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Package Inc - Centro de distribuição de encomendas

Para que não se extravie uma carta ou encomenda

Um centro de operações de logística que se alarga a diferentes cidades do planeta, num esforço contra o relógio e desafiante.

Produzido pela Infinity Games para a plataforma Android, em 2020, Package Inc chegou há pouco tempo à Nintendo Switch, numa edição da portuguesa Nerd Monkeys devidamente adaptada aos comandos da consola híbrida. Pela módica quantia de 4,99 euros os jogadores penetram no que se pode chamar de mundo da logística e da distribuição. O objectivo passa por atingir uma série de objectivos dentro de cada urbe apresentada como um desafio em várias vertentes. A mais assinalável é a criação de um centro de distribuição que permite entregar as encomendas. Fazê-las chegar a tempo aumenta o pecúlio que de imediato pode ser afecto à criação de casas, cafés e outros estabelecimentos funcionalmente dependentes desse centro de distribuição, o que faz aumentar as encomendas e conduz à criação de novos armazéns e centros de distribuição.

Apresentado em tons minimalistas, com uma estética algo futurista e de caracterização singular dos espaços, não há o detalhe de um simulador tipo Sim City, mas as linhas de comunicação que se abrem, os registos de entregas e uma espécie de fervilhar diário, já que encomendas entregues representam dinheiro em caixa. Em contraciclo com os lentos simuladores da vida em cidade, aqui há uma espécie de luta contra o relógio, o que em bom rigor sucede com uma distribuidora de correio. Fazer chegar uma encomenda ao destino no menor curto espaço de tempo é digno de um serviço de eleição. Por esse prisma, é quase um jogo arcade, já que dispomos de um tempo limite, com a diferença dos objectivos consoante o tipo de cidade.

O primeiro nível funciona como “tutorial”, de aprendizagem e cumprimento dos objectivos mais simples. Encomendas entregues são dinheiro em caixa, por isso, nada melhor que despachar o maior número delas por dia. A lógica capitalista do processo assenta no investimento desse mesmo lucro em serviços como cafés, pizzarias ou mesmo habitações, num desenvolvimento da cidade. A dada altura as encomendas são tantas que há necessidade de alargar o armazém ou centro de distribuição e até criar novos centros, porventura mais afastados, onde a taxa de distribuição é superior, assim como o lucro.

Por outro lado, existe a necessidade de criar habitações e serviços da mesma cor do centro de distribuição. O espaço para a implementação destas infraestruturas não parece ser problema. O que constitui dificuldade é a falta de recursos para acudir a um “upgrade” imediato de um armazém que está prestes a rebentar pelas costuras, não entregando cartas e encomendas. Assim que é atingido o limite de encomendas não entregues o jogo automaticamente termina, forçando o jogador a um recomeço. Por outro lado, o custo da criação desses serviços, que vão mudando à medida que mudamos de cidade, é de tal modo alto que todos os recursos amealhados se perdem num instante, sendo necessário aguardar um ou mais dias para que seja possível voltar a comprar. É nesta fase que se joga toda a componente estratégia, num processo de escolhas mais assertivas e adequadas.

É interessante verificar que para além da criação destes serviços, que vão preenchendo a cidade, existem soluções de componente ambiental, nomeadamente a implementação de árvores ou turbinas eólicas, que curiosamente conferem proveitos monetários, embora em menor escala. De resto, a sua utilidade parece maior do ponto de vista estético já que o grosso do funcionamento dos níveis passa pela criação dos tais serviços e pelo desenvolvimento harmonioso da cidade dentro do tempo limite. Pelo menos é uma componente ambiental detentora de transmissão de alguma preocupação dos efeitos da descarbonizarão para o jogador.

Interessante nesta proposta é a dimensão variável das cidades, com os seus desafios e objectivos diferenciados, levando o jogador a experimentar diferentes soluções, ainda que num patamar de dificuldade superior. Entre outros ajustes e definições, com um timbre curioso, constato a implementação de condições climatéricas severas, servindo sobretudo para um efeito estético. Em termos de interacção com a consola, por via dos botões existe maior precisão, embora seja possível compatibilizar com o ecrã táctil. Preza sobretudo a simplicidade nas acções, através de comandos confortáveis, seja qual for o modelo adoptado. Com onze níveis desenvolvidos, atingir a plenitude dentro de cada um é tarefa bastante exigente e duradoura. Comparado com outros simuladores, Package Inc é uma produção modesta, mas nem por isso menos interessante do ponto de vista do desafio, já que na sua génese contém elementos tipicamente arcade, numa espécie de máximo possível a atingir num tempo limite, mostrando ao mesmo tempo uma construção minimalista.

Prós: Contras:
  • O conceito
  • Comandos simples
  • Objectivos diferenciados entre cidades
  • Falta o fervor das grandes urbes
  • Não há mais a jogar depois de percorridas as onze cidades

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Sobre o Autor
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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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