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Horizon: Forbidden West review - Assim se faz um mundo entusiasmante

Uma sequela ambiciosa.
Eurogamer.pt - Obrigatório crachá
Uma sequela que melhora as fundações do original, com um mundo aberto delicioso de explorar e uma qualidade gráfica inacreditável.

Entre os diversos estúdios da família PlayStation, creio que não há exemplo mais ambicioso do que a Guerrilla Games. Geração após geração, o estúdio holandês continua a esticar os limites daquilo que cremos ser possível - como Killzone 2 na PS3 e Horizon: Zero Dawn na PS4 - e voltaram a fazê-lo com Horizon: Forbidden West. Não é apenas um excelente exemplar de como deve ser um jogo em mundo aberto, é um exercício de como é possível elevar o grafismo da geração actual para outro patamar. A quantidade de detalhe em cada fotograma é surreal, uma autêntica overdose visual que nos deixa perplexos e a questionar que técnicas e programação mágica é que o estúdio fez para alcançar aquilo que temos diante dos nossos olhos. Estive a jogar praticamente todos os dias nas últimas três semanas e, de cada vez que ligo a consola, ainda fico com uma expressão de parvo a olhar para o jogo.

Mas claro, nem só de aparato visual vive um jogo. O parágrafo inicial pode incutir a sensação de tudo o que Horizon: Forbidden West tem para oferecer é uma experiência visual extraordinária. Nada disso, é um dos poucos exemplos actuais em que vais ter vontade de explorar cada metro quadrado do grande mundo aberto. Não é o maior mundo aberto que vais encontrar, e também não é o mais pequeno, o que quero sublinhar é que a Guerrilla Games conseguiu dar um carácter distinto a cada zona, com vários pontos de interesse que valem a pena explorar. É uma filosofia de dar primazia à qualidade, em vez da quantidade. Desbravar terreno neste Oeste Proibido é um prazer, o jogo consegue criar uma vontade genuína de descobrires o que está ali, sem teres aquela sensação de que estás a limpar pontinhos assinalados no mapa.

Não tenho memória de ter parado tantas vezes para tirar fotografias num jogo. A cada cinco minutos, surgia uma paisagem de cortar a respiração. Horizon: Zero Dawn já era um jogo impressionante, mas Forbidden West vai mais longe. Os cenários estão magníficos, misturando dramaticamente a arquitectura da natureza com as estruturas que sobraram dos antepassados. Há zonas do mapa em que esta mistura é mais proeminente, outras nem por isso. A verdade é que, apesar de somar mais de 40 horas, e de ter terminado a história principal, ainda não explorei todos os recantos do mapa, mas tudo o que vi deixou-me deslumbrado.

Que novos elementos há na jogabilidade?

Sendo uma sequela, há naturalmente muitos elementos semelhantes. Horizon: Forbidden West continua a ser um jogo de acção e aventura em mundo aberto em que lutas contra máquinas impressionantes, que assumem formas semelhantes a animais pré-históricos, sobretudo dinossauros. O arco e flecha continuam a ter um papel fundamental na jogabilidade, mas o leque de armas foi expandido. Entre o teu arsenal podes ter agora lança-virotes, uma espécie de metralhadora, um lança-dardos, e uma manopla, que lança retalhadores, uns discos giratórios que ficam a causar dano ao inimigo durante alguns segundos e depois voltam para trás - se os apanhares na trajetória de volta, vão acumulando mais dano, é basicamente uma arma que requer mais habilidade do que as restantes.

O combate com a lança - corpo-a-corpo - também foi melhorado. No primeiro Horizon era bastante rudimentar. Agora há mais combinações disponíveis e foi implementada uma nova mecânica de transferência de energia. Essencialmente, à medida que vais atingindo os adversários, vão acumulando energia em partes do corpo, que depois podes lançar uma flecha para esse sítio e causar uma explosão. Para combater contra as máquinas, continuo a preferir as outras armas, principalmente contra máquinas gigantes, mas o combate com a lança está mais satisfatório do que antes e tem mais possibilidades. Na sequela podes perfeitamente criar uma build para atacar corpo-a-corpo. Em Horizon: Zero Dawn não existia tal coisa.

