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Podes ser o DJ que sempre sonhaste em Track Lab (PS VR)

A nova experiência da realidade virtual combina puzzles com edição musical.

Olhamos para a realidade virtual como potenciadora de mundos vastos, confrontos, sensações de velocidade e risco. Na verdade é o campo perfeito para muitas aventuras, jogos de acção, plataformas e shooters, mas há também espaço no quadro das experiências musicais. De Vib Ribbon, passando por Rez, criado pelo inconfundível Mizuguchi, o mesmo autor de Lumines e Space Channel 5, a PlayStation conheceu uma parte importantes das evoluções musicais no âmbito dos videojogos.

Track Lab, para o PlayStation VR, criado pelo estúdio holandês Little Chicken Game Company, vai mais adiante e reforça a presença de um género sempre muito permeável na pele de um gamer, seja casual ou mais experimentado. De todos os jogos e experiências que a Sony apresentou neste certame em Madrid dedicado ao PS VR, Track Lab deixou uma marca inconfundível, um jogo que me fez facilmente entrar no ritmo enquanto procurava acrescentar mais batidas e sons à faixa que vai rodando em fundo.

Como experiência 3D é absolutamente fácil de assimilar e de um feedback tremendo, levando-nos a realizar uma série de impulsos e deslocações corporais quase de forma natural, como uma decorrência ou prolongamento dos nossos sentidos. Track Lab parece ser um jogo simples, mas é bem mais engenhoso e complexo do que pode parecer à primeira vista, mesmo depois de percorrido o nível mais básico.

O jogo partiu de uma ideia formulada por um dos fundadores, Senne de Jong, em 1995, que assentava em criar música pela colocação de blocos numa ideia. Mais de 20 anos depois o resultado é um criativo jogo para o sistema de realidade virtual da Sony.

Certo é que estamos perante uma experiência musical de grande qualidade, que transportada para o universo da realidade virtual nos põe em contacto com uma extensa grelha por onde um bip sonoro de uma pequena faixa (batida) em fundo, atravessa um quadro. O objectivo passa por ligar esse bip a três pontos, activando uma grelha de sons, a qual fica imediatamente disponível numa mix que vai recebendo mais notas e composições até se transformar numa intensa e complexa faixa de ritmos criada por nós.

Para ligarem esse bip a três pontos colocados numa suposta meta, terão que não só multiplicar o sinal como guiar o bip e restantes clones para os pontos específicos. Para tal terão que manipular uma série de blocos colocados na grelha. Alguns blocos permitem desviar o bip num determinado sentido, enquanto que outros fazem uma espécie de ricochete.

À medida que sobem de dificuldade, vai sendo cada vez mais difícil descobrir o bloco certo que permite dar continuidade à faixa musical. Estes níveis são progressivos, e podem ir até um máximo de 10 segmentos por faixa musical. Ao completarem essas divisões passam para a música/nível seguinte. A quantidade de blocos a operar é significativa. No começo é provável que passem algum tempo a experimentar, a rodar e a mudá-los de posição até encontrarem o ponto certo, mas por vezes há que olhar de uma forma mais alargada, à distância, tentando perceber o puzzle num quadro mais alargado.

A colocação dos blocos é efectuada através dos comandos Move. Tudo prático e simplificado. A imersão é garantida e nem sentem muito cansaço a jogar.

É isto que acaba por funcionar muito bem em Track Lab, um jogo que me pareceu não só muito engenhoso, dotado de um design em tons neon de uma disco, como eficaz na celebração entre puzzles e criação de música. É esse o objectivo, completar estas "boards" que depois são colocadas sobre umas colunas, criando novos ritmos. Podem reduzir ou aumentar a intensidade do som, dos ritmos e sequências. No fundo há um processo criativo constante, ao bom estilo de um DJ.

Track Lab divide-se na base alicerçada nos puzzles e depois numa componente criativa, na forma como vamos conjugar os sons, adaptar e envolver os ritmos numa nova faixa musical, usando pequenos cubos para o efeito. Será por isso uma experiência diferente para cada pessoa. Os ouvidos mais sensíveis à música e aos processos criativos podem encontrar aqui uma óptima mesa de edição, mas é também um jogo que parte dos puzzles, oferecendo um contexto bem definido, visando os gamers. De todo o modo é facilmente um jogo para todos com vontade em experimentar esta tecnologia 3D e com ouvido para a música.

Não há dúvida acerca do esforço desenvolvido pelo estúdio holandês. Este começou como um projecto fora da realidade virtual, mas numa conversa com responsáveis da Sony, os produtores acharam que daria uma boa experiência no campo da realidade virtual. E vai resultar num misto de criação de música e puzzles. O jogo apresenta ainda um extenso editor que nos deixa criar novas músicas.

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