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ReCore - Análise

Aventura em Far Eden.
ReCore podia ter ido mais longe. Não é um mau jogo de aventura, mas existem melhores opções dentro do género.

Fruto de uma colaboração do Comcept e do Armature Studio, ReCore é uma nova propriedade intelectual para a Xbox One e Windows 10 que nos conta a história de Joule Adams, uma engenheira que partiu para Far Eden para ajudar a preparar uma nova casa para a humanidade. No futuro retratado em ReCore, o planeta Terra foi devastado por uma praga chamada "Dust Devil", obrigando as pessoas a partir para outro sítio. Far Eden foi o local escolhido e em antecipação foram envidados robôs e máquinas para transformarem o planeta e a sua atmosfera. Quando Joule acorda depois de uma longa hibernação, claramente que o plano da humanidade não resultou. O que correu mal? A resposta terá que ser encontrada por vocês.

ReCore é um jogo de acção / aventura inserido num mundo semi-aberto, isto é, existem áreas abertas mas para transitarem entre elas precisam de passar por um ecrã de carregamento. Também existem secções de plataformas envolvidas, onde temos que conjugar o salto duplo com os propulsores nas botas de Joule.. A estrutura é reminescente de The Legend of Zelda, mas a temática é completamente diferente. Na jogabilidade, principalmente nos combates, está mais próximo de um jogo de tiros na terceira pessoa. Existem claramente diversos conceitos misturados em ReCore, e inicialmente a miscelânea até resulta, mas depois há dificuldade em evoluir e surpreender, o que leva a uma dissipação da magia inicial.

O jogo é composto por várias grandes áreas. Em cada área existem novos objectivos para avançar na história e actividades secundárias. Estas actividades secundárias são sobretudo dungeons com vários desafios. Ao completarmos os desafios somos recompensados com Prismatic Cores e Blueprints de armaduras para os nossos companheiros robóticos. O problema das dungeons opcionais é que os desafios não variam. O primeiro desafio é chegar ao fim num tempo limite, o segundo é encontrar uma esfera amarela, e o terceiro é disparar para todos os cubos coloridos. Este três objectivos são invariáveis. Mesmo nas dungeons focadas nos combates (existem outras mais focadas nas plataformas), estes objectivos repetem-se.

Apesar da dificuldade acessível nas missões da história, as dungeons opcionais são mais desafiantes. É particularmente complicado cumprir os três objectivos em simultâneo, o que desbloqueia um cofre extra com loot. Eventualmente terão que explorar algumas destas dungeons, visto que os Prismatic Cores são necessário para abrir portas. Mesmo as missões da história requerem um certo número de Cores, e antes de chegarem ao fim, terão que passar por algum grind para reunirem Prismatic Cores suficientes para abrir alguma porta, o que não é apelativo depois de repetirmos o processo várias vezes. Ainda assim o jogo não é muito longo, bastando cerca de sete horas para chegar ao fim da história, o principal motivador para terminarem o jogo (se quiserem completar tudo, vão demorar mais tempo, mas não há incentivos para tal).

Os combates envolvem usar a arma para disparar contra os inimigos robóticos e comandar o nosso robô de companhia. Para comandarmos o robô apenas temos que carregar num botão, o resto ele faz sozinho. Inicialmente o robô é um cão mecânico, mas ao longo da aventura desbloqueamos outros companheiros como uma aranha, um gorila e uma espécie de drone. Estes nossos companheiros ajudam a dar alma a ReCore e cada um exibe personalidades diferentes. Cada um também tem propósitos diferentes. A aranha consegue percorrer uns trilhos que mais parecem uma montanha-russa, o gorila deita abaixo pilares e destrói obstáculos, e o drone plana no ar. O que é estranho é a limitação de termos que escolher apenas dois dos robôs disponíveis.

A direcção artística é um dos pontos positivos de ReCore.

Devido às utilidades únicas de cada um, os nossos robôs de companhia são essenciais para a exploração e progresso, mas como só podemos escolher dois de cada vez, temos que visitar constantemente os checkpoints, os únicos locais onde podemos trocar de companheiros e saltar de imediato para a nossa base. É uma limitação que eventualmente se torna frustrante e apenas parece existir para perdermos tempo (e paciência). Seria preferível que pudéssemos alternar livremente entre todos os nossos companheiro robóticos. Piorando isto, os checkpoints não são assim tão abundantes e não existe nenhuma forma de nos deslocarmos mais rápido pelo mundo de ReCore. Ou seja, é uma seca sempre que temos que viajar para um checkpoint. Mais estranho ainda, não dá para assinalar pontos no mapa, o que implica estar sempre a consultar o mapa para ver se estamos a ir na direcção certa.

"A a história, o conceito e o mundo têm potencial"

ReCore também tem um sistema de loot, que está associado ao combate. Os inimigos de ReCore são compostos por núcleos de diferentes cores. Ao apanharmos estes núcleos, o que pode ser feito se atirarmos um gancho quando o inimigo está com pouca vida, podemos melhorar as capacidades dos nossos companheiros robóticos. O problema é que os inimigos também nos dão as partes necessárias para fabricarmos as armaduras, mas para isso acontecer, não podemos retirar-lhes o núcleo. Basicamente, antes de derrotarem um inimigo têm que tomar esta decisão: querem obter núcleos ou peças de crafting? É ambíguo que o jogador tenha que escolher entre uma coisa ou outra, visto que no final desfaz-se, de qualquer forma, em pedaços.

O mundo de ReCore levanta alguma curiosidade e até tem horizontes espantosos, misturando grandes estruturas metálicas com formações rochosas, mas não conseguimos deixar de sentir que poderia ter ido muito mais longe. Apesar de uma boa impressão inicial, torna-se demasiado simples e algumas decisões de design não foram as melhores. É uma pena porque a história, o conceito e o mundo têm potencial. A mesma desilusão é sentida no sistema de combate. É divertido inicialmente mas depois não ganha complexidade nem variedade. Como um jogo de aventura, ReCore fica-se pelo razoável, vagueando entre a ocasional diversão e o aborrecido. Embora esteja longe de ser mau, dentro do género existem melhores opções

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Sobre o Autor

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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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