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Brothers: A Tale of Two Sons Remake - Melhor do que o original?

Já estivemos a jogar!

Image credit: 505 Games

Costumo dizer que Josef Fares tem um certo toque de rei Midas: It Takes Two foi uma experiência extremamente divertida, levando o gameplay cooperativo a novas alturas com puzzles, plataformas e bosses imaginativos. A Way Out, por sua vez, adotou uma abordagem um pouco mais adulta, com uma história séria mas igualmente fascinante, repleta de reviravoltas e um fim surpreendente.

Recentemente, de maneira a completar a "trilogia" de Fares, joguei o Brothers: A Tale of Two Sons original. Já o tinha tentado há mais tempo, no computador, mas jogar no teclado era demasiado complexo para o meu pobre cérebro; por isso, mal recebi a Lenovo Legion Go, decidi experimentar novamente o jogo e, de facto, Fares não falhou desde o início da sua carreira como diretor.

Brothers: A Tale of Two Sons é um jogo especial

O que torna Brothers: A Tale of Two Sons diferente dos demais jogos é o seu esquema de controlos muito peculiar: cada joystick é usado para controlar separadamente cada um dos irmãos, que devem trabalhar em equipa para resolver puzzles e ultrapassar uma série de obstáculos. Isto obriga a uma ginástica mental muito forte, já que muito facilmente podes perder o fio à meada e confundir os controlos de cada personagem.

Cover image for YouTube videoBrothers: A Tale of Two Sons Remake - Announce Trailer | PS5 Games

Mas foi exatamente este esquema distinto que tornou o jogo tão especial, juntamente com a sua história melancólica, ambientes visualmente deslumbrantes e quebra-cabeças simples mas divertidos. Apesar do look "cartoonish", o estilo artístico escolhido assenta lindamente ao jogo, que conseguiu assim envelhecer muito bem: mesmo tendo sido lançado originalmente em 2013, fiquei boquiaberto com os diversos cenários e com o facto de correr a 60FPS fixos.

E numa partida curiosa do destino, poucos dias depois de jogar o jogo original, tive a oportunidade de experimentar uma demo de Brothers: A Tale of Two Sons Remake. Aquando do seu anúncio, muitos fãs questionaram-se da pertinência do remake, tendo em conta a beleza do original e o facto de o mesmo não ter sido lançado há assim tanto tempo. Agora que joguei ambos, concordo piamente com essas afirmações.

Seria de esperar que o remake ultrapassasse a versão de 2013 em todos os campos - gráficos de cortar a respiração, gameplay super fluido, quiçá conteúdos extras - mas esse não me parece ser o caso.

Gráficos e desempenho periclitantes

De facto, há uma melhoria visível nos componentes gráficos: temos melhores modelos, melhores texturas, melhores efeitos, melhores animações. Os rostos e cabelos das personagens são sem dúvida mais realistas do que os seus "irmãos" mais velhos, mas isso não foi o suficiente para criar uma imagem apropriada para a atual geração de jogos. Jogando com os gráficos na configuração mais alta possível, era impossível não notar múltiplos serrilhados e uma espécie de efeito pontilhado nas margens dos objetos. É sempre complicado explicar este tipo de opiniões por palavras, mas na hora que passei com a demo, não conseguia parar de pensar em como algo estava errado com os gráficos.

Image credit: 505 Games

A performance também foi desapontante. Vindo de 60FPS fixos do original, é uma diferença abrupta jogar Brothers: A Tale of Two Sons com uma taxa de fotogramas mais baixa que, de acordo com o contador da consola, podia chegar aos 19FPS. De facto, era possível ver um soluço aqui e acolá (nada propriamente dramático, apenas irritante) que afeta a experiência geral. Tendo em conta o tipo de jogo que é, não vejo a razão para quedas tão grandes.

No entanto, é importante fazer uma ressalva: a demo que joguei era ainda uma versão em progresso do jogo, não representativa do produto final. Dessa forma, é possível que muitos ou até todos os problemas referidos nesta preview estejam já corrigidos, e espero mesmo que o estúdio Avantgarden tenha trabalhado nesse sentido.

Um jogo que merece ser jogado

Penso também que houve um ou outro ajuste ao gameplay que resultou numa dificuldade ligeiramente acrescida. Em duas secções específicas, uma envolvendo um cão e outra um troll, morri várias vezes ao jogar a demo do remake, algo que nunca aconteceu com o jogo original.

Image credit: 505 Games

Em todo o caso, Brothers: A Tale of Two Sons é um jogo que merece ser jogado. É uma obra curta, que completarás em 3 horas, mas é tão belo e tão emocionante que pura e simplesmente não podes perder. O jogo faz algo que nunca vi antes num videojogo: usar os próprios controlos para ajudar na narrativa - se já jogaste o jogo, é possível que saibas exatamente a parte a que me refiro.

O meu medo é que o remake se pareça com a demo que joguei: quero acreditar que aquilo que experimentei foi uma build mais antiga e que, entretanto, tudo foi refinado e melhorado para se coadunar com a tecnologia de hoje. Caso isso não tenha acontecido, poderás estar mais bem servido com o original.

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Brothers: A Tale of Two Sons

PS4, Xbox One, PS3, Xbox 360, PC, Nintendo Switch

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Jorge Salgado

Redactor

Fã de cultura pop, séries jogos animes. É o nosso noobie.

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