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F1 22 abre uma nova era na Fórmula 1 virtual

Banho de autenticidade.

A actual temporada de Fórmula 1 arrancou com uma nova geração de monolugares. Na maior alteração levada a cabo nos regulamentos em quatro décadas, as equipas foram forçadas a tomar decisões arrojadas, sabendo que estavam a experimentar novas bases. Os fórmulas da actual temporada, com efeito solo, são bastante diferentes dos carros do ano passado, que corresponderam a uma espécie de evolução máxima da geração híbrida começada em 2014 com o regresso dos motores turbo. O final da temporada passada foi dramático, de uma rivalidade feroz entre Hamilton e Max Verstappen, de grande intensidade e imprópria para cardíacos. Mas a nova temporada está igualmente ao rubro, desta feita com a Ferrari e Red Bull a posicionarem-se na dianteira da grelha, com algumas rivais nas posições imediatas.

Para a Electronic Arts e Codemasters, mestre em desportos motorizados, os novos monolugares incrementam o desafio à medida que as audiências crescem. Novos e antigos fãs voltam a juntar interesse por uma modalidade que parecia estar a fugir dos eixos depois dos grandes duelos da década de oitenta e noventa. É certo que o Drive to Survive, uma produção da Netflix que acompanha por perto os reais contendores ao título, trouxe de volta muitos dos antigos fãs, para além dos mais novos que começaram a seguir também o campeonato.

Para quem acompanha a série anual da Codemasters, desde o ano passado sob a égide da toda poderosa Electronic Arts, o interesse passa mais uma vez por dar alento, realismo e autenticidade à nova era da Fórmula 1, ao mesmo tempo que procura atrair novas audiências, numa garantia de acessibilidade, também uma característica que sempre pontuou nos seus jogos, ao permitir que com um simples comando possam desfrutar do jogo. F1 22 não é propriamente um jogo de ruptura, ou revolucionário, apesar de entrar numa nova era. Antes assenta na trajectória de continuidade dos jogos anteriores, com mais eventos e uma cobertura mais generosa das incidências que marcam um grande prémio e a vida dos pilotos ao longo de um fim de semana de competição. Se são fãs da F1 é natural que o jogo funcione como complemento ou alternativa aos fins de semana em que não há corrida.

A entrada das corridas de sprint

É inegável que os efeitos visados pela FIA com a nova geração de monolugares estão a surtir efeitos. Os carros rodam mais próximos, com menos ar sujo, e as hipóteses de ultrapassagem aumentaram, ainda que tenham perdido alguma velocidade em curvas lentas. Porém, será uma questão de tempo até recuperarem das perdas, quando os engenheiros descobrirem onde podem ganhar mais tempo. Num evento de apresentação online de F1 22, que contou com a presença de Lee Mather, director sénior criativo da EA, ficamos a conhecer as principais alterações e muito daquilo que poderão experimentar quando o jogo for lançado a 28 de Junho.

Uma tradicional perspectiva que se assemelha bastante à nova câmara no interior do capacete dos pilotos.

Em primeira linha está uma simulação, dentro da experiência de condução, que procura aproximar-se dos efeitos da condução dos novos carros. Tivemos curiosidade em saber se o efeito da altura ao solo, que tem causado tantas dores de cabeça pela ondulação do chassis quando o carro circula a grande velocidade na recta, se isso estaria presente no jogo. A resposta foi no sentido negativo, na sequência de se tornar pouco entusiasmante para o jogador experimentar o efeito, para além de ser um factor que ao longo da época será minimizado e erradicado pelas equipas. Porém, com os novos pneus, as jantes de 18 e os efeitos da degradação, haverá que contar com um diferente comportamento do carro ao longo da corrida.

O ano passado ficou marcado pela introdução das corridas de sprint, as provas de meia hora que servem para marcar a grelha para a corrida de domingo mas sem paragem na boxe para mudança de pneus. As corridas sprint não chegaram ao F1 21, mas este ano estarão presentes em Imola, Austria e Brasil, o que reduz o fim de semana a duas sessões de treinos livres, uma qualificação para a sprint race e depois o Grande Prémio. Isto tem reflexo ao nível dos modos carreira e “My Team”.

