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Elden Ring - Review em progresso

Sopro de liberdade, envolto na clássica fórmula Souls.

Eurogamer.pt - Recomendado crachá
Um Dark Souls em tudo menos no nome. Graças à introdução do mundo aberto e outros elementos, Elden Ring é o pico da From Software.

Neste momento, o relógio marca quase 40 horas em Elden Ring e ainda não cheguei ao final do jogo. Creio que estou mesmo à porta do boss final, e todas as pistas do jogo indicam-me que é para ali que tenho que ir, mas por alguma razão, a porta está fechada e não sei o que fazer para abri-la. Isto já deve dar-te uma ideia do que esperar do novo jogo da From Software. Tem um mundo colossal, maior do que qualquer outro jogo da fórmula Souls, envolto em segredos e oportunidades de exploração, porém, ainda não perdeu a obtusidade tão característica dos jogos deste estúdio, em que nem sempre é claro o que tens de fazer para progredir. Mais do que nunca, senti falta de um diário ou uma ferramenta parecida, para registar os diálogos e pistas dadas pelas personagens que vais encontrando. Enquanto os outros jogos da fórmula Souls eram bastante lineares, e se seguisses em frente eventualmente chegarias ao final, o factor mundo aberto de Elden Ring vem complicar um pouco a progressão. Aliás, é o primeiro jogo da From Software que não consegui terminar a tempo da review.

Apesar da injecção do mapa em mundo aberto, Elden Ring é um Dark Souls em tudo menos no nome. Os fãs da saga vão sentir-se imediatamente em casa, porque de facto a sensação de familiaridade é grande. O combate e a jogabilidade comportam-se da mesma forma, as classes e evolução da personagem são basicamente iguais, e continua a haver momentos em que sentes que o jogo te quer "violar". O início do jogo é, sem dúvida, mais acessível e fácil do que outras experiências Souls. Tens bastantes sítios opcionais para explorar e o nível da tua personagem subirá com rapidez. Como desbloqueias as viagens rápidas para os Sites of Grace (locais seguros, tipo as bonfires de Dark Souls), perder as preciosas Runas - o recurso para subir o nível da personagem - torna-se raro a não ser que sejas descuidado. Todavia, a recta final do jogo é muito mais complicada. É impossível dar uns passos sem encontrar um boss ou mini-boss. Pode tornar-se extremamente frustrante, sensação que não tinha sentido no resto do jogo, especialmente devido à capacidade dos inimigos para te matarem com um ou dois golpes.

A introdução do Torrent, o cavalo que podes invocar através de um item, modificou completamente a abordagem que podes ter aos combates, sobretudo nas áreas abertas. Graças à sua velocidade, é fácil andar para frente e para trás, desferindo golpe atrás de golpe nos adversários, sem correr muito risco. Para deslocações, também é uma ferramenta essencial. O mapa é gigantesco e andar a pé torna-se rapidamente aborrecido. Inicialmente abordei o jogo como se fosse um Dark Souls, ignorando a existência do cavalo, que reconheço que foi um erro. Contudo, há certas áreas em que não podes andar a cavalo, em que a experiência em mundo aberto é substituída por áreas delimitadas, corredores apertados, e grupos numerosos de adversários, altamente reminiscente daquilo que já vivemos em mundos anteriores da From Software. A exploração é sempre recompensada, seja com itens, feitiços ou novas armas.

O pico da fórmula da From Software?

De certa forma, Elden Ring parece um best of de todos os jogos deste estilo que a From Software fez até agora. O estúdio japonês tem vindo a fazer jogos destes desde 2009, ano em que foi lançado o original Demon's Souls. Desde então, e graças ao sucesso que começou a ter entre a comunidade que vibra com jogos desafiantes, tem havido novas entregas regulares. A saga mais conhecida é Dark Souls, mas também houve outras apostas como Sekiro e Bloodborne - tematicamente diferentes, mas com pilares claramente assentes na fórmula Souls. Elden Ring é o pico de todas essas experiências graças à implementação de melhorias na qualidade da experiência, mas ainda não se livrou de pequenas inconsistências ou falhas que atormentam a saga desde os seus primórdios.

