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Cuphead: Delicious Last Course - De jogar e chorar por mais

O caldeirão volta ao lume.
Eurogamer.pt - Recomendado crachá
Um DLC curto mas tão ou mais frenético e endiabrado que o original, proporcionando algumas das mais espectaculares boss fights.

Lançado em 2017 para a Xbox One e para o PC, Cuphead foi um sucesso e tornou-se numa espécie de clássico instantâneo. Oriundo do Studio MDHR e dirigido pelos irmãos Chad e Jared Moldenhaurer, proporcionou mecânicas inebriantes do tipo run’n gun, ao mesmo tempo que cruzava influências dos jogos de acção 2D, do tipo Metal Slug e dos “shmups”, com imensas “boss fights”. Mas talvez o seu maior toque distintivo radique na captação exuberante e recheada de pormenores gloriosos dos cartoons dos anos 30, como os oriundos dos estúdios Warner e dos estúdios Walt Disney. O resultado é uma projecção gloriosa dessas curtas, apoiadas por extensas faixas sonoras marcadas pelo jazz em ritmo acelerado.

É impressionante pensar que já passaram 5 anos sobre o lançamento desse jogo, um título que permanecerá como um dos indiscutíveis da última década. As aventuras de Cuphead e Mugman transportaram-nos para esse paraíso das curtas animadas, a preto e branco, mas agora com um estilo moderno, a cores e recheado de animações e uma quantidade de coisas a acontecerem ao mesmo tempo. Animais, plantas e objectos como que ganham vida, tornam-se antropomórficos, exibem sorrisos, troçam e lançam esgares sobre as pobres duas personagens mergulhadas num pacto com o diabo.

A recolha dos raros ingredientes leva Ms Chalice até ao encontro de criaturas abomináveis.

A campanha de Cuphead é extensa e um desafio bem árduo, sobretudo nas últimas missões da campanha, onde são testados os nossos reflexos e postas à prova as habilidades. Trata-se de conseguir atacar, defender, evitar projécteis e sobretudo sobreviver ao longo de hercúleas batalhas. A recompensa aguarda os mais estóicos, depois de muita insistência naqueles processos de tentativa e erro. Sempre que regresso a Cuphead maravilho-me com novos pormenores que descubro, nuances e até pequenas possibilidades que podem resultar em melhores ataques aos rivais, usando diferentes balas e poderes.

5 anos de espera pelo DLC, que vale a pena

Sabemos que Cuphead foi lançado depois da data inicialmente prevista. Os produtores tentaram ao máximo polir e tornar a experiência irrepreensível, com os resultados que ambicionávamos. Tempos depois, o estúdio MDHR anunciou a sequela, com o acrónimo curioso DLC, simultaneamente Delicious Last Course, para um derradeiro desafio, um “encore” pedido pelos fãs. Foram precisos quase 5 anos e entretanto o DLC tornou-se multiplataformas, sem exclusividades temporárias, podendo ser jogado em quase todas as consolas do mercado.

O que podemos dizer deste Delicious Last Course, uma espécie de última volta, é que está ao nível e nalguns aspectos das batalhas que proporciona até consegue superar o original, ao oferecer batalhas nas quais tantas coisas acontecem ao mesmo tempo, num festival de animação e impacto visual capaz de nos deixar siderados.

A dimensão trifásica das batalhas produz inúmeras surpresas.

O principal ponto deste DLC é a adição de uma nova personagem Ms. Chalice, que assim se vem juntar a Cuphead e Mugman, numa perigosa e nova ilha “Inkwell”. Esta nova personagem apresenta alguns movimentos diferentes dos exibidos pelos personagens masculinos. Parece mais fácil de controlar, sobretudo pela admissibilidade do duplo salto sem necessidade de “parry”. Mas o principal ponto diferenciador são os 7 novos níveis, missões, ou “boss fights”, que acrescem aos desafios do monarca, que basicamente servem para angariar recursos que podem depois ser alocados na aquisição de poderes especiais.

As “boss fights” trifásicas

Dos sete novos níveis, cinco podem ser jogados sem uma ordem e sem necessidade de os terem concluído no modo regular, a opção mais exigente e necessária ao desbloqueio do sexto nível. Por fim, existe um nível secreto, um desafio extra para os mais aventureiros e imbatíveis. O acesso ao DLC não se faz de forma directa. Antes implica o regresso a uma das ilhas de Cuphead, sendo expectável que tendo o jogo anterior tenham concluído alguns níveis integrados na secção dos “templos”. Em resultado dessa activação podem partir para a tal nova ilha “inkwell”, onde uma nova campanha vos aguarda.

