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Fire Emblem Fates e a magia de um classico

Simplicidade que esconde profundidade.

No passado dia 20 de Maio, a Nintendo entregou à sua Nintendo 3DS um dos mais fascinantes títulos que alguma vez tiveram a oportunidade de agraciar o seu catálogo: Fire Emblem Fates. Numa plataforma repleta de referências, não é fácil chegar e tornar-se desde logo num dos seus melhores títulos mas foi precisamente o que este novo jogo conseguiu. Com todas as qualidades para figurar com um clássico da plataforma, recordado com encanto daqui a uns anos, Fates constrói sobre o que foi feito em Awakening e entrega uma proposta deveras ambiciosa.

Fates agarra o jogador com relativa facilidade, o seu enredo e sistema de batalha complexos e muito bem desenvolvidos, permitem que o jogador fique fascinado por estes dois importantes elementos. Toda a premissa de conhecer dois lados diferentes de uma guerra, inevitavelmente com mais ligações do que seria de prever inicialmente, é algo que raramente vemos nos videojogos e Fates faz isto com enorme graciosidade. Talvez seja uma boa forma de explicar o fascínio que o jogo acaba por exercer sobre o jogador, o quão importantes serão as decisões que tomamos e o tempo que ficamos a olhar para o ecrã, a ponderar com estranha seriedade o destino de meros pixels.

Esta nova produção do estúdio Intelligent Systems em colaboração com a Nintendo, começa com o jogador bem no meio de um confronto entre O estranho reino de Nhor e a honrada nação de Hoshido. Caberá a cada um, no papel de Corrin, decidir onde está o seu coração mas como seria de esperar, o justo nem sempre é o caminho mais fácil de seguir. Tramas políticas e sociais rapidamente surgem envoltas num drama pessoal que o jogador acompanha enquanto conhece dois reinos totalmente distintos.

Corrin é verdadeiramente um inocente a quem foi dado um papel de destaque num confronto para o qual não está minimamente preparado. O destino ditou cruelmente que a sua segregada e pacata vida sofreria uma reviravolta capaz de abalar o seu frágil mundo. O jogador terá que tomar uma decisão que afecta todo o restante jogo e escolher um dos lados a quem jurar fidelidade. A forma como a história está preparada, sempre com a sensação que há algo mais do que nos é dito, e a forma encontrada para que Corrin tenha uma ligação aos dois reinos é deveras inteligente e oportuna.

Existem dois reinos em conflito e muita coisa que teremos de descobrir

Ao longo dos vários capítulos, enquanto vai assistindo ao desenrolar da inevitavelmente trágica narrativa ou enquanto vai gerindo a sua base de operações, povoada pelos soldados que vamos recrutando e pelos edifícios que vamos erguendo, o jogador entrará em impiedosas e fantásticas batalhas ao estilo JRPG de estratégia que vão deixá-lo perto de um esgotamento. Especialmente danoso para os nervos de quem ousou activar a opção que os personagens morrem a valer se tombarem a meio de uma batalha.

Repleto de personagens interessantes, caricatas ou declaradamente estranhas (e isto falando de um jogo desprovido da grande maioria das insinuações sexuais que estavam presentes na versão Japonesa), Fire Emblem Fates tem a capacidade para nos apresentar personalidades curiosas que ficam connosco. Assim sendo, quando vemos uma a tombar numa batalha sabendo que o adeus é definitivo, é um conceito avassalador. Não activei esta opção pois não me sentia preparado para a sobrecarga emocional que exerceria sobre mim mesmo perante a dificuldade da experiência.

Fates é intenso e poderá devastar o jogador de um momento para o outro. As batalhas não se coíbem de desafiar o jogador e além de vários elementos nos cenários introduzirem elementos adicionais a respeitar, a solidez com que cada confronto está preparado, é um atestado ao brilhantismo desta série. A sensação que a dificuldade é superior ao que conseguimos para depois encontrar formas de aproveitar as mecânicas e funcionalidades a nosso favor, as diferentes classes ou armas e como cada uma prevalece sobre outra específica, fazem com que o jogo seja intenso e divertido.

Quase como se fosse uma espécie de "papel, pedra e tesoura", o jogador tem que respeitar diversos parâmetros, tem que criar parcerias para proteger personagens principais, tem que pensar cuidadosamente nos seus passos e acima de tudo tem que prever o que poderá acontecer em seguida para reagir antecipadamente. A forma com o jogo nos agarra e conquista o nosso respeito é um dos seus principais elementos.

Depois de referências como Final Fantasy Tactics ou Tactics Ogre: Let Us Cling Together, poderei com todo o gosto acrescentar mais um título à lista: Fire Emblem Fates. O mais recente título na série exclusiva da Nintendo 3DS, que tanta atenção recebeu na altura do lançamento de Fire Emblem Awakening, também na Nintendo 3DS, é um autêntico prazer que dá gosto ter como companhia seja onde quer que o jogador esteja.

Nesta primeira metade de 2016, é sem dúvida um dos meus títulos favoritos e sei que qualquer um que seja adepto dos SJRPGs, terá aqui uma excelente proposta. O mundo de jogo, s personagens de Nhor e Hoshido, o sistema de batalha e a impiedosa sensação que temos sempre que pensar mais e melhor, e acima de tudo aquela sensação de respeito pelo jogo, são méritos que a equipa conseguiu conquistar. Existem jogos que adquirem o nosso respeito pela robustez da sua experiência e pela forma como o jogador é continuadamente convidado a melhorar.

Fire Emblem Fates é um deles e a possibilidade de recomeçar para conhecer o outro lado da guerra é fascinante. É uma ideia ambiciosa que foi realizada com elevada qualidade numa plataforma de excelência.

Sobre o Autor

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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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