Foram introduzidas alterações à volta de formação, que, como sabem, serve de aquecimento dos pneus e preparação para a partida. A apresentação desta volta é do tipo televisivo, com vários ângulos disponíveis e, mais importante, a colocação do carro na grelha, numa posição que pode definir-se como ofensiva ou defensiva. A paragem na boxe também está sujeita a que o erro possa deflagrar, atrasando em décimas ou preciosos segundos o regresso à pista. As comunicações com o engenheiro, uma constante ao longo das sessões em pista, foram fortalecidas. A Codemasters socorreu-se dos préstimos do engenheiro da McLaren Marc Priestly, para um maior realismo e autenticidade das comunicações. A apresentação, os comentários e reportagem em pista contam com as participações de Jacques Villeneuve, Alex Jacques, Sascha Roos e Natalie Pinkham.

Uma nova ordem de performance

Em pista, o safety car irá desempenhar um papel mais activo quando ocorrerem acidentes e outros incidentes que possam solicitar a sua entrada. O safety car está disponível em dois modelos, o carro da Mercedes e o Aston Martin. Outro detalhe é a programação das sessões de treinos. Programadas ao longo do fim de semana, encurtadas para duas sessões com a corrida de sprint, permitem uma melhoria da performance ao estabelecer uma programação de acordo com o interesse do jogador. A inteligência artificial adaptada permite que os novatos encontrem um desafio moderado, enquanto que os mais experientes possam lidar com adversários menos temerosos, a lembrar o arrojo de Max Verstappen.

Podem ser acrescentados mais efeitos nas pinturas.

Ao nível dos modos My Team e Carrer, a Codemasters optou por acrescentar três patamares de entrada. Um para os novatos, destinado a começar por uma equipa das menos cotadas. Em alternativa poderão desafiar o meio do pelotão, através do “midfield challenger”, ou então lutar directamente pelo título no “tittle contender”. Desenganem-se se pensam que vos facilita a vida começar no meio da tabela ou a lutar pelo título. A dificuldade em alcançar os objectivos não é menor em qualquer opção, o que permite é escolher um percurso diferente e não começar sempre pelo mesmo ponto, ou seja, pelo fundo da grelha. A Codemasters preparou uma correlação de forças real entre as equipas, pelo que podemos esperar este ano uma Ferrari muito forte, a par da Red Bull.

Verifica-se também uma expansão ao nível dos eventos de departamento. Problemas complexos dentro da equipa surgem agora, por exemplo, da dificuldade em conseguir uma melhor utilização do túnel de vento, ou então através de alguns problemas com o uso do simulador. São múltiplos aspectos que produzem efeitos ao nível do departamento e que podem afectar o desenvolvimento do carro. Ao nível da personalização, no MyTeam, o destaque vai para as pinturas, com novos efeitos adicionados (espelhado, mate, cetim e metalizado). Sobre o circuito de Miami, trata-se da segunda prova a ter lugar nos Estados Unidos da América, em 2022, antes do Circuito das Américas. Já corremos na nova pista e as impressões do primeiro contacto podem ser lidas por aqui. Outros circuitos foram alvo de tratamento adicional, visando um maior realismo, com destaque para Austrália, Espanha e Abu Dhabi, nos quais é possível conseguir melhores ultrapassagens depois de seguir mais perto os rivais.

Fora das pistas, o jogador irá passar muito tempo no seu lobby, uma espécie de penth house onde podemos ver o piloto vestido de forma casual. Supercarros são adicionados e os troféus são exibidos. Há imensas roupas e marcas disponíveis, num estilo de indumentária capaz de lembrar o mais excêntrico Lewis Hamilton ou os mais reservados estilos de Vettel e Alonso. É também permitido personalizar a área através de uma loja de mobiliário.

A introdução dos supercarros, os chamados items de bónus “deluxe” abre uma secção a que a Codemasters denomina de Pirelli Hot Laps. Parece tratar-se de uma parceria com a fabricante e fornecedora de pneus italiana aos monolugares. As cerejas no topo do bolo são não apenas os dois safety cars, o Mercedes AMG e o Aston Martin. Há um Ferrari e McLaren à espera de serem conduzidos, numa alternativa aos monolugares que nos está a deixar ansiosos por descobrir. Estão até previstos alguns modos: “time attack”, “checkpoint” e “pursuit”. Veremos em que moldes e de que forma sobressai a condução destes potentes e vistosos veículos.

Em resumo, EA Sports F1 22 não reinventa, nem revoluciona. Há uma nova geração de monolugares, explorada em conjunto com outros momentos e elementos que integram um fim de semana Grande Prémio. Há o aliciante de Miami, entre as novas pistas, e as sprint produzem um desafio adicional. A condução é outro argumento favorável à descoberta. Ainda assim é um jogo que acaba por mudar alguns elementos e acrescentar novidades.

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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