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Banjo-Kazzoie: Nuts & Bolts

Urso mecânico!

Nuts & Bolts deve ter sido de certo modo mais complexo de desenvolver para a Rare à medida que vinculou em definitivo a tríade constrói, modifica e diverte-te. É uma diferente perspectiva de encarar o Banjo, numa altura em que passam dez anos desde o último capítulo para a Nintendo 64. Fazendo desde a cara transferência exclusivos para a consola da Microsoft, a Rare continua a demarcar a sua ementa das demais produtoras. Embora Perfect Dark Zero e Kameo não tenham causado o golpe desejado é na ilusão óptica do regresso às plataformas, através do recrudescimento do Banjo, assim como nos jardins dos Piñatas que a companhia sediada na inglaterra continua a espalhar todo o charme.

Apesar de conservar um grande aspecto criador com particulares adaptações aos desafios propostos, Banjo e Kazooie permanece suficientemente distante de títulos que apostam na modelação profunda como Little Big Planet. Ao contrário deste e até onde a vista alcança há um universo concebido e dinâmico balizado por traves mestras e sinais de expressão da Rare como o humor britânico refinado e uma concepção artística típica de uma festa de aniversário pintada de fresco. É como se ao fechar da porta de uma Toys’R Us e apagar da última luz todos os bonecos e brinquedos ganhassem vida e fizessem entre eles uma “rave party” excêntrica, com cortes de editor cinematográfico (que o Nuno Markl adoraria dirigir), acrobacias, voos rasantes, entre outras inúmeras adições. À cabeça está Banjo, o incontornável urso de mel da empreitada e que leva às costas dentro de uma mochila a inseparável Kazzoie cujo papel não é de menor relevância.

O jogo arranca bem no centro de Showdown Town o hemisfério central e ponto de partida para outras dimensões (cenários) onde os nossos heróis terão de completar uma série de actos – o primeiro é genialmente apresentado com uma música a lembrar a intro da série o Barco do Amor - , sendo vital recolher peças de puzzle e notas musicais. Ganhas essas peças nos desafios propostos há depois que transportá-las para um imenso mealheiro e quantos mais “jiggys” acumularem outras portas se abrem. A utilização do cajado mágico para erguer e deslocar as peças possibilita uma transposição para a margens das plataformas à medida que os jogadores se embrenharem na busca por caixas com peças a entregar na loja de mecânica do Mumbo. Para abrir mais portas, que exigem um número variável de jiggys, é preciso recolher, em pontos diversos, esferas de jogo e levá-las dentro de um insípido carro de compras até a um ponto específico. Falta aguardar pela versão completa para descobrir até que ponto estes estreitos segmentos de plataformas terão uma dificuldade acrescida e empenhada na medida dos bloqueios gerados pelas personagens dispostas a impedir os planos de Banjo e Kazooie.

Banjo e Kazooie em Showdown Town. Por enquanto não tem nenhum jiggy.

Showdown town é uma cidade ampla que fica longe de se reduzir ao mero centro. Para lá de algumas colinas avistam-se edifícios grandiosos e outras construções sendo por isso expectável que o jogo tenha uma boa longevidade. A surpresa naquele centro continua pela existência do ciclo dia/noite. Os transeuntes vagueiam pelo meio mas afastam-se e reagem a eventuais atropelamentos causados pela condução descuidada do urso tosco. E quando se observa de perto a concepção artística das imensas personagens centrais, salientando por exemplo o crânio Mumbo, o jacaré Klungo, a Piddles, o Bottles e a maquiavélica Gruntilda com a sua ralé de escudeiros roliços propensos para a troça e coro de risadas de escárnio, ao jeito os olharapos da Expo 98, a pauta de diálogos alcança a escala do humor refinado e comédia permanente.

Mas é a partir da Mumbo Motors que o jogo arranca, sem paralelo, para uma série de desafios que requerem a nossa melhor compreensão e habilidade para superar o problema, através do fabrico e manuseamento de veículos. Esta nova abordagem pode deixar um travo de abandono para os “habitués” nos jogos em plataformas, embora esse desconforto na supressão do esquema plataformas vá dando lugar a uma ocupação imediata na forma de controlo de veículos, sendo uma diferente forma credível de superar os desafios. É na forma como as viaturas reagem aos elementos do cenário, através das leis da física, que se põe à prova a brutal concepção dos espaços, devidamente pormenorizados, assim como a propensão do jogador para fabricar o veículo mais adequado perante o objectivo do acto.

Banjo, preciso da tua ajuda!

E para já, a Rare não complicou o esquema de edição. Embora haja muitos segmentos da viatura que requerem escolha, com uma panóplia imensa de peças, a montagem revela-se simples e permissiva na facilidade de visualização de ângulos para a melhor disposição das peças, pelo que tudo depende não só do número de caixas encontradas, que garante mais peças – e há-as em número limitado -, mas fundamentalmente na capacidade de as juntar da melhor forma. A quantidade de peças e componentes disponíveis será outra das grandes virtudes neste editor de veículos. Desde motores, propulsores, depósitos de combustível, asas, hélices e turbinas as possibilidades são enormes pelo que é possível desenvolver as mais variadas criações para a terra água e ar, sem deixar de fora a possibilidade de criar adaptações anfíbias. Porém, os veículos construídos na Mumbo Motors não podem ser utilizados na Showdown Town. Nesse caso estarão sempre sujeitos ao carrinho de compras.

Com as roldanas do jogo em funcionamento e tendo por base o cenário apresentado na demonstração, a Banjo Land entra em funcionamento, qualquer coisa como uma Las Vegas dos videojogos em permanente rotação. A música capricha no andamento dos olharapos e ao jeito das bandas marciais também entra na nota humorística e para a comédia.

Numa altura em que jogos como Little Big Planet e Spore deixam na mão do jogador o critério de edição e progressão é interessante constatar como a mais recente proposta da Rare salta para o conceito do faz tu mesmo numa série que se julgava, à partida, voltar a abalar no território das plataformas. Os modos de jogo em cooperação entre os amigos ligados ao Xbox Live prometem alargar a competição pelo veículo mais eficaz para romper na tabela de liderança e por alguns actos já deu para ver que completar alguns objectivos em no modo cooperativo é essencial como pode vir a ser um confronto de proporções épicas.

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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