Skip to main content

Donkey Kong - Análise - Virtual Console 3DS

Gorila furioso.

Revisitar clássicos dos clássicos tem a particularidade de se poder transformar numa descida às fundações da indústria. No caso de Donkey Kong, lançado em 1981 nas arcadas, com cabine dedicada e ilustrada, e depois convertido para a NES, é também uma passagem às primeiras sonantes produções da Nintendo e ao contributo e influência que certas pessoas, como Hiroshi Yamauchi, Gunpei Yokoi e Shigeru Miyamoto exerceram na empresa. Miyamoto era por aquela altura um jovem licenciado acabado de sair da faculdade e dar os seus primeiros passos como programador, mas na viragem para a década de oitenta, Yamauchi ditava as regras de uma Nintendo de origem familiar, e queria fazer dela uma grande multi-nacional nos jogos de computador. Precisava assim de um título que lhe desse o espaço para penetrar em mercados como o norte-americano.

A máquina arcade surge assim como um primeira largada de Donkey Kong, antes de se massificar no cartucho da NES em 1993, no Japão. Três anos depois, passou a realidade no território norte-americano e europeu, como conversão do título arcade. Apesar da sua simplicidade, escasso conteúdo e grafismo quase minimalista, na sua época (princípios de anos oitenta) foi um valioso trunfo. Sobretudo porque serviu de rastilho para dois grandes protagonistas; Donkey Kong e Super Mario. Enquanto que o gorila musculado permaneceu noutros episódios, aqui a personagem que salta sobre pipos, se desvia das bolas de fogo e escala a estrutura até resgatar a princesa é Jumpman e só depois viria a dar o seu lugar a Super Mario.

Donkey Kong contribuiu decisivamente para o género das plataformas.

Mais de trinta anos depois, Donkey Kong ainda é um jogo que evidencia os pressupostos mais tradicionais dos jogos arcade, assim como as origens dos jogos de plataformas; desafios progressivamente difíceis que exigem grande perícia por parte do jogador, muitas tentativas e erros, processos de memorização e uma precisão no momento dos saltos. A história não é muito relevante. Apenas temos que guiar Jumpman até ao topo de uma estrutura de plataformas, onde se encontra aprisionada a princesa Pauline. Pelo meio há que fugir aos barris lançados pelo símio em fúria e às bolas de fogo que bloqueiam o percurso. Há uma forma de esmagar os barris, usando um martelo, como "power up", ainda que de forma temporária. Mas enquanto que o objectivo primordial é resgatar a princesa, pois só assim se passa para o nível seguinte, a pontuação não é menos relevante. De modo a incrementar o resultado, há certos coleccionáveis que alargam a pontuação; recolhendo guarda-chuvas e outros objectos colocados em certos pontos do nível.

A versão para a NES de Donkey Kong é constituída por 3 cenários que entram em modo repetição mas com a dificuldade aumentada assim que passam para uma nova ronda. O terceiro nível é diferente dos restantes. Em vez de alcançar o topo das plataformas, Jumpman tem que desapertar certos parafusos da estrutura, saltando sobre eles, de forma a fazer cair Donkey Kong. Em termos de opções, é possível seleccionar um grau de dificuldade mais elevado e tornar a experiência compatível com outro jogador, em luta pela melhor pontuação.

Ainda não acabou.

Do ponto de vista do grafismo, Donkey Kong não é particularmente memorável se o compararmos com outras produções da NES. Porém, para uma produção com mais de trinta anos e proveniente do começo dos anos oitenta, revela até uma beleza incontornável. Para além da sua jogabilidade muito peculiar e inovadora para o género das plataformas, a vertente sonora não passa indiferente a qualquer jogador. Os sons para salto, dano e uso do martelo, assim como o som de vitória, são intemporais e uma marca que jamais se perderá. Disponível agora para a Virtual Console da 3DS, a Nintendo propicia aos fãs um jogo que os leva a experimentar um punhado de nostalgia, história e cultura popular.

Lê também