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Halo Infinite Campanha review - Mundo aberto com jogabilidade excecional

De gancho em punho.
Eurogamer.pt - Recomendado crachá
A 343 consegue uma adaptação modesta ao mundo aberto com modificações excecionais na jogabilidade. Halo regressa em boa forma.

Desde já queremos agradecer à GamingReplay por nos ter enviado uma cópia de Halo Infinite para a Xbox Series X|S.

A reta final de 2021 traz até nós um dos grandes momentos, a chegada de Halo Infinite, após seis anos penosos de espera desde o lançamento de Halo 5: Guardians. Um longo caminho, com obstáculos a serem ultrapassados, culminando agora num lançamento que poderia ter sido catastrófico se tivesse acontecido há um ano atrás. O vídeo gameplay revelado em julho de 2020 mostrou várias lacunas, principalmente a nível visual, levando a Microsoft a interceder e forçar a 343 a trabalho extra por mais um ano. O adiamento foi de facto um dos pontos mais importantes no processo de desenvolvimento, a gigante norte-americana absorveu todo o feedback da comunidade e concordou que o trabalho apresentado não se ajustava aos seus padrões de qualidade, e em boa hora que essa deliberação foi tomada.

Chega então finalmente às mãos de todos os jogadores, possuidores de uma consola Xbox ou PC, um dos "dinossauros" desta indústria. É uma das bandeiras da marca, uma franquia crucial para o portefólio de todo o ecossistema Xbox, que agora vai perdendo essa terminologia no PC. Não imaginamos a Xbox sem Halo, e esta nova incursão demonstra que faz falta e, fundamentalmente, que esteja em boa forma. Aqui vamos analisar apenas a campanha, sendo que o promissor multijogador free-to-play já teve um artigo em separado.

Os eventos abordados nesta nova narrativa colocam-nos um ano após as ocorrências de Halo 5: Guardians, Master Chief, John-117, é derrotado por Atriox que o lança para o espaço, pensando este que seria o fim da lenda. Como já é do conhecimento de todos, mostrado vezes sem conta em vídeos antes do lançamento, John é encontrado seis meses após a destruição da Infinity, por um personagem comum, Echo 216, encontrando-se este a vaguear pelo espaço a bordo da Pelican com a esperança de um dia regressar a casa. É este o ponto de partida, John tem de se situar no tempo e espaço, saber o que poderá fazer para salvar tudo e todos. Master Chief procura assim respostas em Zeta Halo, com a presença constante de Cortana na sua memória, fragmentos do passado e sussurros que o atormentam, transmitindo uma relação íntima entre os dois.

"presença constante de Cortana na sua memória, fragmentos do passado e sussurros que o atormentam, transmitindo uma relação íntima entre os dois"

A nossa demanda é derrotar Atriox, líder dos Banished e seus aliados. Nesta caminhada, na busca por respostas, Master Chief confunde o objetivo global com uma tormenta interna, sempre ligada a Cortana. Nesta busca desenfreada encontra uma arma, Weapon, uma nova inteligência artificial com as mesmas singularidades de Cortana. Voltamos a ser um duo, com forte ligação e complementaridades, causando em determinados momentos uma inconfundível associação a Cortana. São duas narrativas simultâneas que se alinham e convergem para um final coincidente. Uma base sólida com argumentos interessantes, mas com uma execução e progressão um tanto rebuscada e repetitiva na sua transmissão. Muitos dos avanços são construídos pelos recorrentes diálogos entre Weapon e Master Chief, tornando o acompanhamento da narrativa aborrecido. Se nos propusermos a ultrapassar e aceitar esta forma condutora, que já tinha sido explorada no passado, submergimos numa profunda ligação sentimental de John a Cortana, aqui explorada de forma inteligente ao ponto de eu querer mais com a esperança que voltem a reunir-se.

Estão criadas as bases narrativas para a nossa presença em Zeta Halo, sustentada por uma jogabilidade deveras glorificante. As primeiras missões fazem a ligação ao mundo aberto trazido pela 343, que reconheço ser algo que a série poderia necessitar para dar o próximo passo. As missões no interior relembram-me de certa forma Horizon Zero Dawn e suas incursões pelos seus Caldeirões, com a transição do mundo aberto para áreas interiores.

As sustentações de todas as particularidades da franquia são abordadas de forma muito eficaz por parte da 343, no conceito de uma construção de mecânicas jogáveis de alto gabarito. É aqui que realmente brilha Halo Infinite, numa jogabilidade que supera qualquer uma das anteriores apostas. Para sustentar ainda mais esta evolução, voltei a Halo 5, a diferença é descomunal em todos os aspetos técnicos jogáveis. A fluidez de movimento, o manuseamento das armas, o HUD simplificado e, principalmente, a incorporação de habilidades, upgrades se preferirem, que nos tornam realmente superiores, dão finalmente aquele estatuto suplementar, assumido por todos, a Master Chief.

"não existe grande esforço na construção dos alicerces que sustentam o mundo-aberto, é uma colagem obvia de um formato já estabelecido ao universo Halo"

As missões nas porções internas são obviamente lineares, com pequenas derivações para execução de tarefas essenciais à progressão. Já no mundo exterior, a abordagem é clonada de outras paragens. Temos um mundo aberto recheado de escolhas, desde conquista de pontos estratégicos, eliminação de alvos importantes e até a opção de fazer viagens rápidas. Todas as ações secundárias dão recompensas, sendo as mais importantes as que permitem encontrar Spartan Cores fundamentais para evoluir as nossas habilidades, adquiridas à medida que avançamos na narrativa. Esta combinação entre mundo aberto e suas missões rotineiras ligadas a um formato mais tradicional, resulta num elemento interessante que poderia ser ainda melhor, com a elaboração de tarefas mais profundas, mas principalmente mais originais. Não existe grande esforço na construção dos alicerces que sustentam o mundo-aberto, é uma colagem obvia de um formato já estabelecido ao universo Halo.