"Apesar de somar mais de 40 horas, e de ter terminado a história principal, ainda não explorei todos os recantos do mapa"

Encaixando nas evoluções do combate está a nova árvore de habilidades. Quando sobes de nível e completas quests, vais receber pontos de evolução. A árvore está dividida em cinco categorias, cada um explora diferentes facetas da jogabilidade e podes ir dando prioridade ao que é mais importante para ti. Podes apostar mais no stealth ou no combate directo, evoluindo primeiro o combate com a lança ou arco e flecha. Há também uma árvore dedicada ao combate em cima de máquinas e armadilhas. Outra novidade são habilidades que podem ser activadas em combate. Existem várias, mas apenas podes ter uma equipada - os efeitos da habilidade variam bastante, mas seguem a lógica das diferentes facetas da jogabilidade - stealth, arco e flecha, combate com lança, combate com máquinas, armadilhas, e sobrevivência.

Fora do combate, Aloy tem um gancho que pode agarrar a pontos fixos para subir rapidamente estruturas e para puxar por pontos estruturalmente fracos, de forma a abrir passagens. Eventualmente também desbloqueias um escudo de energia que te permite planar no ar. O escudo é útil para descer de pontos altos sem perder vida ou simplesmente para apreciar as impressionantes vistas. A exploração subaquática tem um importante papel na sequela, com Aloy a descobrir um dispositivo que lhe permite respirar debaixo de água. Também podes montar mais máquinas do que primeiro jogo, mas não vou dizer mais nada para não estragar surpresas - o jogo tem muitas.

A história não pára de surpreender até ao fim

Antes que perguntem, a resposta é sim, precisas de jogar o primeiro Horizon para compreenderes os eventos da sequela. A história de Forbidden West começa uns meses depois de Zero Dawn, com Aloy a partir para o Oeste Proibido em busca de uma cópia de Gaia para salvar o planeta de uma praga vermelha que está a matar animais, plantas, e a deixar as máquinas mais agressivas e perigosas do que antes. É uma corrida contra o tempo para impedir que os ecossistemas que sustentam a Terra atinjam um ponto irreversível - não sei se foi intencional por parte da Guerrilla, mas pareceu-me semelhante ao que se passa neste momento com as mudanças climáticas.

Algumas personagens do primeiro jogo como Erend e Varl regressam na sequela e vão ajudar Aloy na sua nova aventura. Outras personagens serão introduzidas à medida que Aloy for explorando o Oeste Proibido. Sylens também está de volta e as suas intenções não são imediatamente claras. A história demora um pouco a arrancar, e nas horas iniciais estamos constrito a uma pequena parte do mapa, mas depois tudo fica muito mais interessante. A história da sequela reserva muitos momentos inesperados e surpreendentes, atingindo picos mais elevados do que o primeiro jogo. Se gostaste do que a Guerrila Games fez antes, vais adorar o que te espera aqui.

Tal como no primeiro jogo, há uma dose considerável de missões secundárias que complementam a narrativa principal. Igualmente, podes descobrir imensas curiosidade e adições valiosas à narrativa fazendo scan aos ficheiros que vais encontrando a explorar. Há algumas fetch quests, em que NPCs te pedem para ir buscar isto ou aquilo, mas também tens várias quests secundárias com construção narrativa. Ainda não completei todos os conteúdos opcionais - porque há realmente uma boa quantidade - mas vontade não falta.

Parque Jurássico 2.0

Se há sensação que me marcou no primeiro Horizon, e que até referi na minha review de 2017, foi a sensação de parque jurássico. Forbidden West traz de novo esse sentimento, fortificado pela adição de ainda mais máquinas. Os confrontos com estes gigantes metálicos continuam a ser o ponto alto da experiência. A satisfação de acertar em cheio num ponto fraco das máquinas é maravilhosa, ainda mais quando vamos arrancando peça-a-peça, vendo a máquina a mudar o seu comportamento de combate conforme perde partes importantes.

O Clawstrider é uma das novas máquinas e costuma andar em grupo. O melhor de tudo é que podes montá-lo!

