Mirror's Edge

Saltar ou morrer.

A Electronic Arts tem feito aquilo a que se chama “dar uma chapada de luva branca” a todos aqueles que criticaram a companhia devido à sua estratégia de marketing. Depois de vários anos a reciclar sucessivamente títulos de qualidade inferior, eis que a gigante americana aposta finalmente numa corrida na qual há muito deveria ter entrado. Uma corrida onde se luta pela inovação, aliada a uma vontade única de vingar num mercado já saturado por ideias constantemente repetidas e utilizando como argumento o lançamento de novos IP’s.

Assim nasce Mirror’s Edge, um título trazido a cargo pela DICE, a mesma produtora responsável pela mais recente incursão de Battlefield no mercado. Mas se por um lado se pode dizer que o sucesso e qualidade de alguns dos mais recentes títulos da companhia é justamente questionável, já Mirrors Edge aparenta ser uma experiência longe do “questionável”.

As expectativas eram altas pois há muito que esperava por colocar as mãos em cima desta nova experiência. Apresentando uma liberdade incomum a este tipo de jogos, Mirror’s Edge acaba não só por nos apresentar uma nova experiência, o Parkour, como também uma nova forma de encarar estes jogos na primeira pessoa. Tudo é visto no ecrã, desde as pernas, braços e mãos de Faith (a personagem principal), até aos movimentos e implicâncias que daí advêm.

Existem jogos em que por mais que tente procurar, nunca chego a encontrar um propósito, algo que me faça perceber porque é que isto ou aquilo acontece da maneira X ou Y. Em Mirror’s Edge sinto que existe um propósito na maneira como tudo é feito e recriado – nada acontece por acaso.

Todo o visual simplista, toda a paleta de cores ou até mesmo o menosprezar de certos elementos no cenário são escolhas da equipa de produção na tentativa de enfatizar certos elementos de importância acrescida. O simples facto de não existir sangue ao atingirmos os inimigos demonstra o quão pouco importante é o papel das armas neste jogo. Mirror’s Edge apresenta-nos uma acção que se desenvolve num ambiente aberto e com centenas de interpretações possíveis, a inovação no verdadeiro sentido da palavra.

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Tens medo das alturas?

O vídeo de apresentação do jogo é só mais um sinal da excelente apresentação do jogo. Com uma secção animada de imagens que começa por nos apresentar um pouco da história, este jogo deixa-nos com água na boca mesmo antes da verdadeira experiência começar.

Os cenários apresentam um grafismo muito próprio. Seria fácil olhar para qualquer um destes cenários, sem estar a jogar, e facilmente perceber que deste jogo se tratava, tal é a ligação entre todos os elementos do jogo. Desde efeitos de partículas, luzes até ao vento a bater nos placards sobrepostos com panos, tudo é cuidado até ao mais ínfimo pormenor e, tenho para mim, a ideia de que tudo é feito com este propósito de que falo, escolhas artísticas.

Assim, este jogo revela-se um estrondo graficamente, mas não só. Com uma escolha de ambientes completamente nova e diferente do usual, Mirror’s Edge leva-nos a tomar constantes decisões em relação ao melhor ou mais curto caminho a escolher. Não tanto no modo história, onde a vontade constante de apreciar os cenários e a beleza do jogo se sobrepõe à necessidade de jogar para não morrer.

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Sobre o Autor

Ricardo Madeira

Ricardo Madeira

Colaborador

É redator e dá voz à Eurogamer Portugal. É um dos mais antigos membros da equipa, e ao mesmo tempo um dos mais novos. Confusos? É simples.

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