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EyePet

Bicho feio.

Eyepet nunca foi e nunca será um simulador de um protótipo animal de estimação. É mais um recreio onde se pode despender alguns minutos de diversão insana, seja sozinho ou na companhia dos mais novos. Mais sozinho do que com os mais novos. O seu visual é bastante atractivo para a criançada, não nego, as tarefas apresentadas é que são por vezes desinteressantes ou inacessíveis a um público que se quer mais novo.

Portanto, como bom samaritano que sou, tive o cuidado de deixar esta análise a cargo da minha irmã. Queria uma companhia para passar um fim-de-semana em família mas acabei apinhado com um cartão de plástico na mão e a fazer figuras questionáveis em frente da consola. Não é que Eyepet não consiga apelar a um público infantil, o problema é que depois de uma euforia inicial existe uma enorme dificuldade em agarrar os mais novos ao dar-lhes motivos para voltarem por mais.

O Eyepet nasce de um ovo – é óbvio que um animal que anda como um cão, tem aspecto de macaco e canta como um gato teria que nascer de ovo, - e desde a primeira comoção com o dito bicho irão conhecer o Doutor que vos ensinará tudo sobre Eyepets. Todos os tutoriais e informações úteis são assim apresentados de uma forma bastante amigável e ilustrativa por esta personagem. De notar o facto de todas as falas e menus estarem localizados em português, algo quase imperativo para o tipo de jogo.

Acabei de nascer.

Dar uma festa ou um pontapé no Eyepet é algo engraçado da mesma forma que tomar-lhe banho e vê-lo a fugir do chuveiro o é, da primeira vez que o fazem pelo menos. O grande problema aqui é que depois de uma primeira vez tudo voltará a ser igual vezes e vezes sem conta. O banho ocorre sempre da mesma forma e o mesmo acontece com as reacções obtidas ao dar-lhe festas. Não há de forma alguma uma progressão ou sequer uma simulação mais do que exigida para aquilo a que o jogo se propõe.

Mas como uma forma inata de buscar objectivos capazes de entreter por breves instantes Eyepet consegue servir simplesmente porque oferece uma diversidade considerável de objectivos. Não cinge o jogador a fazer sempre o mesmo de forma a farta-se. Existem tarefas para pescar, plantar flores, jogar Bowling, fazer bolhas de sabão ou ainda cantar. As missões que envolvem cantar são ridículas e totalmente desinteressantes seja para qual for o público-alvo. Salvam-se as actividades que envolvem desenhar. Acaba por ser um momento realmente único poder desenhar um avião ou um carro e controlá-lo posteriormente.

Mas mesmo nisto não é perfeito. Em primeiro lugar existem graves problemas a nível de interacção ou mesmo na captação de luz. Ainda hoje penso que, se calhar, o jogo só poderia ser aproveitado ao máximo caso levasse o arsenal de entretenimento caseiro para a rua, e mesmo assim duvido que tal funcionasse num dia nublado. O cartão que vem incluído no jogo também não ajuda em nada. Está tudo demasiado datado. É uma tecnologia velha e que ainda por cima já vi funcionar melhor. É ridículo utilizar um cartão para simular objectos, quando nas alturas em que realmente se sentem enquadrados no jogo este desaparece por estar mal focado na câmara.

O jogo também não é muito grande. Existe um total de 15 dias para percorrer, cada qual com 4 tarefas, sendo uma delas dedicada a fotografar o Eyepet com as mais diversas imposições – uma foto do Eyepet com uma borboleta no nariz, por exemplo. Mas uma vez acabado não existe qualquer interesse em voltar a tocar-lhe pois, como disse, Eyepet está longe de simular um animal de estimação com necessidades “reais”. Podem até levar o Eyepet ao médico através de relatórios diários de modo a ver o seu estado. Poderão precisar de lhe tomar banho, alimentar ou fazer exercício através do menu de cuidados.

O que temos que fazer para nos divertir.

De forma a captar o jogador e mantê-lo por perto são constantemente oferecidos novos brinquedos ou roupas bastante variadas. Personalizar o boneco à vossa maneira é algo possível e bem realizado. O sistema de personalização é bastante completo e é sempre divertido ver o boneco vestido de formas extravagantes. É possível tirar fotografias ao Eyepet ou captar vídeos que podem ser posteriormente enviados para o mundo Online. De louvar o facto de o jogo ter recebido pacotes de roupas grátis semanalmente desde o dia do seu lançamento.

Depois de jogar e analisar a reacção dos mais novos perante este sistema tornou-se fácil perceber que, para além dos problemas técnicos por vezes presenciados, a maior dificuldade de Eyepet em fascinar os mais novos é que este é um jogo feito de primeiros momentos. É divertido e original numa primeira comoção mas torna-se rapidamente velho – mesmo isso sendo o mal de qualquer brinquedo. As reacções obtidas por parte do Eyepet são sempre as mesmas e isso é uma grande falha no propósito do jogo.

Se por um lado Eyepet consegue, por vezes, divertir se for levado como um recreio de actividades, por outro, como um simulador de um suposto animal de estimação vale zero. Tudo é demasiado mecanizado. O Eyepet não reconhece de forma alguma o jogador, não existe uma progressão no seu crescimento e a interacção jogo-jogador é bastante questionável. Ficam para reter algumas ideias originais que num grupo de amigos ou em família são capazes de criar chacota.

6 / 10

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Ricardo Madeira

Contributor

É redator e dá voz à Eurogamer Portugal. É um dos mais antigos membros da equipa, e ao mesmo tempo um dos mais novos. Confusos? É simples.

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