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BoxBoy - Análise

Pensamento fora da caixa.
Eurogamer.pt - Recomendado crachá
Um jogo original, criativo, interactivo e a preço de saldo. Trabalho do Hall Laboratory dá um novo significado aos jogos de puzzles na 3DS.

Para lá das grandes produções e dos jogos triple A, que habitualmente tomam de assalto o espaço e destaque no calendário de lançamentos, a Nintendo continua a fazer chegar jogos que se destacam pela originalidade e veia criativa. Muitos destes jogos acabam por passar algo despercebidos, fruto de uma menor repercussão mediática mas que ainda assim e valendo-se de peculiares e inusuais mecânicas, produzem um apelo irresistível, deixando uma marca de qualidade nas consolas por onde passam.

Box Boy, oriundo do Hall Laboratory, um estúdio da Nintendo vulgarmente conhecido pelas produções em torno da personagem Kirby e onde Iwata trabalhou como programador, é um desses exemplos. Um jogo aparentemente simples, de grande acessibilidade, mas que rapidamente evolui à custa de um conjunto de mecânicas que raramente se repetem, desafiando o jogador em trechos tipicamente plataformas 2D e cheios de interactividade, com recurso aos botões da 3DS (mais do que o ecrã táctil), da qual é exclusivo.

A estética e o conceito em 2D das plataformas, passando pela simplicidade da movimentação da personagem, trouxeram-me à memória muitos clássicos desenvolvidos para a GameBoy, especialmente Super Mario Land e The Legend of Zelda Aceitem de resto esta comparação em tom lisonjeiro pois BoxBoy verte imensa originalidade e só com alguma cedência percebemos as equiparações.

Níveis mais avançados introduzem mecânicas muito inesperadas. De resto, adivinha-se a sequela.

A nossa personagem é um cubo com um par de olhos curiosos e duas pernitas que se assemelham a dois traços mínimos como que desenhados a lápis. Este rapaz quadriculado, salta e circula da esquerda para a direita em mundos bidimensionais minimalistas, atravessando abismos e escalando mais ou menos obstáculos, enquanto obtém coroas antes de chegar à porta de saída do nível, conseguindo a pontuação perfeita.

Se até aqui não teríamos mais do que um jogo assente em elementos replicados quase "ad nauseum" desde Super Mario Bros, o factor diferenciador, vital para o sucesso desta apreciável caixa de puzzles, radica na especial habilidade desta personagem que lhe permite extrair um número de blocos da mesma forma que uma galinha põe ovos, com a peculiaridade dos blocos estarem todos unidos e formarem até uma nova caixa à volta da personagem, recorrendo ao botão Y para gerir o esquema, enquanto que o d-pad permite escolher a direcção do conjunto de quadrados.

Estes conjuntos podem assumir as mais variadas formas: uma ponte, uma pequena escadaria, uma protecção sobre a cabeça para evitar raios laser, um percurso sobre espinhos. Podemos até arremessá-las e empurra-las depois de as deixarmos cair As possibilidades ultrapassam o nosso imaginário, deixando-nos muitas vezes com dificuldade à procura da solução.

Além disso, a manipulação de blocos é efectuada dentro de certas margens. Em cada nível existe um limite, que terão de respeitar, sob pena de não conseguirem a pontuação perfeita, isto é, todas as coroas. Com mais coroas poderão desbloquear novos mundos e aceder a mais níveis. Completando um nível obtêm ainda uma série de pontos que poderão trocar por itens de personalização de personagem (um chapéu, um bigode), músicas, desafios especiais e pequenos manuais digitais compostos por dicas para resolver os desafios mais complexos.

Um dos méritos do jogo reside precisamente na diversidade de ângulos e perspectivas atribuídos às mecânicas. Se nalguns puzzles a escolha parece mais óbvia, especialmente nos primeiros mundos, considerando que a mecânica depois de revelada é aproveitada ao longo de meia dúzia de níveis antes de passar para outra fase, mais à frente a solução requer mais algum pensamento, fora da caixa eventualmente. No caso de encravarem nalgum ponto poderão descobrir a solução usando uma moeda do pecúlio amealhado na consola, através de um quadro visual bastante claro.

Os níveis não são demasiado compridos, nem curtos. A dose é certa e pelo meio ainda há pontos de gravação que vos permitem recuar uma porção, segurando os botões L e R. Têm jogo para horas, podendo variar de jogador para jogador, mas não contem com muito menos de 5 horas, embora seja mais pequeno que Pullblox. O preço também conta. 5 euros e compra feita. Por tudo isto: originalidade, mecânicas e design (mesmo sendo minimalista é herdeiro dos clássicos de plataformas), BoxBoy é uma pequena gema, uma produção trabalhada e interessante. Um jogo de puzzles repleto de interactividade e dotado de mecânica bem implementada que o eleva e lhe empresta o toque de Midas.

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Sobre o Autor

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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