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A campanha de Call of Duty Modern Warfare 3 vale a pena ser jogada? Descobre tudo nesta análise.

Um penso rápido já usado.

É manifestamente evidente que foi realizada às pressas. A qualidade das missões é pobre, a narrativa tem lacunas básicas e a reciclagem transparece por todos os poros.

A procura da saudade e a reconstituição de obras passadas tornou-se numa estratégia proeminente na indústria dos videojogos, tendo a Activision adotado este método com a sua famosa série Call of Duty. Ao revisitar cenários e episódios marcantes, a franquia procura despertar sentimentos nostálgicos nos veteranos que já mergulharam nessas experiências, ao mesmo tempo que atrai novos jogadores que nunca tiveram a oportunidade de as experimentar. No entanto, para alguns, esta estratégia pode sugerir uma falta de inovação ou criatividade, uma vez que o legado da série Call of Duty persiste há mais de duas décadas, o que cria um desafio para a renovação de conceitos e ideias dentro do jogo.

Este artigo de analise é dedicado em exclusivo à campanha para um jogador, campanha esta que nos transporta, como já referido acima, para os melhores momentos da série Call of Duty. Mas de facto, e é mesmo um facto, estamos perante uma elaboração um tanto estranha, já que temos em mãos um narrativa que é jogável em pouco mais de 3 horas, o que suscita d´+úvidas e dá razões para as suspeitas de que estamos perante algo feito à pressa, de forma a colmatar um vazio, e que até pode dar razão às terias da conspiração de que este ano teríamos uma expansão para Modern Warfare 2, que passou a jogo completo para se intitular Modern Warfare 3.

Cover image for YouTube videoCampaign Trailer | Call of Duty: Modern Warfare III

Reciclagem, básico e desinteressante

A continuidade da campanha deste ano segue o enredo do ano passado, que por sua vez foi uma reconstrução do título de 2009. Expande os cenários anteriores, abre novos caminhos, esclarece vários conflitos e responde a questões pendentes. A narrativa mantém uma coerência aceitável, no entanto, o verdadeiro problema reside na sua concretização prática, marcada por uma execução desleixada. Existem acontecimentos que carecem de lógica e estratégias com objetivos que aparentam estar lá apenas para justificar o tempo investido na narrativa. Pode parecer contraditório dizer que a história é aceitável e depois criticar a falta de cuidado, mas esta lacuna manifesta-se sobretudo na execução de situações de jogo forçadas e sem lógica aparente. É percetível que muitas soluções relacionadas diretamente com a jogabilidade foram tomadas simplesmente "porque sim", sem uma justificação clara ou coerente.

Um dos momentos que ilustra esta falta de coesão acontece durante uma missão de infiltração num bunker inimigo. Somos acompanhados por um membro da nossa equipa que, sem uma explicação convincente, decide separar-se de nós. Somos então obrigados a atravessar um campo aberto até à entrada principal do bunker. No entanto, a situação torna-se cómica quando, depois de conseguirmos entrar, encontramos a nossa companheira que aparece inexplicavelmente através de uma conduta de ar. Surge então a questão: "Porque é que não seguimos os dois pela conduta de ventilação, evitando alertar os guardas no exterior e poupar tempo?" São escolhas desprovidas de lógica que caracterizam esta curta campanha para um jogador, que deixa o jogador a pensar na falta de

É impossível levá-lo a sério

Numa análise mais atenta, é difícil encontrar algo que realmente se destaque na campanha. A narrativa, embora tenha um potencial aceitável no papel, não é bem executada nos momentos de jogabilidade, o que resulta em missões desinteressantes e sem originalidade. Tudo parece uma reprodução sem inspiração, a deixar uma sensação de vazio após a conclusão. Outro ponto digno de registo é a IA, que oscila entre a superinteligência e a completa falta de sentido racional. Para além disso, é desconcertante a forma como por vezes os inimigos aparecem do nada, sem qualquer explicação ou razão plausível, o que acaba por destruir a imersão e as questões da lógica básica.

A campanha de Modern Warfare 3 não tem conteúdo que mereça ser explorado ou encarado de forma séria. É, francamente, uma experiência dececionante e parece um complemento apressado inserido ao pacote final. A falta de cuidado é evidente, nomeadamente na substituição de muitas cutscenes por comunicações de voz, com representações gráficas estáticas durante as interações entre personagens. Isto sugere que pode ter havido falta de tempo ou de prioridade para um desenvolvimento mais elaborado destes elementos.

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In this article

Call of Duty: Modern Warfare 3 (2023)

PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X/S, PC

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Adolfo Soares avatar

Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

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