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NES Remix 2 - Análise

Uma nova roupa para os clássicos NES.

Produzido pelo estúdio EAD Tokyo (Mario Galaxy e Super Mario 3D World), NES Remix é o derradeiro desafio dos clássicos lançados para a NES, um jogo que colhe a fina flor de jogos Nintendo do sistema 8-bit e entrega uma série de momentos, totalmente reconstruídos, com desafios rápidos e objectivos que vão do mais básico e elementar até ao mais complexo. Como um cartucho com múltiplos jogos, não é pouco perceptível a investida da Nintendo em cativar o interesse dos fãs de longa data mas também em promover a sua galeria de clássicos da Virtual Console. Lançado o original no final do ano passado, após um anúncio surpreendente durante a última Nintendo Direct de 2013, não é de todo uma surpresa ver chegar, quatro meses depois, a sequela. NES Remix 2 vem preencher uma fase menos movimentada de publicações para a Wii U e, ao mesmo tempo, baralhar as mecânicas dos clássicos.

A colecção de selos dá uma nova força à criação de posts no Miiverse.

Produzido por Yoshiaki Koizume e dirigido por Koichi Hayashida (co-director de Super Mario 3D World), NES Remix 2 mantém a apresentação do original. Lado a lado, são títulos quase gémeos. A única coisa que muda é a sua motorização, ou seja, os jogos NES. Neste capítulo, mais carne foi colocada no assador. Enquanto que o original despertou pela curiosidade do género mas não tocou os jogos mais esperados (mesmo nos títulos desbloqueados não encontrámos os famosos Super Mario Bros.), em NES Remix 2 o pensamento está na grande audiência. Embora se verifique uma tendência para promover uma oferta equilibrada, é indiscutível o reforço proporcionado por jogos como Super Mario Bros. 3, Metroid, Super Mario Bros.: The Lost Levels, Super Mario Bros. 2, Kid Icarus e Kirby's Adventure, títulos apelativos só pelo seu nome. Felizmente, o valor da oferta é ampliado pelo equilíbrio, com jogos um pouco menos conhecidos mas que dinamizam o conteúdo, como Wario's Woods, Punch-Out!!, Ice Hockey e Mario Open Golf.

À semelhança do original, somente alguns dos doze títulos que compõem NES Remix 2 se encontram disponíveis num primeiro momento. Os outros serão desbloqueados à medida que concluem mais desafios e recolhem um certo número de estrelas. Além destes 12 jogos, os quais são compostos por vários níveis, existe uma secção adicional composta pelos desafios NES Remix e que se perfila como uma remistura de todos os jogos, oferecendo mais algumas dezenas de níveis e com uma segunda volta deveras desafiante. A reconstrução de alguns desafios chega a ser ainda mais surpreendente nesta secção NES Remix.

A apresentação do jogo é "sui generis" e faz as delícias dos fãs que adoram os sons e o aspecto altamente pixelizado (8-bit) das personagens. Mas são os "twists" dos jogos clássicos que conferem profundidade e identidade à produção. Estes desafios estão escalonados por uma curva de dificuldade, luta contra o crono e adaptação às mecânicas. Normalmente visam o cumprimento de determinados objectivos, gastando o menos tempo possível. Pode ser apenas um mini-jogo mais comprido (engloba uma sequência maior) ou então podem ser vários mini-jogos, sucessivos e compostos por diferentes objectivos, sendo que neste caso o tempo final é o somatório do tempo gasto em cada mini-jogo. Se forem suficientemente lestos na realização do(s) objectivo(s) adquirem 3 estrelas, podendo até ganhar uma cobertura arco-íris no caso de completarem o desafio abaixo de um limite não revelado. Estas "speed-runs" vão sendo mais difíceis à medida que sobem de nível. Podem falhar até 3 vidas, nos níveis normais, ou 6 nos níveis mais exigentes, mas se esgotarem um "continue", podem continuar a jogar a partir do último desafio, mas só terão direito a uma estrela no final.

