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Capcom Arcade 2nd Stadium - Review - Segunda vaga de clássicos arcade

As arcadas morreram, viva as arcadas!
Eurogamer.pt - Recomendado crachá
A Capcom inaugura um segundo andar de produções arcade, abarcando muitos dos melhores jogos, numa emulação que procura devolver o ambiente genuíno dos salões.

A Capcom detém um historial de sucesso nas arcadas. Desde o despontar da divisão arcade (no começo da década oitenta) até ao apogeu (finais de noventa), que inúmeras séries conquistaram visibilidade e desenvolvimento graças às máquinas arcade. Com o declínio das arcadas, na última década, muitas das séries desenvolvidas pela Capcom continuaram presentes e bem vivas no sector reservado às consolas e aos computadores, a maquinaria em constante desenvolvimento, capaz de renovar as produções e garantir uma longevidade sem precedentes. Mas a Capcom já provou em inúmeras ocasiões como é capaz de ser uma das companhias mais originais, pondo a criatividade ao serviço da indústria. Confesso, é uma das minhas produtoras favoritas de sempre.

No entanto o seu legado arcade e retro permanece bem vivo, especialmente neste tempo marcado por um regresso ao retro. É um espólio do qual a companhia muito se orgulha, e um dos mais vastos, por abarcar muitos e tão diferenciados jogos. São tantas as produções arcade retro produzidas pela Capcom que várias compilações e remasterizações foram entretanto lançadas. Ainda que o legado retro, mormente o hardware, more agora nas casas, garagens e caves de coleccionadores, a Capcom continua a gerar receitas e ao mesmo tempo a preservar o seu acervo de jogos clássicos para que gerações novas e antigas não deixem de experimentar muitos dos seus títulos old school.

Há sensivelmente um ano, a Capcom estreou uma primeira vaga desses jogos que fervilhavam em ecrãs curvilíneos e ligados a um joystick acompanhado por meia dúzia de botões. Capcom Arcade Stadium abarcou 32 jogos representativos de várias fases de evolução da indústria arcade. Desde os seus primórdios até ao crescimento e sustentação. Estes jogos podiam ser adquiridos na totalidade, por conjuntos de 10, ou individualmente. Com uma recolha de títulos mais ou menos sonantes, a Capcom conseguiu um meio termo, abarcando jogos de acção, shmups, aventuras e fighting games. Mas parte do sucesso desta iniciativa estádio arcade não corresponde apenas à quantidade de jogos. Há toda uma apresentação e panóplia de opções ao mostrar os jogos a correr nas respectivas cabines, com opções de visionamento e emulação, que tornam este título uma forma de preservação retro bastante consistente.

A emulação também passa por reproduzir o ambiente das arcadas.

A segunda vaga de Capcom Arcade Stadium

Capcom Arcade 2nd Stadium é a sequela dessa recompilação, agora com uma renovada grelha de 32 jogos, apta a satisfazer as necessidades do mais firme entusiasta retro, podendo este comprar o jogo na sua totalidade ou escolhendo os títulos individualmente. É que dá-se o caso de alguns jogos, especialmente entre os fighting games, repetirem a colecção recente de “fighting games”. Se não adquiriram alguma destas colecções, recente ou mais antiga, este Capcom Arcade 2nd Stadium contém alguns dos mais emblemáticos jogos de luta, com destaque para todo o segmento Alpha de Street Fighter, a juntar ao jogo comemorativo dos 15 anos da série Hiper Street Fighter II: The Anniversary Edition e o original Street Fighter, de 87.

Com os lutadores “chibi”, Super Gem Fighter Mini Mix é um fighting game do tipo cute que acresce a Super Puzzle Fighter II Turbo, cujo sistema de puzzle se mostra viciante e peculiar, no entanto muito diferente de um fighting game. Darkstalkers com a sua sequela Revenge e a terceira entrada denominada Vampire Savior, forma uma outra série “adjacente” de Street Fighter, robustecendo a oferta, especialmente se não adquiriram as mais recentes colecções retro da Capcom. 2nd Stadium é assim uma óptima solução se os fighting games são da vossa predilecção.