Há novas máquinas baseadas em cobras, mamutes, velociraptores, hipopótamos, plesiossauro, triceratops e mais. O combate com cada uma destas máquinas requer habituação e conhecimento. As máquinas continuam a ter fraquezas a certos elementos e pontos fracos - há casos em que é realmente difícil acertar neles, seja porque são pequenos ou porque a máquina está sempre em movimento. Existem máquinas mais complicadas do que outras e, por norma, quanto maior a máquina, mais difícil é o confronto. É crucial lutar contra as máquinas e recolher as suas peças se quiseres melhorar o teu equipamento, seja armaduras e armas.

Uma das novidades da sequela, que certamente ajuda nos momentos mais difíceis, são as refeições. É uma mecânica importada de Monster Hunter, em que recolhes plantas e ervas a explorar e depois pedes a um cozinheiro num acampamento para te fazer uma refeição. Dependendo da refeição, recebes um boost temporário em certas estatísticas. A vantagem aqui é que podes guardar a refeição e consumir quando quiseres. Assim, quando vires uma máquina gigante e achares que vais precisar de uma ajudinha, podes encher o estômago e ir mais motivado para o confronto.

Jogar a 4K ou com 60 FPS?

Horizon Forbidden West tem dois modos de imagem: um que te deixa jogar a 4K, mas com corte para 30 FPS; e outro que te deixa jogar a 60 FPS, com um corte na resolução para 2K. Inicialmente experimentei o modo 4K e, francamente, a resolução extra não vale o corte no desempenho. Depois de experimentar os 60 FPS, não há outra forma de jogar, pelo menos para mim. A fluidez é extremamente importante, ainda mais num jogo de acção como Horizon, em que tens constantemente de apontar o arco para alvos em movimento. Apesar da resolução mais baixa, o jogo continua a ser um estrondo visual no modo de 60 FPS.

As paisagens são de cortar a respiração.

Nas definições também podes escolher texto e/ou vozes em português de Portugal. Experimentei jogar tanto em inglês (com as vozes originais) e as vozes portuguesas. Não posso deixar de apreciar o esforço da PlayStation Portugal em dobrar todos os seus jogos para a nossa língua, mas não há nada como as vozes originais. Não é que a dobragem portuguesa seja terrível, nota-se uma grande flutuação de qualidade mediante as personagens. Há vozes que simplesmente não coincidem com a cara das personagens. De qualquer forma, é de louvar a dobragem e esforço da PlayStation Portugal tendo em conta que é um jogo com imensos diálogos e falas.

Um mundo aberto magnífico

Num género tão saturado e que tem vindo a sofrer pela repetitividade das tarefas, Horizon: Forbidden West vem recordar-nos que os jogos em mundo aberto ainda podem ser entusiasmantes, divertidos, e cativantes. Assim se resume a minha experiência no Oeste Proibido. Num jogo tão ambicioso e tecnicamente complexo como este, há pequenas imperfeições, mas nada de grave ou recorrente. São problemas inerentes ao género, como pop-ups ao longe de texturas e objectos, e problemas de streaming - de longe a longe, a imagem fica preta por 1 segundo. A actualização 1.03 (a mais recente) mitigou o problema, mas não o resolveu completamente.

Enquanto sequela, Horizon: Forbidden West entrega praticamente tudo o que queríamos e expande o mundo e a jogabilidade em novas direcções. A exploração subaquática acrescenta uma nova dimensão à exploração do mundo aberto, se bem que ficou a faltar a possibilidade de combater de alguma forma nestes momentos, ficando restritos ao stealth. No resto, a sequela dá um bom e confiante passo em frente e é isso o que se pede de uma continuação. Como segundo jogo numa série, tem mais do que argumentos suficientes para justificar a sua existência. Entrada directa para o pódio de melhores jogos disponíveis na PlayStation 5, não esquecendo claro que existe uma versão PS4 para quem ainda não deu o salto para esta geração de consolas.

Prós: Contras:
  • Um mundo que dá gosto explorar
  • O combate está melhor, com mais possibilidades e personalização
  • As novas máquinas são incríveis e assustadoras
  • Um novo patamar de qualidade visual para os jogos em mundo aberto
  • História surpreendente e cativante
  • Boa quantidade de conteúdos, sem palha
  • Integração do Dualsense dá mais feedback e imersão ao usar as diferentes armas
  • Podes montar uma maior variedade de máquinas
  • Texto e vozes em português de Portugal
  • Pequenos problemas técnicos
  • Ficou a faltar combate subaquático

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Sobre o Autor

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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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