido e sem se preocupar com isso. Junta a isto um mundo aberto repleto de mecânicas ousadas e bizarras, como seria de esperar de um jogo desta série, e as coisas estão bem alinhadas.

No entanto, numa altura em que a internet está mais preocupada em saber se é woke do que se é divertido, o mais surpreendente foi descobrir que Saints Row é um jogo mediano e que rapidamente cansa. Tecnicamente fraco ao ponto de GTA 5 permanecer muito acima, este reboot de Saints Row mantém toda a insanidade da personalidade da série, mas não consegue divertir a longo prazo e afastar-se da mediocridade.

A confirmação de que estás perante um jogo tontito e que não quer saber da lógica é percetível desde a primeira cutscene. Personalizas a tua personagem (eu criei uma She-Hulk) e começas a disparar em momentos explosivos, que parecem uma sátira dos filmes e jogos de ação. A Volition aposta num tom cómico e satírico para o enredo, isto é notório desde as situações acrobáticas que desafiam a lógica e no quão pateta se comportam estas personagens.

São 4 as principais em Saints Row, as que vão liderar os Saints e que nascem após uma série de desventuras da personagem principal. O seu nome é Boss e tu vais personalizar com elevado detalhe a sua figura. Estes 4 amigos vão-se fartar de sofrer, como danos colaterais da guerra de gangues e situação pateta após situação pateta, vão decidir criar o seu gangue e enfrentar os dois principais grupos de criminosos na cidade.

Estes dois grupos e um terceiro, uma força militar privada, representam os principais oponentes e seja nas missões de história, secundárias ou nas missões para construir o teu império do crime, estarás constantemente a trabalhar para inferiorizar o seu poder. Esta é a base narrativa de Saints Row, mostrar como nascem estes Saints e a sua escalada ao poder.

Essa subida até ao topo da cadeira alimentar no mundo do crime é feita através das missões principais e das inúmeras atividades, através das quais a Volition explora este desejo de criar gameplay frenético em mundo aberto. Sim, é um jogo de ação em mundo aberto sobre criminosos, mas enquanto GTA se foca num toque realista, Saints Row é completamente tonto e desenfreado na sua sátira aos Estados Unidos. As alfinetadas são constantes, desde a política ao mundo da tecnologia, a geração TikTok é um alvo demasiado fácil.

Os controlos foram pensados para grande dinamismo, desde a condução de carros que deitam praticamente tudo abaixo, até ao sistema de mira que se cola ao inimigo para ser fácil de o abater e passar para o próximo. Saints Row é divertido e poderás dar por ti embrenhado no roubo de carros, conquista de espaços na cidade para construir novos negócios e ganhar mais dinheiro, sem seguir as missões principais. Explorando estes locais num mapa que visualmente acaba por nem sequer conseguir fornecer um convite apelativo à sua descoberta.

Estes locais, inspirados por cidades como Las Vegas e partes do deserto nos Estados Unidos, apresentam imensos pontos para fotografar e inúmeras atividades opcionais. Missões que tornam mais fortes os teus amigos para mais tarde telefonares a pedir a sua ajuda, efetuar missões específicas para aumentar um nível de um dos teus negócios, procurar criminosos para ganhar dinheiro ou fazer o que te apetecer para ganhar XP e subir de nível. Isto permite desbloquear Perks e Skills para ajudar na ação.

É nítido o esforço da Volition para criar uma experiência cómica e ligeira, muito fácil de pegar e jogar, mesmo sem nada de novo e mesmo que até perca para jogos com muitos mais anos. Apesar disto, todo esse esforço para criar uma sensação de forte dinamismo, especialmente através dos constantes desafios e boa sensação de progressão, não resiste ao débil estado da vertente técnica e isto deita por terra todos os bons esforços.

O reboot de Saints Row é um jogo que custa a acreditar estar a correr numa consola de atual geração. Joguei na PS5 e para desfrutar de 4K tens de sacrificar desempenho, enquanto procurar melhor desempenho e tentar os 60fps significa jogar a 1080p. Graficamente, o jogo é muito feio e a baixa resolução torna-o ainda mais feio numa TV de grandes dimensões. Imenso pop-in, elementos e texturas carregadas à tua frente, texturas fracas, cenário sem texturas, pouco detalhe e a sensação de um mundo vazio com NPCs constantemente repetidos (nas missões vais abater o mesmo inimigo dezenas de vezes), fazem de Saints Row um jogo que deixa imenso a desejar.

Como se esta qualidade gráfica e sacrifícios para obter melhor desempenho não fossem suficientes, ainda tens de aguentar um jogo repleto de bugs que corta imenso à diversão. Quanto mais jogava, mais bugs surgiram, mais fraca a IA se revelava e mais NPCs repetidos surgiram. Hora após hora isto começou a cortar a diversão e quando tens de repetir, pelo menos, 3 vezes a mesma missão porque os bugs assim te obrigam, não é nada divertido. Isto sem falar na fraquíssima qualidade das animações.

Confesso que fiz de tudo para gostar de Saints Row e até me diverti com alguns momentos. No entanto, a diversão descomprometida que a Volition procura apresentar além de não trazer nada de novo, é manchada fortemente pela fraquíssima qualidade visual, imensos bugs que frequentemente forçam a repetição de missões, má IA, más animações e a sensação geral de um jogo muito datado tecnicamente.

Prós: Contras:
  • Enredo tonto e explosivo à lá Saints Row
  • Gameplay sem grandes destaques, mas divertido
  • Grande dinamismo e sensação de progressão na construção do império
  • Fraca qualidade visual
  • Imensos bugs que forçam o reinício das missões
  • Enorme sacrifício na qualidade visual para ter 60fps
  • IA terrível
  • Animações muito más
  • Não existem destaques no mapa e não sentes curiosidade em explorar

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Sobre o Autor
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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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