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Preview Final - Elden Ring, o Breath of the Souls

Jogámos seis horas e já quase não temos dúvidas.

Nunca me senti tão perdido num jogo como em Elden Ring. É uma sensação curiosa, até porque este é o primeiro jogo da From Software a ter ferramentas utilitárias como um mapa in-game e uma espécie de guia nas Sites of Grace, na forma de um raio luminoso que aponta, mais ou menos, na direcção para onde temos que ir a seguir. Seria de esperar, portanto, que este fosse o jogo da From Software mais fácil de progredir, porque há efectivamente "migalhas de pão" deixadas pelo caminho, mas a estrutura de mundo aberto prega partidas e alicia-nos a ir para sítios desconhecidos.

No Closed Test Network de Novembro, já tinha tido a oportunidade de experimentar o novo jogo da From Software. Não sou novato neste tipo de jogos, alias, joguei quase todos - as excepções são Dark Souls II e Sekiro, mas existe sempre um período de habituação, em que praticamente temos de reaprender a ter calma nas abordagens, a observar os padrões de ataque dos inimigos, e a saber quando é seguro atacar. Embora tenha dito anteriormente que este é o jogo mais acessível vindo deste estúdio japonês, conhecido por criar jogos desafiantes, a natureza aberta do jogo, que desde cedo podes ir em muitas direcções, pode criar uma sensação de desorientação.

Na versão anterior, era mais difícil sentir isso. A CTN tinha restrições e não te deixava explorar completamente o mapa devido a barreiras invisíveis. Na nova versão a que tive acesso e que pude jogar durante 6 horas, não havia essas restrições. Sabia o que tinha de fazer exactamente para chegar ao primeiro boss, mas o bichinho da exploração foi mais forte. Um mapa aberto juntamente com a fórmula Souls, apesar de não parecer uma grande mudança à primeira vista, é uma lufada de ar fresco e abre um novo leque de possibilidades.

A nova versão que experimentamos estava perto da versão final

Outra coisa que estava presente nesta versão era o leque completo de classes. Na Closed Test Network havia cinco classes disponíveis, agora havia mais outras cinco para escolher, nomeadamente Vagabond, Bandit, Astrologer, Samurai e Hero. Não resistir e escolhi imediatamente um Samurai. É uma classe ideal para fazer rápidos combos com a sua katana e ágil para te desviares, mas que peca pela defesa por só conseguir equipar um pequeno escudo na mão esquerda.

Em termos de estabilidade, esta nova versão deve estar muito próxima da versão final. Ainda que tenha jogado por livestream, o que gera sempre problemas de compressão na imagem e mais latência na jogabilidade, dá para antever um jogo fantástico - potencialmente o melhor de sempre da From Software. A jogabilidade está afinadíssima, se bem que quando fazes lock-on nos inimigos, principalmente em espaços fechados e com inimigos grandes, a câmera pode assumir perspectivas desfavoráveis.

Um game-changer é a introdução do cavalo, que permite não só atravessar desde cedo grandes distâncias em pouco tempo, como adoptar uma nova forma de abordar os combates. Passei uma grande parte do tempo disponível a combater a cavalo. Há vantagens e desvantagens, e a sua eficácia também dependerá bastante do tipo de inimigo. Combater a cavalo é menos preciso do que combater a pé, e nem sempre acertas quando carregas no botão para desferir o golpe - mas também é uma questão de habituação.

A sensação de risco é ainda maior

Desde o início que tens uma vontade enorme de explorar o misterioso mundo de Elden Ring. Por isso é que as seis horas passaram a voar e, francamente, souberam a pouco. Não é suficiente para explorar um mundo tão grande e desafiante. As regras ainda são as mesmas dos jogos Souls: quando perdes, voltas ao Site of Grace anterior ou qualquer outro que já tenhas desbloqueado. No sítio onde morreste, ficam as preciosas Runes, que vais acumulando ao derrotar todo o tipo de NPCs, desde inimigos a animais selvagens.

Ainda que a travessia do mundo seja mais fácil do que nunca, permanece sempre o medo de perder as Runes - a única forma de subir de nível e ficar mais forte. Então, vais explorando cuidadosamente, mas sempre com medo do que pode aparecer à frente. A hesitação é natural: será que estou preparado para o que vem aí adiante, ou será que devo ficar mais forte? O que é certo, é que Elden Ring dá mais opções do que nunca aos jogadores para enfrentar os desafios.

"Desde o início que tens uma vontade enorme de explorar o misterioso mundo de Elden Ring"

Enquanto no jogos Souls a progressão era em grande parte em linha recta, e podias atingir pontos em que ficavas bloqueado até conseguires superar o desafio, em Elden Ring isso não acontece. Ainda existem pontos de progressão pelos quais tens de passar obrigatoriamente, mas a estrutura de mundo aberto deixa-te explorar outras zonas se ficares farto, o que ajuda a reduzir o stress de estar bloqueado. E não esquecer que na maior parte das vezes, tens a opção de stealth (a IA é pouco estúpida).

O que aumenta também a sensação de risco é o número reduzido de Flask of Crimson Tears (poções de saúde) com que começas. Certamente que, à medida que fores progredindo, poderás aumentar a quantidade. No início, tens apenas três frascos de saúde, contudo, ao derrotares certos grupos de inimigos, um ou vários frascos são reenchidos. Neste aspecto, o jogo é obtuso. Nunca sabes quantos frascos vais receber se derrotares um grupo de inimigos, mas por norma, quanto mais difícil, mais fracos serão reenchidos.

O jogo mais bonito da From Software

Já disse que este é potencialmente o melhor jogo da From Software. Visualmente e no que toca a avanço gráfico, é também o mais bonito. Todas as paisagens são marcantes, um hino à fantasia medieval. Foi a versão PC a que tivemos acesso e o jogo estava a correr com as configurações no máximo, a 4K. Mesmo a jogar por streaming, tenho que admitir que fiquei várias vezes espantado. Há uma atmosfera de epicidade no ar, transmitida pela grandiosidade e a direcção artística do jogo. Tudo é enorme e sentimos que a nossa personagem é uma formiga. É uma sensação avassaladora, mas contagiante.

Depois de jogar estas seis horas, não restam dúvidas que este é um dos jogos que vai marcar 2022. Elden Ring será lançado a 25 de Fevereiro para PC, PS5, Xbox Series, PS4 e Xbox One.

Sobre o Autor

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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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