Xbox Series S review: jogos de próxima geração a baixo preço e com estilo

Pequena e sem leitor de discos.

Poderia ser dito que a Xbox Series S é uma consola anti-Digital Foundry. Desde logo, a sua missão não é entregar uma apresentação visual de topo. Ao invés disso, a proposta é permitir acesso a videojogos de nova geração sem gastar 499 euros. Combinado com o Xbox All-Access ou como compra pensada para o Xbox Game Pass, é uma máquina desenhada para permitir acesso aos jogos de hoje e amanhã sem ter de esperar alguns anos por uma descida de preço das consolas mais poderosas, algo que a Microsoft diz que poderá nem acontecer.

A Series S entrega exatamente o que pretende, mas não é uma máquina anti-DF, longe disso. Desenhada lindamente, irresistível ao vivo e num mundo de incerteza económica e um crescente foco na sustentabilidade, é a mais eficiente e barata máquina de nova geração. Tem os seus contras, mas conseguiu o seu objetivo e com um estilo genuíno.

Começa com a embalagem, atrativa no exterior que apresenta muito bem a máquina no interior, muito bem embrulhada no centro e com os acessórios no topo. Tem o mesmo cabo HDMI 2.1 que está na Series X, uma versão branca do novo comando refinado e umas pilhas. A iniciação é muito simples, fica ainda mais fácil com a app Xbox mobile que interage com a consola e leva-te ao longo de todos os passos para atualizar a máquina, processo que parece demasiado longo e um dos principais problemas que a Microsoft não removeu ao transitar de geração.

Assim que a consola está atualizada, fica nítido que a Series S tem o mesmo estilo que a irmã maior, o que não surpreende pois ambas apresentam conjuntos CPU Zen 2 e discos SSD de topo, classificados com 2.4GB/s de leitura sequencial. As melhorias "qualidade de vida" ofereceridas pela Series S sobre as anteriores não podem ser subestimadas. Ao escrever esta análise, estou a tentar copiar Gears 5 de um SSD externo para o interno de uma Xbox One X para terminar a tabela de consumo energético e a lentidão e lag são mesmo maus. O que me incomoda mais é pressionar um botão e esperar segundos pela resposta. As consolas Series são uma grande melhoria nisto e isso aplica-se a todas as áreas da interface. A dash a 1080p é idêntica à da Series S e isso aplica-se também às saídas. Poderá ser uma máquina adequada para jogos a 1080p e 1440p, mas tens na mesma as saídas 4K 120Hz HDR e o mesmo bloco de codificação media 4K que está na Series X.

A proposta da Microsoft para a Xbox Series S.

Xbox Series vs PS5 - comparativo de especificações

Tudo isto leva-nos para uma comparação de especificações a questão da economia. A Series S apresenta o mesmo core CPU Zen 2 da Series X, a correr com um défice de 200MHz, a Microsoft diz-nos que é na sua maioria uma questão de diferenciação de produto, mas sente-se como um corte que não precisava ser feito. A GPU também é da mesma classe da que está na Series X, simplesmente mais pequena. As 52 unidades computacionais AMD RDNA 2 da Series X encolhem para 20, com relógios reduzidos, o que nos dá 4TF de computação GPU contra 12.2TF da Series X. A memória desce de 16GB para 10GB, com 8GB disponíveis para jogos. A largura de banda da memória também foi muito espremida, os 560GB/s da X foram reduzidos para 224GB/s na S.

Vale a pena relembrar que apesar destes cortes serem severos, todas as principais funcionalidades da Series X estão presentes. A GPU é mais pequena, mas usa na mesma a especificação RDNA 2 completa, inclui rate shading, ray tracing acelerada por hardware, mesh shaders e otimizações no streaming de texturas através da shader feedback sampling. Em termos da interface também é tudo igual. A Quick Resume está presente para aceder rapidamente ao ponto onde paraste de jogar (apesar de ão estar a funcionar corretamente na altura da análise, algo que a Microsoft está a correr para corrigir). Superficialmente, não notarás nos cortes na experiência Series X, com a exceção da resolução nos jogos. Onde os cortes se tornam visíveis é quando a proposta começa a perder algum do brilho.

