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O TGS e o glorioso regresso das demos

Faz-nos sentir o gosto de gerações passadas.

O Tokyo Game Show 2022 foi verdadeiramente empolgante, pelo menos para os adeptos das produções japonesas, que agora, mais do que nunca, contam com um grande número de produções pensadas com sabor japonês de apelo global. Além de 3 novos Like a Dragon (o novo nome da série anteriormente conhecida como Yakuza), tivemos o anúncio de Rise of the Ronin, Tekken 8, Suikoden 1 e 2 HD Remaster, Fire Emblem Engage, Atelier Ryza 3, Pikmin 4 e outros. Sem esquecer a grande quantidade de novos trailers e informações, tivemos um grande destaque, as demos!

Algo que anteriormente era uma faceta comum desta indústria tornou-se numa miragem, apesar de companhias como a Square Enix lançarem demonstrações para muitos dos seus lançamentos de forma gratuita, a maioria das companhias não lança demos ou coloca-as num serviço pago. Esta semana do TGS foi espetacular pois a partir de Portugal, tivemos um pequeno gostinho do que esteve ao alcance dos visitantes, através da chegada ou anúncio de várias demos.

Valkyrie Elysium e Harvestella da Square Enix receberam demo nas consolas PlayStation, Wo Long: Fallen Dynasty da energética Team Ninja teve direito à primeira demo e Star Ocean 6 terá uma amostra jogável dentro de dias. Tendo em conta que a Square Enix aposta em apresentar as primeiras horas de jogo cujo progresso pode ser transportado para a versão final, isto é efetivamente uma forma de começar a jogar mais cedo e ao mesmo tempo uma boa amostra do que é o jogo para decidires se o vais querer jogar ou não.

Isto já se está a tornar hábito na Square Enix e esperamos que o faça em Crisis Core Remaster e Forspoken, por exemplo, enquanto a Koei Tecmo apresentou diversas demos e testes aos jogos NiOh, mas é inegável que gera um efeito de grande entusiasmo entre os que estão a ponderar espreitar o catálogo de companhias que adoram e se identificam com os seus jogos. Imagina como seria se Bayonetta 3 tivesse recebido uma demo, por exemplo, após a Nintendo Direct? Imagina se Tekken 8 fosse partilhado com o mundo numa espécie de Tech Demo com aquele cenário e aquelas duas personagens?

É um efeito empolgante que gera entre os adeptos destas companhias e os apaixonados pelos videojogos produzidos no Japão. Existe o risco de potenciais compradores jogarem Valkyrie Elysium ou Harvestella e decidirem que projetos AA da Square Enix vendidos a preço completo não são o que procuram, mas também podem ficar com o jogo na lista de desejos e esse é o risco que a companhia está a tomar. Também podem acontecer pessoas que nem sequer iam olhar para estes jogos e de repente dão por si intrigados com o resto porque desfrutaram de uma boa e divertida fatia inicial.

No caso de Wo Long da Koei Tecmo, devido às funcionalidades online e à busca de feedback dos jogadores, isto é especialmente importante. É um jogo que chegará refinado graças ao feedback mundial e alterações ou ajustes que seriam feitos após críticas no lançamento, estão agora a ser registados com a ajuda de pessoas em todo o mundo. Ao mesmo tempo, cria conversas sobre os jogos, partilhas nas redes sociais e uma vez que Wo Long está tão espetacular, gera imensa conversa positiva pré-lançamento, tal como aconteceu com NiOh.

No meu caso, não estava convencido com Valkyrie Elysium, mas após jogar a demo, estou interessado neste novo projeto de média escala da Square Enix, desenvolvido pela Soleil. Apesar de sentir que não ostenta a mesma eletricidade de Nier Automata, parece um projeto de similar escala, sem o bizarro toque melancólico e deprimente de Yoko Taro para tornar a narrativa profunda e dinâmica. No entanto, o sistema de combate, gráficos, banda sonora e design são muito intrigantes. Ficou no radar da lista de jogos.

Wo Long: Fallen Dynasty entrou de imediato para a lista de jogos no radar quando foi anunciado, adoro jogos da Team Ninja e após NiOh e sequela não podia deixar de sentir entusiasmo com este jogo. Wo Long é basicamente Nioh na China antiga e esta demo permitiu-me ver que apesar de 99% ser comum entre estes jogos, a Team Ninja introduziu mudanças que dão uma energia ligeiramente diferente à experiência. As mecânicas de stamina e postura de NiOh desapareceram e agora tens moral e uma abordagem muito mais dinâmica aos contra-ataques. A demo fez-me sentir que estou a jogar um produto muito familiar, mas com a mesma qualidade e pequenas diferenças que me deixam empolgado, mesmo que seja um NiOh 3 em 5 anos.

Mesmo que não estejas interessado nestes jogos, mesmo que nem sequer queiras jogar, efetua o download destas demonstrações e ajuda a criar impacto, bater recordes de downloads e até atividade. Vamos mostrar às companhias que demonstrações com acesso à primeira ou primeiras horas de jogos deviam ser mais comuns e mesmo que não funcione em todos os casos, funciona em muitos e isso já devia ser o suficiente. Vamos tentar que no futuro as demonstrações deixem de estar barradas por serviços pagos.

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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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