O sistema de lock-on funciona mal e pode mesmo atrapalhar durante os combates. Em confrontos com inimigos de grandes dimensões (existem bastantes), teima em adoptar perspectivas horríveis, que te retiram a noção espacial e capacidade de antecipar ataques. Há momentos em que parece mesmo que não estás apenas a enfrentar inimigos, estás a lutar contra a câmera. Não utilizar o lock-on não é boa alternativa, porque os teus ataques vão tornar-se inconsistentes, falhando o alvo mais vezes do que gostarias. Não há solução ideal. O sistema também precisa de ajustes quando combates em cavalo. O lock-on retira-te liberdade de movimento enquanto montas o Torrent, parece que estás forçado a andar em círculos em volta do inimigo, o que nem sempre é ideal devido à área de alcance que alguns adversários conseguem ter.

Outra fonte de frustração são alguns confrontos em piso irregular ou em locais com muitos objectos. Tanto numa como noutra situação podes ficar preso na irregularidade do terreno ou nos objectos que adornam o cenário. Muitos destes elementos adornativos podem e certamente serão destruídos ao longo do combate, mas não há nada mais frustrante do que perder um combate porque ficaste preso e não te desviaste a tempo. Num confronto a cavalo já perto do fim, fiquei preso entre duas árvores, a flutuar no ar. Este tipo de falhas são mais gritantes numa experiência como Elden Ring. Devido à dificuldade presente, não pode haver momentos em que perdestes ou te sentiste desfavorecido devido a inconsistências ou erros associados ao jogo. Pior ainda é quando os inimigos te conseguem atingir através das paredes.

Liberdade, para que te quero?

O ponto alto de Elden Ring é a exploração. Ter um mapa deste dimensão para vaguear, sem saber o que vais encontrar a seguir, é aquilo que espero de um jogo em mundo aberto. Inicialmente, o mapa está encoberto, mas vai sendo completado à medida que descobres pontos importantes. Em todas as regiões, há sempre um mapa para descobrir que revela a delineação daquela região. Ainda assim, o mapa não revela tudo, ainda tens que explorar para realmente descobrir todos os segredos e encontrar mais Sites of Grace. A variedade de cenários é impressionante, espremendo ao máximo o que a fantasia medieval tem para dar. Mas o que cria maior impacto é a escala de tudo e como o mundo está construído. É de longe o jogo mais épico e grandioso que a From Software já fez.

Apesar de ser um mundo aberto, e de poderes chegar àquele sítio que estás a ver no horizonte, nem sempre é fácil. O mapa pode parecer labiríntico, o que só reforça o bichinho da exploração. Nem sempre vais estar preparado para o que vais encontrar. Há áreas mais difíceis do que outras e a tua personagem pode não estar devidamente preparada. O ponto positivo de Elden Ring é que podes sempre ir para outra área e voltar ali mais tarde. Enquanto em Dark Souls tinhas que "dar com a cabeça na parede" até saíres dali, em Elden Ring há uma maior liberdade para quando abordas os bosses obrigatórios para progredir na narrativa. Também senti que há uma maior quantidade de feitiços e encantamentos, ao ponto que me arrependi de não ter investido mais nos parâmetros de magia da minha personagem.