O grande feito da 343 está sem margem para qualquer dúvida na fantástica jogabilidade, quase coloca a narrativa para segundo plano, e num patamar bem mais baixo o aspeto visual, sobretudo no exterior. A sustentação de todos os mecanismos jogáveis é de facto sublime, dá um prazer imensurável executar todas as ações permitidas pelos upgrades. Se inicialmente essa sensação não está logo patente, é com a aquisição desses mesmos upgrades que nos vamos rendendo à forma estimulante como nos movimentamos pelo cenário. De todos destaco o gancho, considero que seja a mecânica que revoluciona a forma como iremos encarar toda a jogabilidade na série a partir deste momento. Este permite chegar a locais anteriormente inanalisáveis, mas principalmente modifica toda a nossa movimentação em combate. São saltos de um aldo para o outro, lançando granadas ou disparando enquanto voamos, num gunplay delicioso complementado por todos os outros upgrades, resultando numa dança perfeitamente coreografada. Master Chief é agora uma autêntica máquina de guerra no seu estado mais evoluído.

Todos os upgrades possuem diversos estágios evolutivos, desbloqueados com os Spartan Cores. São realmente estes upgrades que transfiguram as mecânicas do gunplay, fazendo esquecer os jogos do passado impulsionando esta vertente tão importante num videojogo num patamar elevadíssimo, coloca a fasquia bem alta. É o apogeu da série, que resulta de forma sublime para uma nova visão de todo o universo da franquia.

Mas nem tudo é perfeito em termos de jogabilidade, principalmente a condução dos veículos. Aqui as leis da física parecem estar ausentes, principalmente nos que possuem rodas. Sempre que se percorre terreno mais irregular, a respostas destes é deveras estranha, com momentos até constrangedores. Existe a sensação que estamos a controlar balões a descer uma colina, muito salientada pela ausência de vibração no comando quando os conduzimos. Nos veículos temos somente vibração quando disparamos ou quando sofremos dano, não existe feedback das irregularidades dos terrenos mais acidentados.

"gunplay delicioso complementado por todos os outros upgrades, resultando numa dança perfeitamente coreografada"

Um trabalho desta envergadura não é e nunca será desprovido de questões inquietantes. Como exemplo, a certo ponto da história obtive o Drop Wall, logo de seguida tive que terminar a seção pois tinha outras tarefas a fazer, quando volto ao jogo o checkpoint mais próximo era antes de obter o Drop Wall, mas para minha surpresa já o tinha em minha posse. Um problema que facilmente pode ser corrigido, mas que denota uma certa falta de polimento e teste profundo antes do lançamento.

Já referenciado, o adiamento, foi muito devido ao grafismo apresentado no infame vídeo gameplay. A 343 teve um ano extra para mitigar essa questão, melhorando ao máximo o que o motor de jogo permitisse. Realmente temos significativas melhorias, principalmente a nível dos personagens, com maior detalhe de determinados personagens e texturas mais condizentes com o estado da tecnologia atual. Obviamente que nem tudo é atingido, temos uma enorme disparidade entre os interiores e o mundo-aberto. A apresentação é de uma fantástica execução nas partes mais fechadas, principalmente nas missões da história aí conduzidas, mas o mesmo não posso afirmar da parte exterior de Zeta Halo. Existe um enorme decréscimo em qualidade visual no exterior, pouco compatível com as capacidades de uma máquina como a Xbox Series X, e até mesmo de um bom PC. Zeta Halo merecia mais.

Já na parte sonora, a sua execução é excecional. Desde o tema original a provocar arrepios, passando pela banda sonora da série que nos faz viajar até universos de ficção científica, que eu particularmente sou apaixonado. Tomara que esta execução fosse absorvida pela concretização visual na sua totalidade, mas fica aqui a nota devida para um trabalho merecedor de ser mencionado e fortemente evidenciado.

"na parte sonora, a sua execução é excecional. Desde o tema original a provocar arrepios, passando pela banda sonora da série que nos faz viajar até universos de ficção científica"

A 343 conseguiu desenvolver em mim sensibilidades diversas, representativas de um processo de produção conturbado e que não foi pautado por uniformidade. Alcança um produto capaz de cativar e absorver, com um desenvolvimento sensacional de mecânicas de jogabilidade sustentadoras de uma narrativa envolvente que nos vai conquistando, com a uma reta final vertiginosamente empolgante e até sentimental. Sem ter aquele impacto extraordinário a nível visual, tem os seus momentos de beleza singular. Observar Zeta Halo no cimo de uma montanha e olhar em redor, dá para fazer o enquadramento perfeito de uma paisagem significativamente deslumbrante.

Esta poderá ser a construção dos alicerces para o que se avizinha num futuro próximo nas próximas abordagens ao universo Halo, pelo menos relativamente à linha principal. É uma base sólida que dá certezas de um futuro promissor, com a implementação de melhorias, principalmente visuais. Terminar com vontade de continuar a jogar, está tudo dito. Dar continuidade a nossa estadia e a este mundo aberto para visitar cada recando, mais que não seja para evoluir os nossos upgrades ou até partir para a conquista de cada ponto do mapa. Halo está em boa forma e recomenda-se.

Prós: Contras:
  • Excecional jogabilidade
  • Visuais interiores de alto gabarito
  • Ligação muito emocional de John a Cortana
  • Mecânicas melhoradas pelos upgrades
  • Banda sonora sublime
  • Mundo aberto um pouco limitado
  • No geral, visualmente não é arrebatador
  • Não podemos repetir as missões da história
  • Condução desajeitada dos veículos

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Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

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