Mas se estes jogos são porventura dos mais conhecidos, o interessante desta segunda vaga de jogos arcade é a manutenção de alguns jogos mais obscuros e menos conhecidos do grande público. Sucede com Pnickies, um jogo de puzzles lançado pela primeira vez fora das arcadas. Exed Exes, um shmup vertical de 1985 que recupera os primórdios de um género, reaparecido em algumas colectâneas retro, mas não tão conhecido do grande público. Gun Smoke inscreve-se num conceito próximo, agarrado à temática Western. Hyper Dyne Side Arms lembra Contra, da Konami, suportando um sistema de disparos dual.

Opções para gerir o salão de arcadas

No género beat’em up a oferta não é parca, com destaque para dois Mega Man: Power Battle e Power Fighters, com grandes e árduas lutas contra os “bosses” dos jogos da linha principal Mega Man. Knights of the Rounds e The King of Dragons complementam a lista, com duas boas opções dotadas de temáticas medievais, muita carnificina e golpes mágicos, ambos jogos reveladores de como a Capcom era capaz de surfar a crista da onda de um conceito que muito destaque teve no final da década de oitenta e princípios de noventa.

SonSon é um jogo gratuito que podem começar a jogar sem custo. Se preferirem podem adquirir jogos individualmente mas sai muito mais em conta o conjunto dos 32 jogos.

À semelhança de Capcom Arcade Stadium, podem descarregar o jogo sem qualquer custo e usufruir imediatamente de SonSon, um jogo de 1984, mais próximo de uma mescla de plataformas e puzzles, a lembrar Donkey Kong. Apesar da sua simplicidade não deixa de ser altamente desafiante. É um jogo em tudo menos vulgar. Mas o seu propósito é apenas o de servir como um aperitivo de uma grande refeição que o entusiasta não deixará de experimentar assim que descarregar a refeição completa, nos seus mais de trinta jogos.

A lista completa dos 32 jogos.

Não se encontrando qualquer um destes títulos jogos a correr no “hardware” original, a palavra central aqui é emulação, capaz de deixar os mais puristas da cena retro com a dúvida sobre a qualidade desta. Mas nada há aqui a apontar de negativo. A apresentação é perfeita e não se pode falar da existência de “lag”, que por vezes assola colectâneas e recompilações de clássicos. O reforço da qualidade do produto, à semelhança do original, é mais mais uma vez contemplado na quantidade de desafios ao nível da pontuação e dos tempos, com subida às tabelas de liderança online, gravação da posição e rewind. A gestão da dificuldade e batotas completam a panóplia de soluções. E não faltam as instruções respectivas dos 32 títulos títulos e a perspectiva como pretendem desfrutar visualmente do jogo, se a correr na própria cabine, com reprodução da máquina ou directamente com um dos filtros capaz de emular o efeito dos velhos monitores CRT’s, para uma imagem mais alargada. A inserção das moedas, através de uma pressão no analógico direito permanece como toque de abertura para uma experiência de outros tempos, sem o cheiro a tabaco.

No fundo é o acesso a um antro recheado de produções de outros tempos que aqui está em causa. Mas a qualidade da emulação é uma garantia de um salão com mais de 30 jogos oriundos das arcadas. Não poder jogar com outros jogadores por via online deixa-nos um travo amargo, especialmente pelos “fighting games”. Não sei se a Capcom irá lançar uma terceira fornada, mas com estas duas edições Capcom Arcade Stadium, a empresa japonesa agrega um vastíssimo e valioso conjunto de propostas arcade. À ausência do jogo online sente-se a falta de alguma novidade. Talvez o propósito seja esse, preservar a qualidade dos clássicos emulando as condições e o ambiente dos salões de jogos. Nisso Capcom Arcade 2nd Studio é uma das melhores propostas actualmente disponíveis.

Prós: Contras:
  • Mais de 30 jogos arcade
  • Emulação dos jogos e do ambiente de salão
  • Opções rewind e vidas infinitas
  • Tabelas de liderança
  • Dois ou mais jogadores a nível local
  • Manuais
  • Falta o modo online
  • Alguns jogos foram lançados há pouco tempo noutra colecção

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Sobre o Autor

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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