Começa com o SSD, promovido como de 512GB, mas que te dá apenas 364GB de espaço útil. Num mundo em que um disco de 1TB (com 902GB utilizáveis) custa tanto quanto a consola, isto apresenta um problema numa era em que cada vez mais jogos ultrapassam os 100GB. É um problema, mas vale a pena ter em conta que 40-50GB é a média. Jogos Xbox mais antigos podem correr de qualquer dispositivo USB que queiras usar, mas seja para jogos de nova geração ou clássicos, vais alcançar o limite do SSD da Series S rapidamente e terás de pagar por mais espaço. O segundo grande problema é a natureza exclusivamente digital do produto, com sérios limites onde podes comprar jogos e quanto pagas por eles. Claro que o Xbox Game Pass equilibra um pouco isto, com o seu valor surreal. É descrito como o melhor negócio nos videojogos e é difícil contrariar isso.

series2
O alinhamento das novas Xbox Series.
Xbox Series X Xbox Series S PlayStation 5
CPU AMD Zen 2 com 8 cores - 3.8GHz/3.6GHz (SMT ativa) AMD Zen 2 com 8 cores - 3.6GHz/3.4GHz (SMT ativa) AMD Zen 2 com 8 cores - relógio variável até 3.5GHz (SMT ativa)
GPU AMD RDNA 2 - 52 UCs a 1.825GHz (12.2TF) AMD RDNA 2 - 20 UCs a 1.565GHz (4TF) AMD RDNA 2 'personalizada' - 36 UCs até 2.23GHz (até 10.3TF)
Memória 16GB GDDR6 - até 560GB/s 10GB GDDR6 - 224GB/ 16GB GDDR6 - 448GB/
Armazenamento 1TB SSD - 2.4GB/s 512GB SSD - 2.4GB/s 825GB SSD - 5.5GB/s
Espaço útil no armazenamento 802GB 364GB 667GB
Drive ótica 4K UHD Blu-ray Não 4K UHD Blu-ray (ausente na Digital Edition)
Preço 499 euros 299 euros 499 euros (Standard) 399 euros (Digital)

Xbox Series S: consumo energético e análise às temperaturas

A Series S é o sistema de nova geração menos poderoso por isso faz sentido consumir menos energia. O SoC reduzido ocupa 55% menos espaço do que na Series X por isso é mais eficiente debaixo de carga, presumivelmente devido às frequências inferiores da CPU e GPU. Na tabela em baixo, verás o consumo energético das versões de anterior e nova geração e o consumo é muito similar entre a One S e a Series S e os modelos X.

Escolhi Gears 5 para teste porque penso ser o jogo mais exigente no consumo e estes picos de consumo são os maiores registados no primeiro capítulo do jogo. Aqui, a Series S exige 113% mais energia do que a One S (limitada a 30fps) por um aumento de quase 3x na performance GPU e 4x na CPU. Parece mesmo que a Series S chega ao ponto perfeito em termos de performance por watt. A Series X exige 23% mais energia sobre a One X. Uma coisa a ter em conta é que Gears 5 é mesmo exigente. Os outros jogos Series S consomem menos 10W.

As fotografias com as temperaturas mostram resultados fascinantes. Talvez devido ao seu tamanho mais pequeno, a Series S é a mais quente das novas consolas. Talvez não surpreenda, se pensarmos que está a par ou mais exigente no consumo do que a One S, que é maior. Dito isto, a construção da Series S é simples, mas eficaz. A grande ventoinha fica por cima do processador principal, expelindo o ar pela ventilação preta. Nos meus testes, o máximo registado foram 67 graus Celsius, maior do que o máximo na PS5 e Xbox Series X. No entanto, a máquina é um pouquinho mais silenciosa que a Series X.

Consumo energético Xbox Series S Xbox Series X Xbox One X Xbox One S
Desligada 0-1.5W 0-2W 0.5W 1.5W
Instant On Standby 16W 29W 39W 11W
Dashboard 25W 42W 48.5W 22.5W
Gears 5 (Pico) 82.5W 210W 173W 73W (30fps)
  • A Microsoft disse-nos que estão a caminho melhorias no consumo Instant On para a Series X.

Series S: o marketing de jogos 1440p tem fundamento?

É um factor crucial. Não vejo nada errado com a noção de apresentar duas consolas diferenciadas pelo seu poder GPU (apesar de uma pequena diferença no relógio ser difícil de justificar, porquê dar aos estúdios mais uma preocupação?) e a Microsoft sugeriu que a Series X entrega 4K nativa, enquanto a Series S correrá a 1440p. A mensagem sugere tudo de bom, se tens ecrãs 1080p, a 1440p dá-te uma boa super-sampling anti-aliasing, melhorando a qualidade de imagem. Entretanto, quatro anos a jogar na PS4 Pro ensinaram-nos que apesar de 1440p não ser o ideal, tem na mesma melhor aspeto que a 1080p num ecrã 4K.

