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Sony Inzone H9 - O som é estupendo, mas...

Nem tudo tem a qualidade que deveria ter num headset de 300 euros.

Quanto mais abundância há, mais difícil é a escolha. E não, isto não acontece apenas quando vais estacionar o carro num parque de estacionamento vazio. No mercado de headsets para gaming nunca houve tanta escolha como agora. Existem dezenas de marcas disponíveis, todas elas a renovar a sua linha de produtos todos os anos. Mas então por que razão é tão difícil escolher um headset? Em primeiro lugar, os headsets são cada vez mais parecidos, principalmente dentro da mesma gama de preço. Se procuras um headset de, digamos, até 100 euros, vais reparar que praticamente todos partilham as mesmas funcionalidades. Em segundo lugar, quando vamos abrir os cordões à bolsa, queremos algo que seja o melhor possível, de preferência perfeito ou a roçar lá. A perfeição é difícil de encontrar, há até quem diga que não existe.

Perante um mercado tão competitivo, quando a Sony anunciou que ia criar a nova linha de acessórios Inzone, a reacção imediata foi levantar as sobrancelhas de surpresa. De uma perspectiva de negócio, faz sentido. A Sony tem o ecossistema da PlayStation e o mercado dos acessórios pode ser altamente lucrativo (olhem para a quantidade de dinheiro que a Apple faz com os acessórios oficiais para iPhone). Além disso, ainda que já existisse um headset oficial da PS5, o Pulse 3D, não se equipara com os melhores headsets lançados por marcas reputadas de acessórios como a Razer, Corsair, SteelSeries, HyperX, Turtle Beach, e Astro. O Inzone H9 é a resposta da Sony e a sua aposta no mercado premium de headsets.

O que distingue o Inzone H9 dos outros headsets?

A única coisa que distingue este headset dos restantes é o design, para o bem e para o mal. Desde logo, não é um design que vai agradar a toda a gente. É grandão e claramente as suas linhas estão inspiradas na PS5. Por essa mesma razão, apenas está disponível em branco, que é a cor da consola (ainda que agora possas trocar de cor graças às faceplates oficiais). Colocado em cima da PS5, fica bem e o design faz sentido. Fora deste ecossistema, há headsets com designs mais apelativos.

Nas funcionalidades, o H9 não tem nada que outros headsets não tenham. A ligação ao PC e PS5 é feita através de um dongle USB de 2.4 GHz, mas tem suporte para bluetooth, para que possas ligá-lo ao smartphone e atender chamadas enquanto estás a jogar. Inclui também ANC (Active Noise Cancelling), que aumenta a imersão ao reduzir barulhos indesejados como ventoinhas, ar condicionado, carros a passar, e outros sons de baixa frequência. O microfone não é removível e a função de activar e desactivar está associada à sua posição: quando está voltado para cima, está desactivado; quando o puxas para baixo, fica activado.

Que tal é a qualidade do som?

A qualidade sonora é o melhor que o H9 tem para oferecer. A Sony usou a sua elevada experiência nos auriculares de música para criar um headset que consegue reproduzir os mais ínfimos sons. O truque está no diafragma de cada auricular, que tem uma forma única para reproduzir sons de alta frequência sem distorção e sons de baixa frequência com grande nitidez. A experiência nos jogos da PS5 é magnífica, consegui ouvir todos as camadas sonoras com uma distinção superior a outros headsets testados.

O diafragma do Inzone H9 tem outra qualidade de destacar, a sua adaptabilidade. Inicialmente achei que, apesar da qualidade sonora, lhe faltava capacidade para transmitir graves poderosos. Isto foi porque ainda não tinha encontrado o conteúdo adequado. Iniciei uma demo Dolby Atmos com uma perseguição de carros e até estremeci com as explosões e roncar dos motores. O headset está afinado para só transmitir graves fortes e bass quando esses elementos estão presentes no áudio do conteúdo. No que toca a fidelidade de áudio, este é um dos melhores headsets que podes encontrar.

É confortável?

O conforto é um dos pontos fortes do headset. É leve e tem um design ergonómico, que ajuda a aliviar a pressão nas têmporas. Surpreendentemente, não é exageradamente abafado. Tem feito um calor infernal por todo o país... estava à espera de começar a escorregar água pela cabeça, o que não aconteceu (depois de uma hora com o headset na cabeça, as almofadas tinham uma ligeira humidade). Outro ponto positivo é que permanece confortável mesmo para quem usa óculos.

Quais são os seus pontos fracos?

Para um headset premium, há debilidades indesculpáveis na construção. Refiro-me especificamente à banda da cabeça que une os dois earcups, feita em plástico. É o mesmo plástico utilizado no revestimento dos earcups, mas esta é uma zona de constante stress no headset, devido à necessidade de alargar para "abraçar" a cabeça do utilizador. O plástico não é o melhor material para esta zona, porque eventualmente poderá acabar por ceder. Idealmente, deveria ter sido usada uma banda de alumínio ou outro metal leve com maleabilidade e resistência.

O microfone não é capaz de anular ruídos indesejados de fundo e, quando está activado, ou seja, para baixo, transmite sempre o som captado para os earcups (não descobri forma de desactivar isto). Mesmo que tenhas o ANC activado, se tiveres algum ruído indesejado à tua volta, como uma ventoinha apontada para ti, vais ouvir o som do vento através da captação do microfone (e também acaba por ser frustrante para os teus amigos e companheiros de equipa, ouvir o vento a bater no microfone). Não está bem pensado.

Inzone H9 review - A perfeição não existe

Portanto, voltando ao tópico inicial, será que o Inzone H9 é perfeito? Se leste a review até aqui, sabes que não. A banda elástica de plástico para a cabeça parece-me um ponto de fragilidade na construção, inadmissível num headset que tem o preço oficial de 300 euros. Este tipo de compromissos não podem existir num produto premium. A questão do microfone que não anula ruídos indesejados e os transmite para o áudio do utilizador, talvez possa ser corrigido por uma actualização de firmware.

Apesar da elevada experiência de áudio, o preço está um pouco exagerado. É possível comprar os auriculares Sony WH1000XM4, considerados com um dos melhores do mercado, por pouco mais de 200 euros, o problema é a falta de compatibilidade bluetooth da PS5. Estando perfeitamente consciente disto, a Sony tem a "faca e o queijo" na mão para estabelecer um preço mais elevado para este headset. É certo que não é o headset mais caro do mercado (tanto a SteelSeries como a Astro tem modelos mais caros), mas por 300 euros, o H9 precisava de ir um pouco mais além.

Prós: Contras:
  • Qualidade sonora suprema, prepara-te para ouvir todas as camadas sonoras de filmes, jogos e música
  • São leves, confortáveis e pouco abafados
  • Design que combina na perfeição com a PS5
  • O ANC reduz eficazmente barulhos e aumenta a imersão
  • Facilidade para atender chamadas graças ao Bluetooth
  • Tem botões para controlar todos as definições, incluindo o volume do jogo e chat
  • O preço está um pouco acima do ideal
  • O plástico na banda da cabeça é preocupante
  • O microfone não anula ruídos indesejados de fundo

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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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