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Grand Theft Auto III - Memórias de uma revolução

O jogo que mudou uma indústria e uma geração de jogadores.

Antes do incrível sucesso de Grand Theft Auto Online, antes da possibilidade de alternar entre três protagonistas em Grand Theft Auto V, antes de Niko Bellic revolucionar a anterior geração de consolas, antes de San Andreas ou Vice City levarem os jogadores ao delírio, a Rockstar Games conquistou as luzes da ribalta com Grand Theft Auto III. Este fenomenal título que para sempre mudou a indústria, foi lançado a 22 de Outubro de 2001 e não podíamos deixar de lhe prestar homenagem. Será difícil encontrar alguém com mais de 20 anos que não tenha uma qualquer memória de GTA3 e da sua Liberty City, um clássico que moldou a geração que cresceu com a PlayStation 2 da Sony, e que não mais conseguiu esquecer uma história de sangue e mafiosos.

Até mesmo na versão Windows, lançada um ano mais tarde e recebida com o mesmo fenomenal apreço pelos jogadores e crítica especializada, é fácil encontrar memórias surpreendentes. Numa altura em que, tal como hoje, os jogadores PC se gabavam de equipamento mais poderoso que infelizmente não recebia os mesmos jogos que as consolas, GTA3 foi lançado com melhorias gráficas que prometiam uma imersão ainda maior em Liberty City. Quantos de vocês não correram o jogo num PC simplesmente mal preparado para o receber, e não se importaram se jogar aos soluços? GTA3 é "o jogo", aquele lançamento que todos queriam jogar, que um qualquer amigo comprou, e que todos tinham de ver. Mais do que uma moda ou uma sensação, Grand Theft Auto III marcou toda uma indústria, definiu uma geração de jogadores e traçou o caminho da Rockstar Games para o estrelato. Onde ficou até aos dias de hoje.

É fácil olhar para GTA 3 e perceber porque tomou de assalto esta indústria. Enquanto o primeiro GTA, GTA London e GTA 2 eram meras curiosidades, com a sua perspectiva aérea, somente com a passagem para a perspectiva na terceira pessoa e a liberdade total de acções dentro de um mundo virtual é que permitiram à Rockstar expressar todo o seu estilo e visão. Foi uma espécie de declaração de intenção por parte de um colectivo de criadores, que sabia o potencial desta indústria. Grand Theft Auto 3 foi ambicioso, foi arrojado, foi incorrecto, sem esquecer a sua linguagem inapropriada, mas mais importante que isso tudo, foi credível e deu a adolescentes em todo o mundo a sensação de estarem mesmo em Nova Iorque. Aquela cidade que viam constantemente nos filmes, estava ali à sua mercê, finalmente.

"Liberty City oferecia exactamente o que o seu nome sugeria, uma liberdade sem precedentes e a sensação de um mundo credível."

Claro que a ideia de um recreio virtual 3D para adultos, graças aos elementos mais ousados ou à facilidade com que podiam exercer comportamentos violentos (como matar pessoas em plena rua ou roubar carros) era simplesmente irresistível, e tudo estava tão bem feito que o impossível era não ficarmos impressionados. Para muitos, as conversas na escola rapidamente tornaram-se num "Já jogaste GTA3?" para um "Já fizeste isto em GTA3?", e a sensação era mesmo essa, a de um mundo infinito de possibilidades do qual não conseguíamos ficar saturados. As sequelas subiram incrivelmente a parada e tornaram tudo ainda mais "real", credível e ambicioso (de jogo para jogo a escala ia crescendo), mas tudo começou aqui. Foi assim que nos apaixonámos por Grand Theft Auto.

Numa altura em que a indústria estava demasiado ocupada a tratar-nos como eternas crianças, a Rockstar destacou-se ao apresentar um jogo de tons altamente controversos sim, mas com camadas suficientes para abranger diversos tipos de pessoas. A possibilidade de caminhar livremente pela cidade, a história repleta de mafiosos, as missões que o jogador era obrigado a cumprir, as recompensas em dinheiro que nos permitiam comprar novos carros e armas, as fugas à polícia, as rádios com as suas músicas, slogans e Talk Shows inacreditáveis, Grand Theft Auto 3 foi um jogo sério, mas que nunca se esqueceu de ser um jogo.

