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Evil West - diversão série B

Ação linear de sabor arcada com cowboys
Evil West é o equivalente a um filme série B, com uma qualidade visual fraca e cujo orçamento trai as ambições. No entanto, o gameplay arcada é muito divertido e a temática de cowboys contra vampiros e monstros resulta em algo inesperadamente atrativo.

Evil West é uma proposta decididamente bizarra. O trabalho da polaca Flying Wild Hog é básico, visualmente fraquíssimo (parece um jogo PS3/Xbox 360), com um enredo tonto, copia praticamente tudo o que faz (desde estrutura, mecânicas e até animações), mas é inegável que existe charme numa espécie de "filme série B" sobre cowboys a perseguir vampiros e monstros.

Conhecida pela série Shadow Warrior, a Flying Wild Hog decidiu apostar em mais uma nova propriedade intelectual, e se tiveres em conta que eles são conhecidos pela ação divertida de cérebro desligado, tem importantes ingredientes para fazer de Evil West mais um nome de referência no seu trajeto.

Evil West é um jogo de ação e tiros na terceira pessoa, no qual jogas com Jesse Rentier, caçador de vampiros nos anos 1900. Ele trabalha numa organização construída pelo seu pai, a última esperança do governo dos Estados Unidos na luta contra o mal. Evil West é um daqueles jogos bizarros, de qualidade duvidosa e que nem imaginarias que fosse resultar, mas a execução é tão bizarra quanto a premissa.

Este é o equivalente a um filme série B, desde os visuais medíocres e sem nada digno de menção. O design dos monstros é primários, é repetitivo, os níveis básicos e lineares, e graficamente a roçar o feio com texturas da era PS3, se me permites a expressão. Os diálogos vão-te deixar a encorrilhar a sobrancelha e as situações previsíveis. No entanto, o gameplay é divertido, mesmo que copie muito de outros jogos.

Estruturado por níveis totalmente lineares, nos quais ocasionalmente encontras dinheiro ou colecionáveis se te apetecer olhar para os lados e nem sempre para a frente, Evil West parece quase uma espécie de God of War 2018 com um cowboy num gameplay de tom mais arcada. Imagina um cruzamento entre God of War de 2018 e um daqueles beat'em ups 3D da era de ouro da Sega.

Ao longo dos 16 níveis (dura cerca de 10 horas), encontrarás vampiros, lobisomens e outros monstros de forma repetitiva, mas o gameplay de combate é frenético e divertido, apesar de simples. Quase uma espécie de homenagem a God of War (até algumas animações parecem fotocópia), a Flying Wild Hog aposta numa mistura de socos, tiros e habilidades para tornar os combates e as boss fights no melhor de Evil West.

As habilidades ativadas com o D-Pad à esquerda têm barra de arrefecimento e isto incute estratégia no gameplay de ação frenética. Já à direita tens as armas que podes usar, mas as balas estão contadas e recarregar no momento errado pode estragar uma oportunidade para recuperar vida.

Equipado com uma manopla super poderosa e capaz de usar eletricidade nos ataques, Jesse pode ainda disparar algumas armas da era dos cowboys para ataques à distância. Confesso que fiquei surpreendido com o equilíbrio alcançado numa experiência de elevado sabor arcada, mas na qual sentes ser necessária alguma estratégia e não apenas reflexos rápidos.

Inicialmente, Jesse despacha as criaturas ao soco e pontapé, mas eventualmente podes usar armas de longa alcance e todas as mecânicas têm o seu momento mais oportuno. Quando surge um círculo em volta da besta que te vai atacar ao longe, podes disparar e quebrar o seu ataque, deixando-o atordoado. Mais tarde, podes desbloquear uma habilidade que te devolve uma bala sempre que acertas nesse círculo. Isto apenas como exemplo do dinamismo que o gameplay arcada pode alcançar.

No entanto, a verdadeira eletricidade surge quando tens acesso às habilidades de, eletricidade, eventualmente até o equivalente à fúria do espartano de God of War terás. Isto apenas para tentar criar na tua mente uma ideia das mecânicas e como funciona Evil West. É aqui que Evil West brilha e se torna muito mais divertido. O escudo de eletricidade usado no timing certo atordoa os inimigos, se estiveres dentro do raio de alcance podes investir estilo teleporte para o inimigo e atordoá-lo no impacto para iniciar combo de socos que o elimina. Também podes usar o chicote para puxar o inimigo com um fio de eletricidade e puxá-lo instantaneamente para ti.

O modo a 60fps na PS5, onde o jogamos, representa uma grande queda na nitidez e prejudica imenso a qualidade de imagem

O combate de Evil West é mesmo divertido e quando estás rodeado de inimigos, este pequeno leque de mecânicas faz toda a diferença, torna-se na essência de Evil West e os meios para alcançar esse tom arcada de ação frenética. Tens de gerir constantemente o espaço, ficarás rodeado de inimigos e apertado pelos limites da área de encontro, terás de puxar inimigos, mas também terás de te teleportar rapidamente até eles se um estiver sozinho, sem esquecer que tens a esquiva para fugir a ataques sem defesa.

Como seria de esperar, ao eliminar inimigos ganhas XP para subir de nível e obter pontos de perícia. Isto permite obter habilidades que te ajudam nos combates. Além disso, o dinheiro serve para comprar melhorias para as armas e tornar ainda mais frenéticos os combates. A dificuldade de alguns encontros e certos inimigos vão-te incentivar a usar estratégica e reflexos rápidos, o que exige pensar bem onde gastar os pontos de perícia e o dinheiro.

Evil West parece um remaster PS3/Xbox 360, talvez mesmo um jogo PS3 a correr numa plataforma atual, mas consegue cativar. Simples, linear, sem grande profundidade e com um enredo ao estilo de um filme série B, o trabalho da Flying Wild Hog não faz nada de novo ou digno de destaque, mas cumpre no mais importante, divertir. Se dividires as suas partes, reparas facilmente nos problemas, mas o todo acaba por resultar numa experiência singular que até poderá ambicionar o estatuto de clássico de culto.

Prós: Contras:
  • Gameplay de ação linear com um toque de arcada que puxa pelos teus reflexos
  • Diversão fácil numa experiência de pouca profundidade
  • Algumas boss fights são intensas e divertidas
  • Não existem incentivos para voltar a jogar
  • Visualmente medíocre ao ponto de parecer um jogo da era PS3/Xbox 360
  • O modo a 60fps na PS5 e Xbox Series X representa um duro golpe na nitidez da imagem ao correr a 1080p
  • Repete os mesmos inimigos e estilo de encontros, o que corta um pouco a diversão na recta final

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Sobre o Autor
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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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