Se clicares num link e fizeres uma compra, poderemos receber uma pequena comissão. Lê a nossa política editorial.

Monster Energy Supercross 5 - Review - Audácia em duas rodas

Onda acrobática na lama ou na terra.
MES 5 deixa impressões bastante positivas, com alguns melhoramentos relevantes, mas ainda não oferece o completo salto geracional.

Pelo quinto ano consecutivo a Milestone abraça a categoria oficial de motocrosse norte americana, a Monster Energy AMA Supercross, um campeonato altamente competitivo, recheado de patrocinadores e prémios para os mais audazes. Ainda que baseado na temporada pretérita, apresenta os pilotos, localizações, motas e as diferentes categorias: 250 cc, este e oeste, e as 450 SX cc. Trata-se de um projecto globalmente bem sucedido e erigido com base numa competição na qual predominam corridas espectaculares, em localizações montadas para proporcionar eventos de monta.

A Milestone procura desta forma diversificar o seu catálogo dentro do desporto motorizado das duas rodas. Ao adicionar esta franquia à já conhecida e bem sucedida MXGP, com este título adicional de supercrosse reforça a aposta numa categoria que vem conhecendo mais fãs, ainda que esta licença receba mais admiração por parte dos norte-americanos. Mas se existe uma dimensão mundial que pode ser percepcionada neste produto, a Milestone procura recrear as sensações únicas, sobretudo pelo périplo, já que o tipo de experiência não se afasta sobremaneira de outras propostas no mesmo género e por aí também alcança o jogador que não seja tão conhecedor das provas oficiais mas um entusiasta.

A licença da AMA (Associação motociclista americana) não deixa no entanto de ser relevante neste domínio. Com ela a Milestone junta às pistas e motas os rostos dos pilotos que militam nestas provas. Junta ao desporto motorizado os rostos reconhecidos pelo público e ainda acrescenta relevantes domínios nos modos de jogo. É verdade que numa licença do tipo anual, as mudanças de ano para ano tendem a ser cosméticas, com registo para alterações e aditamentos por vezes cirúrgicos aos modos de jogo, permanecendo, grosso modo, uma experiência muito semelhante à anterior. E aqui chegados, se tiveram a oportunidade de jogar MES 4 ou mesmo MES 3, talvez esta quinta iteração não seja assim tão imprescindível, a menos que sejam daqueles fãs devotos. Se pelo contrário, ainda não jogaram qualquer jogo da série, permaneçam na análise.

Motas e pilotos bastante detalhados.

Uma experiência de condução a pender para o realismo

A Milestone já nos mostrou em MXGP e nos anteriores MES, que o realismo é cada vez mais uma nota dominante nos seus jogos. Os títulos de desporto motorizado, em duas ou quatro rodas, desenvolvidos por este icónico estúdio sedeado em Milão, atingem quase sempre um estatuto de simulação, vincado a partir da geração passada, na qual obtivemos os primeiros jogos e séries de abordagem realista. MES 5 transporta igualmente esse ADN e até parece sair mais reforçado, a partir do momento que nos sentimos mais confiantes nas proezas com a mota e aceitamos o desafio, competindo com menos assistências, numa exposição maior ao risco, acidentes e quedas, com consequências físicas para o próprio piloto, ao ponto de justificarem períodos de repouso para recuperação.

O acesso aos modos de jogo é precedido de um introdutório teste às nossas capacidades. Os novatos tenderão a cumprir o teste, optando depois pelo grau de dificuldade que melhor se ajusta às suas capacidades do momento. A aprendizagem é um factor a ter em conta com o tempo passado e aqui há que ressalvar a resposta positiva que o jogo oferece, como feedback até para os mais experientes, a partir do momento que aceitam acelerar com maior margem de risco. De qualquer modo, a opção entre uma condução mais arcade e amparada pelas assistências e outra assente em maiores dificuldades, depende das habilidades e experiência de cada um.

De referir que as provas do MES são particularmente exigentes. Não só pela extensão das pistas e das suas irregularidades, mas pela articulação entre velocidade e ponto de queda, bem como as curvas do tipo gancho requerem a quase imobilização da mota ao mesmo tempo que ganham tracção na saída. O domínio destes processos é de grande exigência, pelo que as quedas são muitas vezes inevitáveis, assim como os toques em pilotos rivais, dado que numa corrida existem duas dezenas de participantes. O "compound" é como a área de teste, um longo troço aberto, recheado de trilhos e pistas por onde treinar e ensaiar os saltos. Ao mesmo tempo é uma área aberta a desafios e recompensas, na qual, cumprindo certos objectivos, acedemos a peças e equipamento adicional para a mota.

