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Monster Hunter 3

Caçador procura novos territórios. Poderá despertar o mesmo furor japonês?

À medida que deixamos o Japão, Monster Hunter perde gás, mas a Capcom, em conjugação de esforços com a Nintendo, quer mudar isso já, tendo apostado num ciclo de vida de 5 anos para dar relevo à série. Monster Hunter Tri, exclusivo da Nintendo Wii representa por isso um sério contributo para alcançar as melhores expectativas.

No ocidente ou para além das águas territoriais nipónicas, a série ainda é uma espécie de ser desconhecido, encontrando assento junto de pequenos nichos, com um significado bem claro nos grupos conhecedores da série e que, na prática, concertam planos para caçar uma série de criaturas colossais. No país do sol nascente o significado da série é abismal, sobretudo na portátil PSP, tendo Monster Hunter Freedom sido um exclusivo responsável por uma injecção brutal de receitas no saldo bancário da Sony.

Compreende-se à luz da especificidade do mercado. Para os jogadores japoneses o apelo de Monster Hunter Freedom nem recai sobre a capacidade de desfrutar de combates on-line. Habituados a viajar constantemente em transportes públicos, as consolas portáteis representam uma alternativa privilegiada para passar o tempo e não só o jogo penetra nesse âmbito de utilização como os seus proprietários podem desfrutar das vantagens do “multiplayer” local para extrair melhor proveito.

A compatibilidade com o Wii speak facilitará os desafios on-line.

Tendo a Capcom lançado outras versões da série também para a Playstation 2 pensou-se que o salto da série em sistemas domésticos seria dado na PS3, tendo sido mesmo apontado como exclusivo PS3, beneficiando da tecnologia emergente e de todos os desafios que lhe estão associados. No entanto os produtores mudaram de ideias e optaram pela consola da Nintendo, alegando, em síntese, os novos mecanismos de controlo como pretexto para a escolha da Wii, ainda que seja utilizável (e por muitos preferido) o sistema de operações clássico.

Outras razões que justificam esta incursão podem ser encontradas no imenso parque instalado de sistemas Wii e também pela forte presença que o sistema tem no Japão, mercado prioritário e decisivo para a progressão da série, sobretudo depois de ganha a confiança das mulheres viciadas na versão portátil, muitas delas detentoras da máquina da Nintendo. Além disso os responsáveis do jogo acreditam que a exclusividade de MH3 na Wii contribuirá para um aumento da utilização do on-line do sistema, sobretudo nos mercados ocidentais.

Desde o lançamento no território japonês em Agosto de 2009, MH3 subiu sempre nas tabelas de vendas até estabilizar no terceiro título “thirdparty” Wii mais vendido. Nas filas do primeiro dia alinhavam-se dois tipos de clientes; aqueles que queriam comprar um novo jogo para o sistema e outros que compravam o “bundle”, consola e jogo. No que respeita ao nosso território será interessante apurar, após o lançamento, os efeitos que a chegada de MH3 terá nas tabelas de vendas da Wii. Em princípio não será pela chegada de MH3 que a Wii passará a vender mais, embora possa conhecer súbitos impulsos.

A Capcom puxou pelas capacidades da Wii, apresentando neste MH3 um grafismo cuidado.

Não obstante o forte empenho em marketing e divulgação da Capcom e Nintendo em publicitar e promover MH3, esta série chega até nós fora do círculo do “mainstream”, sendo para muitos uma série perfeitamente desconhecida. Por isso o mais provável é que os actuais proprietários da Wii comprem o jogo, havendo dentro deste grupo os que conhecem muito sobre a série, outros menos conhecedores e, por fim, uma franja que a desconhece em absoluto, entrando no universo Monster Hunter muito por força do sentido de descoberta e também, da exclusividade que lhe está associada.

Em termos de conteúdos a dissecar, MH3 transportará os caçadores por desertos e pelo fundo do mar (agora o coração do jogo ao ponto de permitir ataques a criaturas operando uma movimentação no espaço de 360º), secções essas habitadas por uma pluralidade de monstros, havendo 18 novas criaturas para caçar, algumas mais raras, merecendo destaque o gigante Lagiacrus. Os produtores sentiram a necessidade de reprogramar, voltar a desenhar o jogo e reconstruir a experiência, agora numa plataforma doméstica, voltada para um ritmo de jogo mais pausada e compatível com o interesse daqueles jogadores que chegam a casa e procuram uma experiência mais relaxante.

Estes e outros pormenores iremos divulgar aqui muito brevemente na nossa crítica a MH3. Depois do lançamento só o tempo dirá se os utilizadores ocidentais darão continuidade ao sucesso de MH no Japão. Trata-se de um pesado investimento da Capcom, um desafio que agora arranca, acalentando a esperança de acabar com o desconhecimento da série que ainda pende sobre muita gente.

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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