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Dark Souls 3 - Análise

Prepara-te para morrer, mais uma vez.
Eurogamer.pt - Recomendado crachá
Dark Souls 3 aperfeiçoa a fórmula ao máximo e continua a oferecer momentos épicos, mas por vezes é demasiado familiar.

Grande parte da dificuldade da série Dark Souls vem de decorar padrões. Morrer faz parte do processo de aprendizagem, quase como se fosse uma mecânica do jogo. É por isso que passar pela primeira vez um jogo desta série custa imenso, mas depois da segunda vez tudo corre de forma mais suave. É também por causa disto que existem speedruns de Dark Souls com menos de duas horas, pois existem pessoas que sabem de cor o comportamento dos inimigos e tiram proveito disto para passar o jogo no menor tempo possível, provando que a dificuldade é relativa. Também existe alguma perícia à mistura, pelo menos no que toca a fazer parry a alguns ataques ou a desviarem-se no momento certo, mas até esta perícia está dependente da memorização dos padrões de ataque.

A fórmula para Dark Souls 3 não mudou. Os veteranos da série poderão ter mais facilidade devido a já conhecerem alguns dos truques, como ter a capacidade de prever emboscadas, mas no geral, o lema continua a ser morrer para aprender, ou morrer até superar o desafio diante de nós. Devido à necessidade de morrer (uns mais do que outros), é também um jogo de paciência. Se gostam de desafios e de testar os vossos limites, então certamente vão gostar do que Dark Souls 3 tem para oferecer. Se por outro lado estão à procura de um jogo relaxante, procurem noutro lado. Por outro, também não devem temer a reputação assustadora da série. Sim, é difícil, mas nada impossível. Acima de tudo Dark Souls 3 requer tempo e dedicação.

Longe está Demon's Souls, que embora não faça parte da mesma série, foi o jogo que estabeleceu as bases para Dark Souls. Desde então a From Software tem vindo a aprimorar a fórmula com cada lançamento. Dark Souls 3 é uma espécie de compilação "Os melhores êxitos", juntando ideias e conceitos de Demon's Souls, Dark Souls, Dark Souls 2 e de Bloodborne. Está facilmente entre os melhores jogos da From Software e é também o jogo mais acessível da série para novatos, pelo menos inicialmente, já que depois a dificuldade sobe a pico. No entanto, a sensação de familiaridade está sempre presente, e apesar de este ser um excelente Dark Souls, por vezes parece que já passamos por locais semelhantes em jogos anteriores da From Software.

A sensação de familiaridade é especialmente problemática para Dark Souls. Embora existam séries com lançamentos anuais que pouco mudam, a sensação de descoberta e de não sabermos o que está depois da esquina é um dos elementos mais importantes de Dark Souls. A partir do momento em que o jogo deixa de surpreender, o efeito mágico que a série tem desvanece. Dark Souls 3 tem partes familiares, mas ao mesmo tempo apresenta algumas surpresas e áreas secretas que facilmente passam despercebidas, pelo que ainda não perdeu as suas qualidades. Não obstante, os castelos, as catedrais, os dragões, as florestas envenenadas, e outros elementos já mostram desgaste, sendo temas recorrentes nos jogos da From Software.

É na jogabilidade que Dark Souls 3 apresenta maiores diferenças face aos seus antecessores. Nota-se claramente que houve muita influência de Bloodborne, um jogo mais ofensivo e rápido. Como tal, nunca foi tão viável usar o botão de esquivar em Dark Souls. É possível ignorar completamente o escudo, recorrendo às duas mãos para segurar a arma, de forma a causar mais dano. Claro que, sem escudo, estarão muito mais expostos e vão sofrer sempre que cometerem um erro, mas o risco pode compensar. Por outro lado, podem sempre optar pelo estilo tradicional de Dark Souls e segurar a arma numa mão e o escudo na noutra. Pessoalmente, fui alternando entre estes dois estilos, dependendo dos desafios que enfrentava. Há bosses em que usar um escudo é viável, no entanto, outros atacam constantemente e caso apenas se defendam, rapidamente vão ficar com a barra de "stamina" vazia.

Existem bosses com fraquezas elementais, enquanto outros têm truques específicos para os derrotarem.

Mais do que nunca, Dark Souls 3 permite que joguem da forma que se adapta melhor ao vosso estilo. A classe que escolhem no início é importante, já que atribui diferentes estatísticas à vossa personagem, no entanto, é flexível. Mesmo que estejam a apostar numa personagem cuja estatística principal seja a força, ainda podem apostar na Intelligence e Attunement para terem acesso aos feitiços. Esta variedade e liberdade de jogar também se alarga às armas. Existem imensas armas para escolher, mas as melhores são aquelas oriundas das Souls dos Bosses. A dado momento, poderão adquirir estas armas através de um NPC na Firelink Shrine, que é essencialmente a vossa base, onde encontram também o NPC para subir de nível e o ferreiro para melhorar as armas.

A experiência para quem conhece a série será muito familiar, mas para os novatos, este é o melhor jogo de entrada para Dark Souls. As mecânicas nunca estiveram tão aprimoradas e alguns dos sistemas não são tão obscuros (a parte mais complexa são os Covenants, que estão associados à componente online) como foram em outrora. Graças ao sistema de Bonfires, que logo desde o início nos permitem viajar para áreas que já visitamos, a exploração nunca foi tão fácil. E antes que perguntem, sim, explorar todas as áreas vale muito a pena. As áreas opcionais contém bosses e/ou mini-bosses (uma das novidades de Dark Souls 3), armaduras, armas e itens que vos vão ajudar a superar a elevada dificuldade. Algo a ter em conta é que existem paredes ilusórias, ou seja, quando virem uma parede num local estranho ou suspeito, rebolem e esta poderá desaparecer, revelando um quarto secreto ou uma área nova.