Ashes of War, a grande novidade no combate

O sistema de combate de Elden Ring é quase idêntico em tudo a Dark Souls. Tens uma barra de vida, uma barra de magia e outra barra de stamina. Numa mão podes empunhar uma arma, bastão de feiticeiro ou arcos / crossbows, na outra um escudo ou tocha para locais escuros. Cada arma tem um ataque leve, mais rápido, e um ataque pesado, mais lento e que causa mais dano. Com o escudo podes bloquear os ataques, o que custa uma parte da tua barra de stamina, ou fazer parry, que requer bastante confiança e habituação. Devido à hiper agressividade de muitos inimigos, não senti que o escudo fosse muito viável, preferindo rebolar atempadamente para me esquivar dos ataques. A quantidade de ataques que certos bosses e inimigos desferem podem facilmente abalroar o teu escudo, deixando-te completamente aberto e indefeso.

Se és daquelas pessoas que se enerva a jogar, cautela com Elden Ring. Isto aconteceu enquanto fazia a review e não estou orgulhoso.

Nos Sites of Grace, para além de poderes evoluir a tua personagem, vais poder equipar Ashes of War às tuas armas. As Ashes of War são essencialmente habilidades extra, associadas ao L2 / RT, e que podem modificar as afinidades. Por exemplo, uma arma com afinidade E na estatística de Força pode passar para afinidade C com uma certa Ashes of War. Existem muitas combinações possíveis para que consigas extrair o máximo da tua build, o que é óptimo. Mas nem todas as armas são compatíveis. As armas especiais, isto é, aquelas que já têm algum tipo de habilidade associada (geralmente são armas que apanhaste depois de derrotar algum boss ou mini-boss), não podem receber Ashes of War.

A ajuda de George R.R. Martin fez diferença na narrativa?

Para ser brutalmente directo, não. O vídeo inicial e introdutório a Elden Ring é espectacular e traça os contornos épicos que o jogo tem. O problema é que no resto do jogo a From Software esqueceu-se de continuar a contar a história no mesmo estilo. Depois da brutal introdução, a história parece transformar-se numa mera nota de rodapé. É tudo obtuso, vindo de curtos diálogos com personagens ou de descrições de itens, igual ao método que o estúdio aplicou no passado em Dark Souls. Se noutros aspectos a From Software tem vindo a evoluir, na história permanece imóvel, presa ao passado e sem vontade de evoluir. É lamentável que um mundo tão épico como este tenha uma história que é contada de uma forma tão pouco impactante.

Jogámos na Xbox Series X. Graficamente, podia estar melhor. É um jogo com uma direcção artística invejável, mas de perto há muitas texturas de fraca qualidade. No modo de desempenho, a framerate nem sempre se mantém nos 60 FPS, há soluços visíveis.

O que falta nesta review?

Como indicado no título, é uma review em progresso. Falta assistir ao final e experimentar as componentes cooperativas e multiplayer - estavam disponíveis, mas nunca encontramos ninguém. Dito isto, sinto-me confortável o suficiente para recomendar Elden Ring, com base no número de horas que joguei e por ter uma boa parte do mapa. Para quem jogou algum Dark Souls, não é uma experiência radicalmente diferente. A fórmula aplicada ao formato de mundo aberto resulta bem, juntamente com a introdução de elementos como o cavalo. Por um lado, houve momentos em que adorei Elden Ring, mas por outro, também houve situações em que me senti cansado, com sensação de dejá-vu e que já tinha passado por tudo isto nos outros jogos do estúdio. Se adoras a fórmula Souls, vais delirar com Elden Ring. É um RPG complexo, desafiante, e com uma quantidade de conteúdo que te vai parecer inesgotável.

A review será actualizada assim que terminarmos o jogo.

Prós: Contras:
  • Um mundo gigante e épico para explorar
  • O pico da fórmula Souls
  • É um jogo mais acessível do que os anteriores da From Software
  • O formato mundo aberto beneficia a experiência
  • Uma grande variedade de formas de abordar o combate e desafios
  • Checkpoints mais frequentes, ainda que inconsistentes
  • Lock-on faz a câmara assumir ângulos frustrantes
  • Picos de dificuldade, especialmente na recta final
  • A história parece uma nota de rodapé, como sempre

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Sobre o Autor
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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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