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Vampire: The Masquerade - Swansong - Problemas que arruínam a experiência

Investigações vampíricas.
O descuido por elementos cruciais retiram qualidade ao trabalho apresentado. Erros técnicos que não passam despercebidos.

Esta é a minha primeira abordagem ao universo de Vampire The Masquerade, que já tem a sua dose de lançamentos, desde o longínquo ano de 2000. Este Vampire The Masquerade – Swansong aborda o universo de uma forma muito particular, desprovido de ênfases na ação, sem combates elaborados e sem a necessidade de se ter alguma destreza de movimentos. É para se ir degustando de uma forma pausada com o desabrochar da narrativa. Fiquei um tanto surpreendido pela abordagem, que bebe aqui e ali elementos de outras paragens, rematando com elementos RPG.

Um universo imensamente rico poderia antever um mergulho avassalador pelo submundo de vampiros e lobisomens, mas enganado estava eu em relação à propriedade desse mergulho. Apesar de possuir um enredo que muito promete na sua fase inicial, com desenvolvimentos que nos deixam a pensar no que poderá surgir após determinados eventos, Swansong perde-se na harmonia de eventos narrados através da perspetiva de três personagens. A escolha em três linhas gera alguma confusão e até alguns esquecimentos quando saltamos de personagem em personagem, retira em muitos momentos a nossa ligação e afeiçoamento à mesma.

A forma que a Big Bad Wolf encontrou, de três personagens, para nos guiar por um enredo com pretensões de nos empolgar é totalmente arruinada pela medíocre conceção de elementos vitais em trabalhos desta natureza. A narração de acontecimentos é efetivamente dececionante, muito por culpa dos visuais muito datados e da problemática movimentação dos personagens, seja em momentos de jogabilidade ou nas cinemáticas. Os diálogos cinemáticos são por vezes constrangedores, com os personagens a não evidenciarem expressões faciais adequadas aos momentos, às suas emoções. É nestes pormenores que as águas se separam, entre trabalhos de imponência e outros que tentam lá chegar, ou não.

Mas o que nos quer contar? Esta é uma narrativa desenvolvida em redor de investigações sobre um tiroteio que decorreu em Boston, cidade onde se desenrola Swansong. Os Vampiros, outrora em guerra entre as suas diversas fações, tentam agora sobreviver a todo o custo, lutam pela mesma causa. É aqui que entra o jogador, controlando três vampiros de forma alternada, Emem, Leysha e Galeb, todos eles com habilidades que lhes vão permitir investigar os acontecimentos. Temos variadíssimas formas de testar as suas capacidades, seja em locais de crime, fugir de inimigos e até superar obstáculos, mas nunca elevando a jogabilidade a um patamar que supere uma mediana.

As abordagens aos desafios propostos podem variar conforme evoluímos o nosso personagem. Obviamente que todos eles possuem habilidades únicas, e outras que são partilhadas. Estas habilidades são conseguidas à medida que avançamos no jogo e com a experiência ganha em cada investigação feita. É importante explorar cada recanto em busca de elementos reveladores de mais pormenores, que nos ajudam a compreender a trama e todo o universo envolvente.

É tudo assente em diálogos que desvendam acontecimentos. Em momentos importantes, estes diálogos geram confrontos entre personagens, temos que os vencer. Por norma, temos de vencer estes confrontos, existe um limite para os erros, mas mesmo que não os vençamos a progressão não fica bloqueada, apenas segue uma linha narrativa diferente, não controlada por nós. Muitos elementos ficam por descobrir, convidando a jogar-se várias vezes para se prosseguir por caminhos diferentes.

Em Vampire The Masquerade – Swansong temos basicamente de investigar e explorar o cenário em busca de pistas, elementos que impulsionem as nossas habilidades, confrontos e escolhas que ditam as linhas narrativas. Os elementos RPG são deveras importantes, podemos moldar os personagens por caminhos distintos, seja pela via de uma melhor eloquência, onde temos grandes capacidades de manipulação da mente, ou pelas capacidades que permitem ultrapassar sistemas de segurança. São opções bem diferenciadas, mas geram algum desequilíbrio, algumas são bem mais úteis que outras.

Tanto a narrativa como a construção de personagem, através de habilidades e talentos, são de certa forma arruinadas por questões técnicas demasiado evidentes, que não consegui ultrapassar. Existem problemáticas ligadas à jogabilidade que não foram levadas em consideração. Temos problemas de movimentação do personagem, este é demasiado robotizado e com poucas animações, chega a ser irritante observar a sua deslocação. A interação com o meio é também muito rudimentar, existe uma grande dificuldade em selecionar itens quando estes estão muito próximos uns dos outros, desesperante.

Além das referidas problemáticas, temos ainda a presença de bugs que arruínam a experiência, como o personagem deixar de correr, temos zonas que por defeito não corre, mas em áreas que supostamente se desloca com maior celeridade simplesmente deixa de o fazer. Também presenciei em várias ocasiões o desaparecimento dos botões de interação com o meio, simplesmente não podia progredir, deixam de existir elementos para interagir. Muitos dos problemas referidos são ultrapassados quando se reinicia o jogo. O sistema de gravação também necessita de ser revisto, nunca sabemos quando é gravada a progressão, por vezes saímos e no regresso verifica-se que perdemos muita da progressão pelo facto de não ter gravado no momento da nossa saída. Não existe gravação manual.

As ideias aqui implementadas são interessantes, com pormenores que o levariam a outros voos se as lacunas não fossem tão intrusivas para um narrative-driven RPG. As habilidades são interessantes, os confrontos nos diálogos requerem bastante concentração em toda a narrativa para se fazer as escolhas mais adequadas, mas tudo embate em problemas técnicos alicerçados por visuais já muito datados, atmosfera pouco rica, falta um toque de qualidade visual para um elevar de patamar. O início do jogo também pode ser um grande entrave, demasiado lento. Constatei que me senti aborrecido em Swansong, sem interesse pelos acontecimentos e com a troca de personagens.

Prós: Contras:
  • Narrativa com um certo interesse
  • Elementos RPG que valem a exploração
  • Confrontos nos diálogos puxam pelo nosso raciocínio
  • Início do jogo demasiado lento
  • Visualmente nada impressionante
  • Personagens demasiado robotizadas
  • Medíocres expressões faciais
  • Vários problemas técnicos

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Sobre o Autor

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Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

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