É após a chegada que ficam a conhecer as novas personagens deste segmento, nomeadamente Ms. Chalice, uma espécie de cálice que procura regressar ao mundo dos vivos. Para tal, terão que recolher os ingredientes com os quais o chef Saltbaker fará a receita que assegura o regresso ao mundo dos vivos. É uma nova aventura polvilhada de inéditas criaturas rivais, que pode embora funcionar a solo ou ser partilhada com outro jogador. A apresentação é semelhante à de Cuphead, sobressaindo a arte e os diálogos como se estivessem a folhear uma banda desenhada. As músicas, porém, são novas. O mapa da ilha permite o contacto com vários pontos que servem de entrada para as batalhas. Uma vez concluídas desbloqueiam a área seguinte. A única forma de recolher os ingredientes secretos e aceder à batalha derradeira só funciona se derrotarem os rivais no modo regular, num grau de dificuldade mais elevado.

Podendo parecer pouco, os 6 níveis mais um, em comparação com toda a campanha de Cuphead, levarão algum tempo até terem o DLC terminado. É provável que este DLC dure por uma mão cheia de horas. Normalmente termino os níveis na dificuldade simples, por forma a conhecer os rivais e os procedimentos de ataque e defesa. Uma vez concluído passo ao modo regular. A dificuldade acrescida é evidente na batalhas trifásicas do modo regular, com amplas transformações no cenário, nas criaturas e até na forma de atacar, contra-atacar e defender a que nos sujeitamos por via das alterações.

Com sucesso nos desafios amealhamos o pecúlio que poderemos trocar por mais poderes.

Destes seis níveis, tirando os desafios especiais que funcionam como uma espécie de modo batalha, apenas um entra numa aproximação aos “shmups” clássicos horizontais. Os restantes introduzem criaturas muito diferenciadas em planos de combate altamente competitivos. Praticamente sem secções intermédias, cada um destes níveis é uma extensa batalha trifásica, com a sua narrativa, as suas sonoridades e nuances. Assinalo nesta construção uma introdução de mais elementos, por vezes com uma saturação tão grande de coisas a acontecerem ao mesmo tempo que é fácil perdermo-nos, vendo a nossa personagem atingida por um pequeno projéctil. Manter a atenção é muitas vezes a forma segura de passarmos de vencida uma fase da batalha. Ao morrer vemos numa imagem até que ponto avançamos na batalha. Tanto pode moralizar para continuar a cruzada já que só falta um esforço, como a aguçar a raiva e nos levar a praguejar por ficarmos tão perto de derrotar o adversário.

O trabalho artístico, sonoro e gráfico é de grande qualidade neste DLC. As animações estão bem conseguidas, o desenho das personagens é assinalável e a conjugação com as novas mecânicas de Ms. Chalice resulta num apetite desmesurado. O duplo salto conjugado com os quatro indicadores de vida (que significa que pode absorver 4 danos), o “parry” em forma de dash, ao mesmo tempo que é capaz de rebolar num estado de invencibilidade, torna esta personagem feminina particularmente hábil e com mais soluções de ataque, defesa, evasão e contra-ataque. No entanto, a dificuldade tende a igualar a evolução, com mais desafios, mais coisas em movimento ao ecrã a justificar manobras rápidas e bem sucedidas. A dimensão role play continua presente, ao permitir que até dois tipos de disparo sejam facultados ao mesmo tempo que os poderes especiais são activados ao fim de algum tempo, libertando bombas e ataques que causam bastante dano nos inimigos.

Para lá da componente visual, artística, sonora e mecânica, DLC prossegue na demanda dos detalhes que fazem a diferença. Pequenos pormenores como as tiradas jocosas deixadas pelos rivais na imagem em que vemos o nosso avanço até ao perecimento. O esgar da personagem, numa determinada posição, quando anda pelo mapa mundo. A voz “off” que introduz os combates e toca a sineta, com as suas expressões de anuncio à plateia do evento maravilhoso a que vão assistir, cria um daqueles efeitos teatrais, como uma cortina que se abre e revela um determinado acto de uma peça mirabolante, de fundos com cores esbatidas e personagens que parecem marionetas, a um efeito de película gasta e bobines em rotação. Os diálogos e as expressões dos npc’s, lançando dicas para o que se avizinha, como quem exclama profecias. Voltar a jogar Cuphead, nesta forma de DLC, é uma experiência altamente recomendada. A MDHR pôs aqui um pouco mais dessa receita que nos leva a jogar e a chorar por mais. Cuphead e este DLC são alguns dos grandes triunfos que a indústria dos videojogos nos deu na última década. Possamos estar à altura do desafio.

Prós: Contras:
  • Novas batalhas
  • Personagem feminina com mais movimentos
  • Apuramento da arte e visuais
  • Banda sonora marca o ritmo
  • Animações e efeito cartoon
  • Desafiante sem se tornar frustrante
  • Bom valor de repetição
  • Acaba depressa

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Sobre o Autor

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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