Monster Hunter Tri

Três? A quatro tem mais piada.

Curiosamente, Monster Hunter apela-me na mesma ordem de razão em que me irrita. É um balanço frágil e tenho até alguma vergonha em admitir que vejo exactamente de que forma o jogo está desenvolvido para apelar à minha ganância. Modéstia à parte, sou bom a jogar isto. Seja pelas minhas capacidades natas astronómicas (nem por isso) ou pelas dezenas de horas que lhe dediquei, não tenho qualquer problema em dizer que sou um "caçador" bastante competente.

E a minha irritação, suponho, é a mesma de todos aqueles que experimentaram o jogo. É a energia que se perde por ganância, pela ânsia de dar mais uma ou duas mocadas no gigante bicho. É a falta de paciência para ficar a observar os padrões do inimigo e recorrer a aprender por tentativa. É toda a diversão em que isso se traduz. Quer dizer, esta última não é uma irritação, mas as coisas confundem-se.

Excurso pessoal à parte, Monster Hunter sempre foi uma franquia cujo apelo residia na simplicidade das rotinas de inteligência artificial dos monstros. Por estranho que pareça, essa simplicidade é comparável a uma bestialidade inerente, o comportamento destes inimigos corresponde àquilo que seria de esperar de um comportamento irracional.

E os frágeis – e minorcas - humanos podem fazer tanto... Rebolar pela paisagem, colocar armadilhas pelo terreno, brandir afiadas armas. Até podem afiar a sua arma em poucos segundos, ou fazer uma pausa para cozinhar um naco de carne e recuperar alguma energia. Chegam ao cúmulo de se juntarem em grupos de até quatro caçadores e atacar os bichos em simultâneo.

E no entanto o irracional por vezes surpreende-nos e mesmo quatro heróis não chegam para deitar abaixo algo cujo único trunfo reside, por exemplo, na extremamente densa protuberância que repousa no topo da sua cabeça. Nisso e na ímpeto com que a enfia nos humanos, claro.

No fundo é uma ponderada tarefa de compreensão, de estudo. Perceber até que ponto é irracional o seu desempenho, interrogar até que ponto essa irracionalidade pode realmente ser explorada. E depois vem o culminar de todo o processo, o momento em que – muitas vezes pela terceira ou quarta vez – o monstro cai abatido no chão. Será que é desta que não se levanta mais? Parece que sim, toca a esmifrá-lo para componentes para a minha armadura nova.

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Este estranho personagem, ChaCha, passa a ser o nosso ajudante quando estamos a jogar sozinhos.

Matar as grandes bestas é uma viagem, o passo final na caçada do monstro que jaz inanimado à nossa frente é o primeiro passo na contenda pelo bicho que a ele se seguirá. Não esquecer que Monster Hunter tem, no seu cerne, uma componente de rpg. As bonitas armaduras e espadas míticas que a demonstração deste jogo coloca, sem diligência, à disposição, são o fruto de dezenas de caçadas e centenas de buscas nos cadáveres dos monstros mortos pelos componentes usados para as fazer.

E a caçada de um grande monstro não é coisa que se faça logo à partida. Primeiro há que matar os pequenos - quer dizer, continuam a ser maiores que os humanos...Mas chamemos-lhe pequenos. - monstros que habitam os diferentes cenários. É preciso dar azo à nossa vertente de recolector e colher da natureza tudo o que necessitamos ou que tenha valor para depois investirmos na nossa quinta pessoal.

Monster Hunter pode retratar um mundo selvático onde se mata ou morre, mas no final do dia o caçador pode sempre ir acertar as pontas e dar uma volta pela vila.

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