Velocidade é relevante mas as acrobacias são fundamentais para não perder o ritmona volta.

Modo carreira renovado

Qualquer piloto novato e fã deste tipo de provas tem como maior desejo o triunfo na categoria máxima, as 450 cc SX. Tornar-se profissional e arrecadar o maior troféu do Supercross. Porém, o caminho para lá chegar é árduo e começa pela entrada numa equipa de garagem, normalmente uma das que andam na cauda do pelotão. Mas assim que começam a chegar resultados sonantes, a cumprir objectivos, a conseguir acrobacias, de imediato os patrocinadores entram em cena, o que gera um alívio para as contas da equipa, e ao mesmo tempo o "budget" com que a equipa irá desenvolver a mota. Os objectivos são diferenciados, à medida da categoria a disputar. As 250 cc mais cómodas e previsíveis, servem sobretudo de aprendizagem enquanto que as 450 cc são um óptimo teste às reais capacidades de velocidade e acrobacias.

A sensação tende a ser bastante agradável assim que entramos nos eixos e percebemos até que ponto o risco de um salto mal calculado é menor. Jogar sem assistências pode ser um duro exercício. Talvez por isso o melhor seja o equilíbrio e progressivamente desligar algumas assistências, sobretudo na viragem e travagem. No entanto, alguns comportamentos ainda permanecem erráticos, especialmente nos toques em adversários, com algumas reacções imprevisíveis. Outras vezes vemos o nosso piloto projectar-se da mota e arrastado pelas rodas de outras motas como se fosse uma folha de plástico. A física ainda não é a ideal, mas há progressos a registar.

No que respeita à produção visual, o realismo é a nota dominante, especialmente nas pistas, embora não se possa dizer que o ambiente ao redor da pista seja um primor em termos de detalhes. Se a caracterização da mota e do piloto estão em bom nível, certos detalhes, tanto ao nível do piso como ao redor da pista, especialmente as instalações e bancadas parecem ainda pouco trabalhados. Já os efeitos pirotécnicos estão bem conseguidos, criando um efeito espectacular e contribuindo para fortalecer o lado festivo deste campeonato. Na comparação com o jogo da época passada, que aqui analisámos, há óbvias melhorias, mas não se pode dizer que seja um desenvolvimento retumbante. Na garagem, o detalhe das motas é assinalável, num reforço da apresentação destas.

A todo o instante é possível melhorar a condução e conduzir por desafios no alargado compound.

O editor de pistas funciona como uma caixa de ferramentas ao serviço dos mais ousados. As possibilidades estão reforçadas, com diferentes ondulações e percursos diferenciados. Se quiserem podem acrescentar mais velocidade ou adicionar lombas para mais acrobacias. Estas pistas podem ser partilhadas com os membros da comunidade. No que respeita ao online são possíveis corridas até 12 pilotos e está também garantida uma opção para ecrã duplo assim que entra um segundo jogador por via local.

Resumindo, MES 5 reúne os condimentos necessários para umas óptimas corridas de supercross, com boas sensações sobre as motas. Ainda não nos parece o jogo capaz de operar o salto geracional, nem consegue um completo salto relativamente a algum dos quatro jogos da série. Ainda parece derivar de algum dos anteriores, ou talvez esteja a meio caminho de algo maior, mas o patamar do realismo parece ser o alvo a atingir por parte dos produtores. Veremos de que forma nos chegam as próximas edições. O ritmo anual da série pode dissuadir alguns fãs, mas se há outros jogadores aptos a umas acrobacias, esta quinta iteração poderá funcionar como ponto de partida.

Prós: Contras:
  • Condução realista
  • Experiência supercross, com peso nas acrobacias
  • Produto oficial
  • Modo carreira guarnecido
  • Detalhe das motas e pilotos
  • Editor de pistas
  • Algumas falhas na detecção da física
  • Animações das quedas
  • Área envolvente à pista parca em detalhes

Descobre como realizamos as nossas análises, lendo a nossa política de análises.

Sobre o Autor
Vítor Alexandre avatar

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

Comentários