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Programador de realidade virtual da Valve teme o que o futuro reserva

Fabian Giesen critica tecnologia por ser anti-social.

Fabian Giesen, um programador de realidade virtual que ajudou a Valve (de janeiro a setembro de 2012) a implementar o sistema que segue o olhar e depois mais três meses (de fevereiro a abril de 2014) a trabalhar no áudio 3D que segue os movimentos da cabeça, está preocupado com o futuro ao qual esta nova tecnologia pode levar.

No GitHub, Giesen publicou um email que enviou ao colega de trabalho na Valve para o avisar que não queria estar mais envolvido no desenvolvimento da tecnologia porque "embora a considere desafiante e interessante, estou muito ambivalente ao que pode levar".

Quais são as preocupações deste programador? Um possível MMO de realidade virtual que leve as pessoas a deixar de interagir cara-a-cara.

O futuro da realidade virtual?

"Como podem ver, não sou um grande fã de jogos online em geral, e como tal o quadro inevitável da VR como um portal para o derradeiro MMORPG (o que costuma acontecer) é um ponto doloroso para mim; prefiro que as minhas interações sociais sejam cara-a-cara se possíveis, e até agora o que foi implementado nos jogos online é muito básico" explica o programador.

"De facto, parte do meu problema com a VR são as expectativas das pessoas para ficarem ligadas à Internet Cyberpunk 3D onde podes ter aventuras, e embora isto pareça divertido no papel, se alguma vez tentaste passar os sistemas tradicionais dos jogos para um arranjo VR, sabes que a maioria dá uma má sensação".

"Por acaso até penso que muitas das coisas interessantes que podes fazer com a VR não são os jogos no sentido tradicional (experiência é talvez um melhor termo), e as minhas preocupações não se aplicam a estes casos", esclareceu.

"Mesmo sem VR os MMORPGs levam as pessoas a gastar muito tempo neles e isso será pior na versão VR"

Então, parte da preocupação deste programador é a imersão que a realidade virtual pode originar e que "prenda", de certa forma, as pessoas aos mundos virtuais, que poderão ficar depois desligadas da realidade. Todavia, há outra preocupação: a publicidade.

No futuro, Giesen teme que existam companhias de publicidade a vender "globos oculares" dos utilizadores.

"O problema é, como já foi referido várias vezes, assim que estás a vender publicidade, os compradores de publicidade são os teus clientes; as pessoas do teu serviço são, dependendo do quão cínicos se estão a sentir hoje, o teu produto ou a tua força de trabalho (no sentido em que são elas a fazer o trabalho - a gerar impressões de publicidade - isso é o que mantém o teu negócio de pé)".

"E tendo um ambiente virtual imersivo - mesmo sem VR os MMORPGs levam as pessoas a gastar muito tempo neles e isso será pior na versão VR - isso serve para, ultimamente, gerar lucros de publicidade (e assim priorizar as necessidades dos anunciantes em vez dos desejos dos utilizadores) que é um conceito nojento para mim".

"Todas estas tendências andam por aí há muito tempo. Antes costumava ficar hipoteticamente desassossegado com uma grande operação de publicidade a investir na VR. Agora que o Facebook comprou a Oculus, deixou de ser hipotético".

Sobre o Autor

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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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