"A experiência para quem conhece a série será muito familiar"

Como já referi, a primeira parte do jogo é surpreendentemente acessível. Os jogos Dark Souls nunca tiveram propriamente um tutorial, mas as primeiras horas de Dark Souls 3 são o mais próximo disto. Ainda assim, não devem julgar o jogo com base nas primeiras horas. Quando a dificuldade pela qual a série conhecida aparece, é como se levassem uma estalada de realidade. É quase como se o jogo se risse e perguntasse "Pensavas que ia ser fácil até ao fim?". De repente, cada boss é um desafio esgotante no qual temos de aprender uma nova lição. E quando pensamos que a dificuldade não pode crescer mais, o jogo volta a provar que estamos errados. Boss após Boss, Dark Souls 3 fica mais épico à medida que se aproximam do final. Inicialmente, há bosses que parecem impossíveis, mas pouco a pouco vamos melhorando, e eventualmente começamos a acreditar que somos capazes de derrotá-lo, até que finalmente acontece e respiramos de alívio.

A série Dark Souls sempre jogou muito com sofrimento e a maravilhosa sensação de superação dos desafios. Em Dark Souls 3 esta filosofia é aplicada ao extremo. Todos os bosses têm duas fases. Na maioria, a segunda fase surge quando lhe retiram cerca de metade da vida, mas em alguns casos, a segunda fase só surge depois de lhe tirarem a vida toda, ou seja, existem bosses que terão de derrotar duas vezes seguidas. E claro, se perderem na segunda fase, terão que voltar a repetir a primeira. Se querem ter uma ideia melhor do esperar, pensem no confronto com Ornstein e Smough no primeiro Dark Souls. Pelo lado positivo, estes confrontos entram automaticamente para os melhores da série. Apesar da familiaridade que mencionamos logo no início, nos bosses a From Software ainda foi capaz de criar momentos épicos e inéditos.

Se os bosses são a melhor parte de Dark Souls 3, então o mundo do jogo vem logo a seguir. Seguindo a tradição da série, o mundo de Dark Souls 3 está interligado. Existem vários atalhos que ligam as áreas novas às antigas, mostrando a mestria do design de níveis da From Software. Apesar desta ligação, cada área é completamente diferente da outra. No entanto, às vezes parece que estamos a ter flashbacks de jogos anteriores. Existem locais que facilmente serão confundidos com Bloodborne, enquanto outros parecem ter sido retirados do primeiro Dark Souls. Sabendo que a From Software lançou três jogos deste género em apenas três anos - Dark Souls 2 (2014), Bloodborne (2015) e agora Dark Souls 3 (2016), não é de surpreender que exista alguma familiaridade, mas há que reconhecer que a fórmula começa a demonstrar sinais de cansaço.

No que toca à história, bem, Dark Souls nunca teve propriamente uma história. Existe sempre uma cinemática inicial que dá algum contexto, e Dark Souls 3 não é excepção, mas o que os jogos desta série têm é sobretudo lore. O mundo de Dark Souls é rico em lore, mas cabe-vos a vocês ligar os vários pontos. As informações encontram-se nas obscuras falas dos NPCs e principalmente nas descrições dos itens. Já o tinha dito em Bloodborne e volto a dizê-lo aqui, é um desperdício ter um mundo tão rico como este mas sem qualquer elemento narrativo. O jogo tem quatro finais diferentes, mas é extremamente complicado perceber de que forma as nossas acções contribuem para este final. Existe uma diferença entre ter uma história difícil de perceber e negligenciar a narrativa. No caso de Dark Souls 3, é o último caso. Para novatos, será ainda mais elaborado compreender o lore, já que existem várias ligações com o primeiro Dark Souls.

"Dark Souls 3 é o culminar de tudo o que a From Software aprendeu desde o lançamento de Demon's Souls."

Visualmente, este é o jogo mais bonito da série, o que já era de esperar. Dark Souls 3 é o primeiro da série (Bloodborne não conta) a ser desenvolvido para a PlayStation 4 e Xbox One, pelo que a From Software teve a oportunidade de tirar partido do hardware mais poderoso. Inicialmente, e como tivemos acesso antecipado para ter a análise pronta para o dia de lançamento, a framerate tinha sérios problemas na grande maioria das áreas. Felizmente, a actualização 1.03 tornou a framerate consideravelmente mais estável. Ainda existem alguns soluços ocasionalmente, mas nada de desastroso. O ideal era que as versões das consolas corressem a 60 frames por segundo, o que faz a diferença num jogo destes que depende muito do vosso tempo de reacção, mas os 30 frames são aceitáveis. No entanto, se tiverem um PC capaz, essa é a versão com o melhor desempenho.

Dark Souls 3 é o culminar de tudo o que a From Software aprendeu desde o lançamento de Demon's Souls. A jogabilidade está mais afinada do que nunca, o mundo do jogo é lindíssimo e dá vontade de explorar todos os seus cantos, tem alguns dos melhores bosses da série, e claro, é difícil, desafiante e pune os vossos erros com a inapelável morte. Para os fãs, são mais do que razões suficientes para jogar. Para estreantes, é o momento ideal para conhecer aquela que se tornou nos últimos anos numa das séries mais populares e consagradas dos videojogos. É uma experiência enriquecedora, mas exigente. Há momentos em que provavelmente vão odiar o jogo e ficar com vontade de partir o comando. Dark Souls 3 não testa apenas a vossa perícia, é um desafio físico e mental que não pode ser encarado de forma casual. Jogar Dark Souls é um compromisso de dezenas de horas, isto se quiserem chegar ao fim.

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Sobre o Autor
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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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