Especialmente na forma como transportava o jogador para o mundo de jogo. Se não quisesse fazer missões ou se estivesse simplesmente com vontade de explorar, o jogador podia perder-se em Liberty City, caminhar e escutar a cidade, ouvir uma música. Se quisesse, podia perseguir pessoas, causar o caos, fosse o que quisesse. Passear por uma espécie de Nova Iorque fictícia consoante o nevoeiro se vai instalando e o ciclo dia e noite entra em acção era simplesmente precioso. Claro que podiam simplesmente roubar o carro exótico que não podia comprar e enganar a polícia simplesmente mudando a cor do mesmo. As regras existiam, tal como os limites, mas a escala era tão incrível que parecia ser possível fazer tudo.

Claro que Grand Theft Auto também se tornou numa espécie de referência em termos de sátira à sociedade Norte Americana (a própria banda sonora foi descrita como um retrato iconoclasta da América do Norte), e até ao submundo do crime. Também foi valiosa essa sensação de acedermos a um mundo e de executarmos acções que jamais teríamos desejo ou coragem de fazer na vida real. Era uma espécie de inteligente e cómica perspectiva sobre todo um país que se diz ser superior a todos os outros, embrulhado num gameplay que permite aos meninos fingir que são homens.

"Actualmente existem diversas formas de honrar o clássico, até nos dispositivos mobile."

Passados 15 anos, e todo um incrível legado que ainda perdura, sem esquecer os mais de 17 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, Grand Theft Auto 3 continua a fazer com que muitos fãs regressem a Liberty City. Com a celebração dos seus 10 anos de existência, foram lançadas novas versões para dispositivos mobile, e também nas consolas de nova geração é possível adquirir a versão PlayStation 2 do clássico, neste caso para a PlayStation 4. A Rockstar Games não deixa que um título desta natureza, que marcou tão vincadamente esta nossa indústria, seja esquecido, e os fãs também não.

Ainda hoje os jogadores pensam em voltar a Liberty City, em ver uma versão melhorada dessa cidade que os mudou por completo, pelo menos enquanto jogadores. Os rumores sugerem que a cidade poderá ser adicionada a Grand Theft Auto Online no futuro, mas nada que tenha sido ainda confirmado oficialmente. Apesar disto, existem várias formas de aceder a Grand Theft Auto III actualmente, em diferentes plataformas e até no mobile, por isso é apenas uma questão de como o querem fazer.

Se estiverem interessados em conhecer o clássico, ou até em o revisitar, existem algumas formas para o fazerem. Claro que se tiverem a versão original da PlayStation 2 aí por casa, essa será a forma mais nostálgica de regressarem a Liberty City:

Grand Theft Auto III foi descrito pelos seus criadores como uma combinação entre The Legend of Zelda e o filme "Tudo Bons Rapazes", uma mescla de inspirações, que foi buscar ideias a filmes e séries televisivas, sem esquecer as referências no mundo dos videojogos, para ampliar o seu alcance e conseguir um gameplay divertido. A progressão por ilhas que relembravam panorâmicas de vários filmes, o tom do jogo e acima de tudo a autenticidade que Grand Theft Auto III apresentou, provaram ser uma combinação espectacular. Claro todo o envolvimento e imersão na cidade só foram possíveis graças à já referida perspectiva na terceira pessoa, mas acima de tudo fica a ideia que a firmeza que a equipa conseguiu para todos os diferentes factores, resultaram num título lendário.

Grand Theft Auto tornou-se numa das séries mais relevantes da indústria dos videojogos, é responsável pelo jogo com mais unidades vendidas na história, Grand Theft Auto V, e a sua popularidade rivaliza com as principais referências em todo o tipo de meios de entretenimento, seja no cinema, na música ou na televisão. Basta olhar para a reacção da internet e de toda a indústria ao anúncio recente de Red Dead Redemption 2 para perceber que a Rockstar está numa categoria só dela. Não há nada que se possa comparar e são o mais próximo que temos de super estrelas.

Esse legado criado por Grand Theft Auto III é tão impressionante quanto as suas qualidades, e se pensarmos que um ano depois estaríamos a jogar Grand Theft Auto: Vice City, então ainda ficamos mais espantados.

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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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