O problema no marketing da Microsoft é simples, os jogos apresentam diferentes exigências em diferentes configurações, algo que verifiquei em Março quando montei um PC AMD RDNA 4TF e o comparei com equivalentes com especificações similares às da PS5. Por um lado, tens Gears 5 no qual a The Coalition alcança as aclamações da Microsoft, apesar disto ser difícil de verificar devido à resolução dinâmica nas duas consolas Series. No resto, o marketing tem fundamento. Forza Horizon 4 corre a 4K nativa na Series X e a 1080p na Series S, o mesmo com Sea of Thieves. Na verdade, os estúdios da Microsoft não fundamentam o marketing da dona da consola.

O meu problema não está na máquina, mas sim no marketing pois se existe paridade de funcionalidades entre a Series X e a Series S, a 4K e 1080p, respetivamente, não há problema. É isso que acontece com Forza Horizon 4 e existem outras surpresas adoráveis. Ori and the Will of the Wisps, um dos mais belos jogos Xbox corre a 4K60 ou a 1080p120. The Touryst corre a 4K60 como na One X. Pelo outro lado, Watch Dogs: Legion pode manter a ray tracing e 30fps muito estáveis, mas a redução na qualidade das texturas, sombras e muito mais é demasiado percetível. Também realça outro problema, se um jogo 4K Series X é convertido para 1080p na Series S, o que acontece quando a X usa resolução dinâmica? No caso de Legion, varia entre 900p-1080p contra 1440p-2160p na Series X e como as imagens em baixo mostra, poderá ser problemático um ecrã grande na tua sala.

Temos apenas um número limitado de jogos para testar, mas na maioria, a Series S aguenta-se bem como uma consola barata e se queres uma versão de menor resolução da experiência Series X, é o que terás, mas tenho a sensação que a perspetiva a longo prazo da máquina estará muito relacionada com a facilidade de escalonamento e como continuará a ser ao longo da geração. Também parece existir alguma elasticidade em quais funcionalidades surgem nas duas consolas. Watch Dogs: Legion mantém ray tracing, mas está ausente em Devil May Cry 5: Special Edition, o que sugere que não é tão simples e direta o escalonamento entre as duas consolas. Além disso, um jogo com RT numa consola e não na outra sugere que a Microsoft permitir que isso fosse feito.

Xbox Series X Xbox Series S
A The Coalition puxa mesmo pelo hardware Xbox, Gears 5 aguenta-se bem na Series S, mas a qualidade das texturas é inferior. As cutscenes correm a 30fps na Series S e a 60fps na Series X.
Xbox Series X Xbox Series S
O gameplay corre a 60fps fixos vs 60 fps fixos. Existe uma nítida diferença na nitidez devido à resolução, mas a Series S tem um bom aspeto geral.
Xbox Series X Xbox Series S
Gears 5 corre com conversão dinâmica que varia entre 1080p e 2160p na Series X, comparado com 720p a 1440p na Series S.
Xbox Series X Xbox Series S
É uma questão de claridade e diferenças na cor entre a Series S e a X, mas a performance é muito idêntica.

Acredito que a qualidade da Series S esteja relacionada com o interesse do estúdio pela consola. Perto do final da anterior geração, vimos vários estúdios com problemas na Xbox One S e isto refletiu-se na qualidade de muitos jogos que testámos. Existem comparações com a Series S, mas apenas até certo ponto. Existe muito mais em comum entre as duas do que existe entre a One S e a One X, a conversão deverá ser mais fácil. Mais uma vez, a preocupação é o poder GPU inferior da Series S e o corte selvagem de 5.5GB na memória.

A Xbox não é apenas sobre os jogos de amanhã, tem um forte investimento no legado e um aspeto da Series S que não pode ser menosprezado é o suporte retrocompatibilidade. É bom, mas varia dramaticamente da Series X e até da PS5 num aspeto chave, corre versões melhoradas de jogos One S, não One X. Isto significa que as grandes melhorias documentadas em anteriores artigos de retrocompatibilidade não se aplicam à Series S pois eram na maioria jogos 4K com opção de rácio de fotogramas desbloqueado, terreno fértil para despoletar o poder extra na CPU e GPU.

Com a Series S, tens versões mais refinadas dos jogos One S, a maioria deles com o alvo de 30fps. A não ser que a Microsoft ou o estúdio faça alguma coisa, não se pode fazer nada. Vimos uma demo de Fallout 4 a 60fps que usa uma técnica para duplicar os fps que a equipa de compatibilidade desenvolveu, adoraria ver mais aqui, mas nesta fase de análise, a Series S corre o jogo a 30fps. Sumariza a maioria dos aprimoramentos que verás no geral, os mesmos visuais que a Xbox One S, mas com filtro anisotropic 16x e uma performance fixa no alvo estabelecido originalmente. Resumindo, a Series S não consegue quebrar o limite de 900p com o qual muitos jogos One S operam.

