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Por que Pokémon Scarlet e Violet parece ter baixo orçamento, se a Pokémon Company teve lucros recorde em 2021?

Algo não bate certo.

Aqui estou de novo para mais um desabafo de Pokémon. Já tinha dito há uns tempos que está a ser cada vez mais difícil manter-me fã da franquia, e ainda que Pokémon Legends Arceus tenha sido uma necessária lufada de ar fresco, os novos trailers e vídeos de Pokémon Scarlet e Violet revelados ontem deixaram-me novamente receoso com o futuro da série.

Podia estar aqui a esmiuçar as novas formas Teracrystal dos Pokémon e como não passam de mais uma gimmick que será completamente descartada no próximo jogo (como aconteceu com as Mega Evoluções, Z-Moves, e Dynamax), mas para mim o mais grave é a falta de qualidade técnica dos novos jogos.

Se fosse um novo jogo de uma produtora pequena para ser lançado em acesso antecipado no Steam, a qualidade apresentada seria aceitável. Mas não, estamos a falar da franquia que gera mais dinheiro em todo o mundo, à frente da Marvel, Star Wars, Hello Kitty, e Mickey Mouse. Em 2021, a Pokémon Company bateu recordes de receitas e de lucro, com $700 milhões em receitas brutas e $325 milhões de lucro.

Quem financia os jogos de Pokémon?

Comparação com outros jogos em mundo aberto da Nintendo Switch. Scarlet e Violet parece estar ligeiramente melhor do que Legends Arceus, mas há muita margem para melhorar.

Antes de avançarmos mais, aqui está algum contexto: a Pokémon Company é controlada por três identidades - a Nintendo, Creatures, e GameFreak - cada uma opera uma parte diferente da companhia. A GameFreak trata de desenvolver os jogos principais da franquia, a Nintendo trata da distribuição à escala global nas suas consolas. À Pokémon Company cabe lidar com o marketing e financiamento de novos jogos.

Portanto, quando chega o momento de alocar orçamento para o desenvolvimento de um novo jogo de Pokémon, é a Pokémon Company que decide a quantidade de dinheiro. Nem a Nintendo nem a GameFreak controlam este aspecto, apesar de cada uma deter um terço da Pokémon Company.

Gostava de transformar-me temporariamente numa mosca para infiltrar-me nas reuniões e tomadas de decisões dos novos jogos de Pokémon, mas como não tenho essa habilidade, resta-me especular por que razão Pokémon Scarlet e Violet parecem ser jogos de baixo orçamento, apesar de pertencerem à franquia que gera mais dinheiro à face da Terra.

Potenciais razões que justificam o aspecto de Pokémon Scarlet e Violet

  • A GameFreak recusa-se a modernizar as suas ferramentas de desenvolvimento ou não sabe fazer melhor;
  • A Pokémon Company está a bater recorde de lucros, por isso não vê razões para investir no melhoramento técnico;
  • Os fãs de Pokémon têm um historial de serem pouco exigentes, logo não faz sentido aumentar a qualidade;
  • O hardware da Nintendo Switch não dá para mais;

O último ponto poderia fazer sentido, se não houvesse jogos que o deitam abaixo. The Legend of Zelda: Breath of the Wild foi jogo de lançamento da Nintendo Switch e tem melhor qualidade visual e técnica de qualquer jogo de Pokémon lançado para a portátil.

De um ponto de vista puramente capitalista, investir bastante na qualidade técnica de futuros jogos de Pokémon não faz sentido. Se no estado actual os jogos estão a vender que nem pãezinhos quentes numa manhã fria de Inverno, o potencial de retorno do investimento é baixo porque as vendas já estão em picos históricos.

Os cenários de Scarlet e Violet são bastante despedidos, tal como visto no trailer mais recente.

Qual é a solução?

Não há muito mais a fazer a não ser mostrar descontentamento. Enquanto fã, e como editor de um meio com grande alcance, é o que tenho feito. Faço-o não pelo desejo de deitar abaixo seja o que for, mas porque sei que a franquia Pokémon tem muito mais para dar do que isto.

O que não ajuda a melhorar a qualidade técnica é o curto intervalo entre jogos. Pokémon Legends Arceus foi lançado em Janeiro. Pokémon Scarlet e Violent, também da responsabilidade da GameFreak, será lançado a 18 de Novembro, com um intervalo inferior a um ano. Seria preferível um intervalo maior para aumentar a qualidade visual e técnica.

Seja como for, cá estarei em Novembro para mais uma jornada de "apanhá-los a todos".

Sobre o Autor

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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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