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"O TMNT Shredder's Revenge foi um daqueles projectos que correm inacreditavelmente bem"

Estivemos à conversa com Tiago "Tee" Lopes, criador da banda sonora.

O jogo Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder's Revenge é o mais recente êxito da Dotemu e a sua banda sonora foi inteiramente desenvolvida por Tee Lopes, também conhecido como Tiago Lopes. Nascido em Portugal e actualmente a viver nos EUA (desde 2002), é compositor, escritor e criador de música. Cedo descobriu esta vocação que já lhe valeu momentos altos. Para além da mais recente criação da banda sonora de TMNT Shredder's Revenge, Tee Lopes produziu também a banda sonora de Sonic Mania, bem como para o DLC de Streets of Rage 4, para além de outras colaborações.

Na sua página da web refere ter por missão trabalhar de perto com outras mentes criativas e contribuir para mundos mágicos com a sua música. Movidos pelo ritmo inebriante do seu mais recente trabalho, partimos para uma interessante conversa e procuramos saber de que forma ganha vida uma banda sonora para um videojogo.


Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): Que idade tinhas quando começaste a compor música e decidiste que querias fazer da produção musical um modo de vida?

Tee Lopes: Desde que me lembro, sempre compus na minha cabeça, mesmo antes de conseguir transformar essas ideias em som. Até aos 14 anos sonhava vir a fazer algo a ver com desenho ou animação até descobrir uma forma de programar musica. A partir daí as minhas aspirações mudaram completamente. Foi aí que me apercebi que a paixão pla musica era mais forte, e o desenho eventualmente passou para segundo plano.

Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): De que forma é que se deu a tua entrada na indústria dos videojogos?

Tee Lopes: Deu-se por volta de 2007, numa altura em que eu fazia remixes de temas clássicos de videojogos como hobby e publicava-os no Youtube. Se bem me lembro, o irmão de um amigo meu trabalhava num estudio que fazia jogos para smartphones, e precisavam de alguem que criasse um par de temas para um pequeno jogo tipo puzzle. Aceitei, gostei da experiência, fiz mais alguns projetos com esse estudio e comecei a criar um portfólio como compositor e a dedicar-me 100% a esse percurso.

Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): Nasceste e viveste na tua juventude em Portugal. Actualmente vives nos Estados Unidos. Que diferenças consegues identificar em termos de abordagem e pedidos de colaboração, de Portugal para os Estados Unidos?

Tee Lopes: Eu vivi em Portugal até aos 15 anos de idade, e a minha carreira iniciou-se alguns anos depois, já nos Estados Unidos. Não tenho bases de comparação para responder as esta pergunta.

Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): Neste momento o teu mais recente trabalho é a banda sonora do jogo Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, mas há poucos anos foste compositor da banda sonora de Sonic Mania, um jogo excelente que praticamente revitalizou a série no seu legado 2D. Foi para ti um trabalho desafiante e de que forma se processou a colaboração com os produtores do jogo?

Tee Lopes: A minha participação no Sonic Mania foi um passo muito importante na minha carreira, pois acabou por me abrir muitas portas, e deu-me uma plataforma que me ajudou conquistar um lugar na industria. Para alguém que cresceu a jogar Sonic The Hedgehog como eu, poder compor para um jogo oficial foi tambem um sonho de criança realizado. Em termos de desafios, houve alguns, mas ultrapassaram-se bem. O Sonic Mania foi o meu primeiro trabalho dessa dimensão e tive de aprender muitas coisas meio em cima do joelho. No entanto, colaborei com varias pessoas maravilhosas que me ajudaram a navegar por esses territórios desconhecidos. Dois deles foram o diretor Christian Whitehead que acompanhou e encaminhou toda a produção musical, e o diretor de arte, Tom Fry, com quem tive várias sessões de troca de ideias.

Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): Como funciona o processo de criação de músicas. Recebes indicações dos produtores, visualizas arte ou o nome dos cenários e crias temas de acordo com isso?

Tee Lopes: Exatamente. Faço conferências com os diretores e artistas do projeto, conversamos sobre os temas e pilares criativos da banda sonora, discutimos ideias, falamos sobre os objetivos, jogo uns protótipos... Há sempre um ping-pong de sugestões e inspirações. Na maioria das vezes inspiro-me na arte disponivel, numa descrição, ou mesmo em links de outras musicas que me mandam como referência.

Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): Sobre a banda sonora Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, como se processou o desenvolvimento desde que foste contactado e se consideras que as muito boas reviews que o jogo recebeu são também resultado das tuas músicas?

Tee Lopes: O TMNT Shredder’s Revenge foi um projeto daqueles que correm inacreditavelmente bem. Após ter trabalhado com a Dotemu no DLC do Streets Of Rage 4, fui convidado,quase de seguida, para compor para “um certo jogo”. Quando me disseram o que era, e que era a Tribute Games a fazê-lo (um dos meus estudios indie preferidos), caiu-me o queixo. Disse logo que sim. Trabalhei com lendas da musica e com alguns amigos muito talentosos, dois deles Portugueses: o João Samuel da Silva (Sam Silva), saxofonista que trabalhou com os Expensive Soul, Marta Ren e outros artistas, e o Andrew Gomes (AndrewOne) que fez um trabalho incomparável na mistura e masterização de audio. A musica foi certamente um elemento importante para o sucesso deste titulo, mas é apenas uma fatia do bolo.

Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): Na minha infância consumia a série animada original das tartarugas ninja e depois acompanhei os jogos, nomeadamente Turtles in Time, até aos recentes filmes. Retiraste dessa conjugação, nomeadamente do anime, dos filmes e dos jogos a inspiração para a tua banda sonora ou pensaste em algo diferente, específico para este jogo?

Tee Lopes: Precisamente. Fiz uma pesquisa muito grande, passei muitas horas a rever a série animada de 87 e os filmes, a assistir a gameplays dos jogos clássicos no youtube e a ouvir as respetivas bandas sonoras, e até a desenterrar anuncios de TV antigos. Tudo o que tivesse a ver com as Tartarugas Ninja de outrora era uma potencial fonte de inspiração. Mais do que soar simplesmente como os jogos anteriores, tive a intenção de que a musica transportasse os jogadores a uma era passada, daí eu ter incluído varios estilos urbanos populares da época - hiphop, freestyle, techno, house, jungle, etc, assim como alguns temas vocais que pudessem passar por algo que tocasse na rádio em 1993.

Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): Nos videojogos a banda sonora ocupa um papel crucial na experiência. Qual a maior dificuldade em criar música para propriedades tão conhecidas?

Tee Lopes: A maior dificuldade é encontrar um equilibrio entre aquilo que queres fazer e aquilo que sabes que as pessoas querem ouvir. É bastante delicado, porque os fãs muitas vezes ja têm um conceito pré-definido sobre como deve ser a musica de uma determinada marca que lhes é querida, e pode ser complicado aderirem a ideias novas. Esta banda sonora fez algumas coisas que ainda não tinham sido feitas num jogo TMNT, e existe sempre o receio de que certas liberdades tomadas não sejam bem recebidas pela malta mais “hardcore”. Felizmente correu bem, e na grande maioria, foi tudo muito bem aceite.

Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): O que te dá mais prazer na criação de uma banda sonora?

Tee Lopes: São imensas coisas. Gosto do prazer de criar algo novo, gosto de contar histórias através da musica, gosto de trabalhar com outros artistas e acompanhar o progresso do jogo, gosto de imaginar as reações dos ouvintes, gosto de acreditar que o meu trabalho possa ter um impacto positivo na vida de outras pessoas, entre várias outras coisas.

Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): Há algum trabalho ou banda sonora especial que gostarias de realizar, ao ponto da música modelar o jogo, como em Rez?

Tee Lopes: Tive o privilégio de ter conseguido realizar alguns objetivos em termos profissionais, e estou neste momento a trabalhar em mais alguns projetos que considero de sonho. Espero poder continuar a compor e a arranjar para revivals por bastante tempo, mas tambem gosto de escrever para títulos originais e criar universos musicais de raíz.Teria muito gosto, no entanto, em contribuir musica para um Castlevania ou um Mega Man! Pode ser que um dia…

Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): Tens jogos favoritos? Deduzo que também sejas um fã de Sonic.

Tee Lopes: Gosto muito de jogos, e de muitos jogos, mas hoje em dia tenho tão pouco tempo livre que só jogo um bocadito de FIFA antes da caminha. Sou fã de Sonic, assim como de vários outros titulos e mascotes que fizeram parte da minha infância.

Vítor Alexandre (Eurogamer.pt): Nasceste em Coimbra. Gostas das queijadas de Tentúgal?

Tee Lopes: Claro, ora essa.

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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