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Polígonos no Horizonte

Nintendo DSi para dinamizar as tabelas de vendas, ou talvez não.

Com data prevista de chegada à Europa para 5 de Abril, a renovada portátil da Nintendo, rebaptizada pelo acrescento do "i" ao NDS, ( não se deve ler como "i", mas "ai", porque a Nintendo pretende transmitir ao público uma ideia de aspecto único e personalizado da consola, em ligação com o "eye" na perspectiva da câmara) ou seja, NDSi, promete dar um novo rumo à forma como se acede, partilha e cria conteúdo. Anos a fio na indústria, a Nintendo permanece vagarosa na adaptação aos seus sistemas do progresso e dinamismo instalados.

Apesar disso pretende-se com a DSi marcar um avanço. Colher experiências exteriores, proceder à assimilação e posterior partilha, representam a vitalidade da internet dos tempos modernos, dirigida para a criação e troca imediata de conteúdos. A tese já marcha há um bom tempo e Phil Harrison, mesmo antes de abandonar a Sony e durante o estreito período em que a indústria o escutava com agrado nas conclusões para a plataforma Home, teve tempo para refrescar o conceito de Game 3.0, na base, tudo o que seja interacção social, criação de conteúdos, comunidade e partilha.

Afinal a NDSi representa a terceira grande evolução da portátil da Nintendo, nada que possa soar a novidade, quando se sobrepõe com os prolongamentos inusitados do Game Boy e do imediato sucessor Game Boy Advance. Nem é propriamente uma opção como a luz artificial acrescentada a meio do campeonato como forma útil para jogar em espaços escuros ou debaixo pelos lençóis que deixará impávidos os compradores da versão original.

Essa etapa de colecta única já está ultrapassada, mas enquanto sopram bons ventos sem más tempestades, há tempo e mercado para introduzir mais uns enxertos e alargar a pequena portátil para um centro multimédia, aproximando-a da rival PSP. Todavia há um preço a pagar pelo pacote dourado que pretende ser a nova DS. O custo associado à transição para a “Game 3.0” rondará os 170 euros (espera-se), sem “bundle”. De cor preta ou branca, não é de excluir a inclusão de mais cores daqui por uns meses. Mas se antes da chegada ao mercado da NDS espessa nem as perspectivas mais optimistas serviam para projectar um avanço tremendo sobre a PSP, a Nintendo volta à teia das incertezas com o lançamento da DSi, sendo complicado admitir se os jogadores estarão dispostos a pagar mais por uma série de extras que se resumem a uma bi-câmara fotográfica e capacidade melhorada para exibir software.

Pelos registos de vendas da PS3 e PSP, nem sempre as máquinas mais adaptadas a centros multimédia, à custa de um elenco de funções mais ou menos apetecível, conseguem despertar mais entusiasmo, tendo ainda a agravante do preço geralmente superior. No Japão as vendas da DS Lite desceram em grande margem no período de 2008, em termos comparativos com 2007, e por isso, como forma de responder às capacidades multimédia da PSP, os responsáveis da Nintendo entenderam que era oportuno mexer com a portátil ao ponto de gerar uma nova pequena revolta nos utilizadores das versões básicas que em princípio deverão ficar à margem dos jogos previstos para uso exclusivo na NDSi.

É um desafio de grande envergadura, promover uma nova experiência, com todo o assomo de possibilidades das ligações à rede e de jogos exclusivos, mesmo quando muitos utilizadores ainda jogam na consola original. Mas não deixa de perdurar o interesse: projectar a portátil para as marcas alcançadas com a DS Lite. A resposta do ocidente não tardará, mas é sempre um caso onde tudo pode acontecer. Posto o frenesim natalício que ainda valeu 410 mil unidades vendidas no Japão os jogadores ocidentais fazem contas mediante as novas possibilidades. No mercado caseiro a nova DS mantém uma confortável margem de avanço para a PSP.

Se a DSi despertará um novo fulgor pelo entusiasmo à volta dos sistemas portáteis, ainda é uma incógnita, mas com jogos exclusivos, partilha de conteúdos e uma possível baixa de preço mais à frente, bem que os lojistas podem voltar a ficar sem mãos a medir para assegurar tanta procura. Nessa altura a Nintendo voltará a colocar os pontos nos is.

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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