Too Human • Página 2

Ambição ou perdição dos deuses nórdicos?

Com botões para realizar diferentes acções como saltar, desviar, disparar ou usar magia, um botão para controlar a camera não existe, sendo este um dos principais problemas a afectar Too Human. Por muito bom esforço que o jogo consiga fazer para cobrir toda a acção, a tentativa de mover uma camera que não pode ser movida está sempre presente e facilmente acabamos por executar ataques quando queríamos mover a camera. No entanto foram várias as ocasiões que queríamos saber de onde vinham os disparos mas não conseguíamos visualizar os inimigos. São pequenos problemas que vão afectar mais uns do que outros mas é também uma das características mais marcantes presentes neste jogo.

Talvez com o hábito tal seja ultrapassado, e com o desenvolver do jogo e da sua história o gosto vá-se estabelecendo, mas durante uma demo a sensação não foi a melhor. Mesmo olhando para o resultado como um todo, Too Human consegue um resultado positivo se bem que facilmente se deixa cair numa sensação de repetição. Executar os mesmos movimentos, carregar nos mesmos botões. O Dinamismo pretendido facilmente pode dar em aborrecimento. Os movimentos são repetidos em demasiada e nada mais temos que fazer do que caminhar em frente, derrotar os inimigos e caminhar em frente.

Raramente uma demo conseguiu deixar antever um jogo com tantos altos e baixos, mas essa é a sensação transmitida. Prova disso são os gráficos do jogo, e quando pensamos que até conseguem apresentar-se num patamar positivo, rapidamente nos surpreendem pela negativa. Planos de camera perto das faces dos personagens e alguns ângulos conseguem dar a Too Human um aspecto agradável mas facilmente ficamos desiludidos. Ambientes imponentes e até grandiosos são manchados por algumas texturas de baixa qualidade e Too Human não consegue ultrapassar outros jogos já existentes no mercado. Mesmo em termos de design, as personagens e os inimigos não são propriamente a melhor coisa que alguma vez vamos ver num videojogo. A personagem principal parece ter tanto carisma quanto as portas geladas do templo onde decorre este nível e a oportunidade de criar laços entre jogador e jogo é como se não existisse.

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É quase impossível não notar na tentativa de atingir um resultado épico e uma sensação de grandiosidade. Salas enormes e locais que misturam o tradicional com o futurista e até belos cenários mostrados através de ângulos de camera cujo objectivo é aumentar a sensação cinematográfica. Quase que nos forçamos a gostar daquilo que nos é apresentado mas um bom jogo não precisa de forçar pois naturalmente causa esse efeito. É essa estranha sensação que nos deixa intrigados com Too Human. Parece ter argumentos para se tornar num grande jogo mas ao mesmo tempo parece ter falhas para o tornar numa experiência a passar ao lado.

Too Human perspectiva-se como um jogo que irá dividir os jogadores e será um caso a apelar a extremos, ou se adora ou se odeia. Muitos vão tomá-lo como ambicioso enquanto outros vão encará-lo como uma experiência falhada. Para confirmar tal teremos que esperar pela versão final.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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