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LEGO Star Wars: The Force Awakens - Análise

Há uma perturbação na força.

Apesar de algumas qualidades, LEGO: The Force Awakens teria beneficiado se o lançamento tivesse sido adiado até ao próximo filme.

Não há dúvida que o filme mais recente da saga Star Wars despertou a "Força", que depois de uma trilogia de prequelas que geraram reacções mistas entre os fãs, trouxe de volta o entusiasmo para esta saga lendária do cinema. O anúncio de uma adaptação aos videojogos foi natural, e dado o sucesso e popularidade dos jogos LEGO Star Wars anteriores, faz sentido que tenha sido a TT Games a tratar da conversão. Embora todos os jogos da LEGO usem a mesma fórmula como base, confesso que estava entusiasmo para experimentar LEGO: The Force Awakens pois, tal como muitos fãs, adorei o filme.

O início de LEGO: The Force Awakens é inesperado. Em vez de começar em Jakku com o ataque da First Order, o jogo atira-nos de volta para a sequência final de Star Wars: Episode VI. A inclusão desta sequência talvez tenha sido uma tentativa de criar uma ligação e um contexto com a história de Star Wars, mas depois de ter chegado ao final, parece-me que a razão mais provável foi a falta de conteúdos. Enquanto os outros jogos de LEGO Star Wars compilavam os acontecimentos de vários filmes num só jogo, LEGO: The Force Awakens baseia-se apenas num filme. Como consequência, os conteúdos foram esticados para oferecer um jogo com uma longevidade razoável.

Existem momentos divertidos, como a fuga de Poe Dameron e Fin da nave da First Order, o encontro de Rey com o BB-8, e no geral, os combates com naves. No entanto, por outro lado, há níveis não tão divertidos e que apenas servem de filler para a história. Por exemplo, no filme Ray visita a cave do bar de Maz Kanata e encontra o lightsaber de Lukeskywalker. Apesar de ser uma cena extremamente curta, o jogo transforma este momento num nível inteiro. Este não é o único momento em que a história é esticada no jogo. Antes de partirmos para a cena final, em que os rebeldes atacam a Starkiller base, temos que abastecer a Millenium Falcom com mantimentos, e mais uma vez o jogo tenta preencher a história com algo pouco substancial.

Os fillers, embora possam parecer inofensivos, acabam por estragar o ritmo de LEGO: The Force Awakens e anulam a diversão providenciada noutros momentos. Pelo lado positivo, o jogo contém segmentos que não aparecem no filme mas que complementam a história, como a captura dos Rathtars por Han Solo e a missão de salvação do Admiral Ackbar liderada por Poe Dameron. Neste caso, apesar de serem momentos que não aparecem no filme, acrescentam algo de valor para os fãs. Também existe um nível bónus, que só fica desbloqueado depois de coleccionarem 249 peças douradas, no qual têm que destruir tudo à vossa frente com a Starkiller Base.

Houve um esforço da TT Games para incluir novas mecânicas em LEGO: Star Wars que o diferenciem dos restantes jogos deste género. Uma destas mecânicas é baseada no sistema de cobertura que existe em praticamente todos os jogos de tiros na terceira pessoa. Esta mecânica é usada com alguma cautela, de forma a não transformar LEGO Star Wars num jogo de tiros na terceira pessoa. A mecânica aparece de longe a longe e é activada automaticamente, ou seja, não têm liberdade para entrar e sair da cobertura quando quiserem. Quando estão em cobertura, objectivo é simples: apenas têm que eliminar um determinado número de adversários. Apesar da simplicidade, a mecânica ajuda a quebrar a monotonia dos jogos LEGO e combina com o universo de Star Wars.

A resolução dos puzzles passou por uma refinação. Em vez de terem que descobrir qual é o objecto que têm que destruir para usar as peças e construir outra coisas, existem múltiplas soluções. Quer dizer, na realidade não é bem assim. Ainda têm que destruir objectos para usarem as peças, mas agora cada conjunto de peças pode ser utilizado para construir objectos diferentes. Para resolver o puzzle, é preciso seguir uma combinação de construções. Este novo sistema torna os puzzles menos lineares e não tão óbvios, sendo precisas algumas tentativas para perceber a solução.

Pilotar as diferentes naves do universo Star Wars é um dos melhores momentos do jogo.

"A diversão casual que estes jogos tipicamente oferecem oscila constantemente devido à necessidade de esticar os conteúdos do filme"

Algo já esperado é que não podemos explorar por completo os níveis logo à primeira. Primeiro precisamos de concluir o nível no modo aventura e só depois podemos avançar para o modo free-to-play, que nos dá liberdade para escolhermos qualquer personagem e, deste modo, aceder às áreas bloqueadas que requerem habilidades específicas. Isto é comum nos jogos Lego, mas este The Force Awakens parece recorrer em demasia às habilidades de Luke Skylwaker para desbloquear todos os coleccionáveis. Aliás, embora tenha mais de uma centena de personagens para desbloquear, cerca de metade são irrelevantes, já para não falar na quantidade absurda de Stormtroopers diferentes.

Os jogos LEGO são conhecidos por acrescentar situações cómicas à história e LEGO: The Force Awakens não é excepção. O humor nem sempre acerta no ponto, mas há cenas deliciosas, como ver o quarto de Kylo Ren cheio de posters do Darth Vader. O humor nunca chega a gerar gargalhadas, mas é suficiente para despertar um sorriso. Se há algo valioso nos jogos LEGO, incluindo em The Force Awakens, é o grande serviço aos fãs que existe.

O grande problema de LEGO Star Wars: The Force Awakens é um lançamento prematuro. O jogo poderia tirar maior partido da saga Star Wars se a Warner Bros. tivesse esperado até ao lançamento do segundo filme, deste modo, até poderiam ser incluídos conteúdos do spinoff Rogue One: A Star Wars Story, que estreará nos cinemas este ano, englobando pelo menos três novos filmes. LEGO Star Wars: The Force Awakens trouxe novas ideias positivas para a série, mas a diversão casual que estes jogos tipicamente oferecem oscila constantemente devido à necessidade de esticar os conteúdos do filme para aumentar a longevidade. Pelo menos, os níveis bónus, que contam partes da história que ficaram fora do filme, compensam um pouco.

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Sobre o Autor
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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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