Todos os desafios têm o seu objectivo apresentado assim que começa o mini-jogo, com indicação dos botões a premir, sendo isto útil caso a passagem do tempo vos tenha apagado certos movimentos e acções despachadas. No caso de Wario's Woods pela natureza muito específica dos puzzles e com Punch-Out!! em função da oportunidade dos socos, isto é útil e torna-se necessário treinar um pouco os mesmos níveis até se dominar por completo a mecânica, caso contrário será muito difícil completar os níveis mais elevados.

Percebe-se que os produtores tenham dado mais ênfase e desafios a jogos como Super Mario Bros. 3, Metroid, Kirby's Adventure e NES Remix, enquanto que Wario's Woods, por exemplo, não é tão longo. Os objectivos vão desde o mais básico como completar um nível por inteiro, coleccionar 60 moedas em 20 segundos, eliminar 15 adversários usando o poder de fogo de Super Mario, chegar às bandeirolas saltando sobre plataformas muito afastadas e sob um imenso vendaval, entre outros objectivos mais invulgares como completar um nível em Super Mario Bros.3 praticamente às escuras e levar Kirby até à meta sem ser capaz de inalar os inimigos e sem sofrer qualquer dano. Haverá jogos mais interessantes que outros e no meio de tantos níveis, nem todos funcionam bem, sendo alguns deles altamente frustrantes.

Uma direcção diferente para Super Mario Bros.

Mas uma vez cumpridos esses objectivos, os níveis seguintes imediatamente ficam disponíveis. E com mais estrelas, mais desafios oferece a secção NES Remix, com mais variantes e remisturas. Ao passar da meia centena, centena e centena e meia de estrelas, mais jogos ficam disponíveis, apresentados sob a forma de pequenos televisores, sendo que podemos escolher livremente o jogo e nível que queremos continuar. Vale a pena investir no jogo e não abrandar quando se torna mais difícil conseguir as 3 estrelas, sobretudo com arco-íris. Os jogos que ficam desbloqueados injectam diferentes mecânicas e mais objectivos, acabando por reforçar a atenção e interesse.

Metroid, por exemplo, só aparece numa fase mais avançada do jogo, estando reservados para o final Ice Hockey e Mario Open Golf, criando um efeito surpresa e bombeando novos níveis juntamente com a secção NES Remix. Através desta adaptação dos clássicos, também se descobre como alguns títulos passaram melhor o teste do tempo. Kid Icarus é surpreendentemente desafiante mas divertido, enquanto que Zelda II: The Adventure of Link, mesmo nestes moldes, não deixa de manifestar os conhecidos problemas.

Luzes, câmara, acção!

NES Remix 2 oferece ainda mais dois modos de jogo. O primeiro é o jogo Super Luigi Bros, uma versão espelhada do clássico Super Mario Bros. Com a movimentação específica de Luigi (capaz de saltar mais alto mas também com algumas escorregadelas quando trava o passo acelerado), a trajectória cumpre-se da direita para a esquerda, numa direcção que requer alguma habituação pois são raros os jogos com scroll nesse sentido. Os titulares do original terão ainda acesso, desde o início, ao modo Championship. Trata-se de mais uma luta contra o relógio dentro de três dos jogos disponíveis em NES Remix 2 e com direito a tabela de classificação "online" para a pontuação lograda.

NES Remix 2 mantém a fórmula do original mas é significativamente mais forte em conteúdo, apresentando valiosos trunfos e sem deixar de seguir por um desejável equilíbrio, com propostas como Punch-Out!! e Kid Icarus a subirem à superfície. Alguns desafios entregam uma dificuldade quase insana e, neste formato de pequenos objectivos, são verdadeiros ossos duros de roer. Não obstante a necessária memorização de acções a produzir sob espaços e tempos apertados, a gratificação é imediata assim que se conquista a desejada pontuação. Pelo naipe de jogos facultados e reconstrução criativamente sólida, NES Remix 2 é a derradeira compilação desafiante dos clássicos de culto 8-bit da Nintendo.

8 / 10

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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