Existem mais positivos na retrocompatibilidade. As versões Xbox One X Enchanced dos jogos Xbox 360 estão na mesma Enhanced, com um multiplicador de 2x2 na resolução vs o aumento de 3x3 na One X, 720p nativa passa para 1440p ao invés de 4K, o que fica melhor do que esperava. Além disso, a One X e até a One S podem ultrapassar as limitações CPU da Xbox 360, mas existem na mesma alguns problemas em alguns jogos, a Series S resolve isso sem problemas. Também existem sinais promissores em termos da Xbox original. Star Wars: Republic Commando corre a 60fps fixos, ultrapassando a performance na Xbox One X, que podia descer para 40s. Mas a sério, a melhor forma de jogar jogos clássicos, especialmente os da era Xbox One, é na Series X. Entretanto, a PS5 está igualmente bem equipada para melhorar jogos PS4 e PS4 Pro.

Xbox Series X Xbox Series S
Ray tracing acelerada por hardware numa consola de 299 euros? Podes acreditar. Existem cortes obviamente, a resolução é o maior deles. Corre entre 900p a 1080p na Series S e 1440p a 2160p na Series X.
Xbox Series X Xbox Series S
Os reflexos são de resolução inferior e as sombras também estão inferiores.
Xbox Series X Xbox Series S
Os reflexos ray tracing são gerados a 1080p na Series X e a 720p na Series S.
Xbox Series X Xbox Series S
Com a exceção da resolução, a RT parece ser muito idêntica.

Conclusão: um tipo diferente de consola de próxima geração

A Series S é uma grande ideia e talvez a consola certa no momento certo. Se não és um jogador hardcore e procuras uma máquina Game Pass, é uma oferta brilhante, existe espaço suficiente para inserir alguns jogos e a falta de drive ótica não é problema. Se compraste uma PS5 e estás interessado no Game Pass ou jogos da Xbox, podes comprar uma Seres S sabendo que é na mesma potente e que os jogos da Xbox vão correr bem na consola menos poderosa. E apesar de muitos cortes nas especificações parecerem brutais, diverti-me imenso com ela. Sim, existem compromissos, mas penso que qualquer pessoa que a vá comprar sabia disto e não quer a absoluta melhor qualidade.

Mas sim, para os jogadores mais tradicionais, que não procuram um serviço por subscrição, a Series S poderá ter menos apelo. Se queres um bom conjunto de jogos imediatamente disponíveis para serem jogados, precisarás de mais espaço e isso é caro o suficiente para tornar os 100 euros extra da PS5 Digital Edition num bom negócio. Tens o dobro do armazenamento e ainda uma máquina muito mais potente. Mas isto acreditando que encontrarás uma Digital Edition para comprar. Podemos presumir que a Sony está a perder dinheiro na PS5 padrão e ainda muito mais no modelo digital, o que sugere um número muito reduzido de unidades fabricadas.

Acabarei este artigo a falar de algo importante. Quando vi a consola em Março apaixonei-me de imediato. O formato é irresistível, o design quase perfeito. Existe sempre um grau de desejo associado a um produto miniaturizado e a Series S encaixe nesse conceito, mais do que qualquer outro produto recente de tecnologia no qual consigo pensar. Talvez seja apenas o seu pequeno tamanho ou talvez a Series S me lembre como eram as consolas em termos de formato e diversão.

O charme da Series S fica ainda mais apelativo quando comparada com a mais poderosa e um pouco inconvenientemente larga consola que chega a seu lado. Esta nova Xbox é um produto brilhante que podes levar para qualquer lado. Devia ter-me focado no corte nas especificações, nas dificuldades acrescidas para os estúdios, a natureza exclusivamente digital. Ao invés disso, fiquei entusiasmado com o formato e no quão fixe é a consola. Seja qual for a consola de nova geração que vais comprar, uma coisa é certa, a Microsoft sabe como desenhar e construir hardware brilhante.

Salta para os comentários (64)

Sobre o Autor

Richard Leadbetter

Richard Leadbetter

Technology Editor, Digital Foundry  |  digitalfoundry

Rich has been a games journalist since the days of 16-bit and specialises in technical analysis. He's commonly known around Eurogamer as the Blacksmith of the Future.

Conteúdos relacionados

Também no site...

Comentários (64)

Ignora piores comentários
Ordenar
Comentários