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One Piece Odyssey - Finalmente um jogo à altura

É um jogo que dá imenso gosto jogar.

Eurogamer.pt - Recomendado crachá
Os fãs de One Piece podem finalmente celebrar pois Odyssey é um jogo com um aspecto fabuloso, animações que recriam de forma fiel a anime e cuja narrativa usufrui do mesmo charme que marca a obra original. É um JRPG por turnos que dá gosto jogar, especialmente para fãs de One Piece, mas não só.

O ano de 2023 começa bem para os fãs de One Piece, que continuam a vibrar com a manga, anime e o recente filme Red. Graças a One Piece Odyssey, a Bandai Namco apresenta finalmente aquele que pode ser referido como o primeiro grande videojogo criado a partir de One Piece e quebra finalmente um enguiço que parecia não ter fim.

Após longos anos como estúdio de suporte, a japonesa ILCA apresenta o segundo jogo como estúdio principal (Pokémon Brilliant Diamond/Shining Pearl foi o primeiro) e todo o conhecimento adquirido a trabalhar em grandes propriedades permitiu-lhes criar um jogo do qual se podem orgulhar. A ILCA ajudou a desenvolver jogos como Yakuza 0, Metal Gear Rising, NieR: Automata, Ace Combat 7 e Dragon Quest 11, sendo precisamente este último título a maior referência para One Piece Odyssey.

É fácil olhar para Dragon Quest 11 e One Piece Odyssey para encontrar muito de similar, não apenas no aspecto visual, mas mais pertinentemente no design e abordagem à estrutura narrativa. Odyssey é basicamente um Dragon Quest 11 de menor escala com skin One Piece, cuja narrativa se torna empolgante graças ao contributo de Eiichiro Oda, o criador da obra original.

De forma engenhosa, Oda, ILCA e Bandai Namco apresentam uma história original com suporte em algumas das mais marcantes aventuras dos Piratas do Chapéu de Palha. Tudo começa com Luffy e tripulação a descobrir uma ilha original e misteriosa, sem imaginarem que foram atraídos até lá. Os seus poderes são roubados e para os recuperarem devem deambular pelas suas memórias e relembrar os momentos em que se tornaram mais fortes para os readquirir. Isto é engenhoso pois permite-te conhecer novas personagens e locais originais, mas ao mesmo tempo celebra momentos populares de One Piece, vistos de uma forma totalmente diferente e divertida.

Waford é a ilha original e terás de viajar na memória até Alabasta, Water 7, Marineford e Dressrosa. A adaptação dos arcos para RPG por turnos está genial e apesar da menor escala quando comparado com Dragon Quest 11, One Piece Odyssey consegue um bom equilíbrio entre linearidade e zonas mais abertas, com uma dificuldade justa. Para os veteranos dos JRPGs, One Piece Odyssey é um jogo fácil, com alguns momentos exigentes, mas para a maioria, especialmente novatos, será uma experiência justa.

A média escala de One Piece Odyssey motivou a ILCA a apostar em algumas fetch quests e backtracking para prolongar a experiência, mas após 34 horas de jogo, assisti ao final e fiquei com vontade de continuar aqui. One Piece Odyssey é um jogo visualmente lindo, com uma estética que relembra a anime, boas animações (dentro e fora dos combates), com imenso charme e bom humor que fará especial eco com os conhecedores da obra, mas que também será capaz de conquistar adeptos de JRPGs que nem conhecem One Piece.

Talvez a sua escala e dificuldade estejam desenhadas para não afastar os que não jogam habitualmente JRPGs, mas adoram One Piece e querem apostar em Odyssey. Diria que resulta e até os combates conseguem evidenciar o esforço da ILCA em encontrar um forte equilíbrio entre jogo capaz de agradar a veteranos e novatos atraídos pelo nome.

Ao deambular pelos diversos locais aqui presentes (Marine Ford é apenas uma espécie de Boss Rush, mas depois podes lá voltar e explorar) é divertido, pois as personagens falam constantemente umas com as outras. Podes trocar para Zoro, Robin, Nami ou qualquer um dos outros membros para encontrar itens ou executar ações contextualizadas com essa personagem (Zoro destrói portas de aço, por exemplo), mas quando vês os inimigos a deambular podes ir contra eles e entrar no ecrã de combate.

O sistema por turnos é familiar para qualquer adepto dos JRPGs e a base está assente no tipo de ataque (um triângulo de força, velocidade e técnica com privilégio uns sobre os outros) e no uso de ataques especiais de acordo com as fraquezas dos adversários (tal como em Persona 5, a interface informa-te sobre quem tem privilégio sobre quem e quais os ataques mais eficazes). Tudo sem atrito e pensado na diversão, para combinar com os visuais coloridos e o enorme charme de toda a experiência.

Apesar da baixa dificuldade, os combates são divertidos e só se tornam fáceis se trocares de forma eficaz as personagens e usares bem o triângulo de privilégios. Apenas 4 membros estão presentes na luta, mas podes trocar livremente entre todos. Além disso, o combate está dividido por áreas e tens de jogar com este design para eliminar desequilíbrios. O uso de habilidades especiais vindas diretamente da anime resulta em momentos de grande espetacularidade visual e são os melhores recursos para despachar grupos de inimigos.

Para desenvolver um JRPG One Piece capaz de agradar a fãs da obra e não só, a ILCA e a Bandai Namco conseguiram uma boa narrativa criada por Oda, uma banda sonora repleta de bons momentos, uma grande imersão ao passear por locais que os fãs bem conhecem e uma qualidade gráfica digna de imensos elogios. É efetivamente Dragon Quest 11 com One Piece, com o charme que conquistou esse jogo da Square Enix, que combina tão bem com as mensagens que Oda explora no material original.

One Piece Odyssey é uma agradável surpresa e os fãs podem finalmente celebrar o primeiro grande jogo dentro deste inspirador universo. Esta espécie de Dragon Quest com skin de One Piece resulta muito bem apesar de se tratar de uma experiência fácil. O contributo de Eiichiro Oda resulta num tom fiel a One Piece e uma narrativa interessante que captura o jogador. Este é o segundo jogo da ILCA como estúdio principal e poderá ser o início de uma grande série.

Prós: Contras:
  • Visualmente fantástico, fiel à anime
  • Banda sonora com vários temas que ficam no ouvido
  • Recriação espetacular de momentos One Piece, dentro e fora das batalhas
  • Possibilidade de passear por locais como Alabasta, Water 7 e Dressrosa com qualquer um dos Piratas do Chapéu de Palha
  • Sistema de combate por turnos divertido e fácil de aprender
  • A sensação que não existe atrito ou tentativa de tornar a experiência artificialmente mais difícil
  • A narrativa original de grande charme, assente em memórias que permitem viver momentos fantásticos da saga One Piece
  • Demasiadas Fetch Quests
  • Poderá ser demasiado fácil para os veteranos dos JRPGs
  • Acompanhar as Missões Secundárias poderá tornar-se complicado devido à falta de informações no mapa

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Sobre o Autor
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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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