A realidade dos céus no epicentro da segunda guerra mundial era imponente e grave. Mas também havia um forte carácter nobre que espalmava a forma torpe e desumana do confronto terrestre. No céu travavam-se autênticos duelos. Os vencedores dos confrontos aéreos (dogfights, assim denominados desde a primeira guerra), tantas vezes os ases, austeros e corajosos, contribuíam para a supremacia aérea e acumulavam sucessivas vitórias, às dezenas, e gloriosamente arquivadas sob a forma de pequenas barras pintadas à mão na fuselagem do aparelho que os puxara para o alto. Figuravam para a fotografia a preto e branco. Tinham orgulho na imagem. Era uma espécie de certificado que os acompanhava quando subiam. Posavam ao lado do avião preferido e protegido, vestiam a típica jaqueta escura de couro, as divisas imprescindíveis espalhadas, barba feita ou imberbes, cabelo curto e penteado. Até acrescentavam brilhantina. Aprumados, alguns sorriam.

Perante o visível desequilíbrio no decurso de um confronto os pilotos sobrantes em perda debandavam, ainda que pela pátria alguns arriscassem a vida como último esforço, nem que fosse para tentar abater o maior número possível de adversários antes de serem cercados, alvejados e mergulharem na última espiral. A mesma força que os levou a voar e depois combater nos céus, pesava quando se despenhavam, numa nuvem de fogo, fumo e destroços acumulados numa larga cratera, ainda que por vezes fintassem o trágico destino a expensas de uma projecção antecipada e queda amortecida pelo pára-quedas. No ar os combates eram travados com nobreza e classe mas era a habilidade, adaptação e treino que garantiam uma posição privilegiada para seguir na cauda de um adversário.

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Dois pilotos tentam a aproximação.

A História dos céus na segunda guerra ainda se conta com bravura. O narrador de IL-Sturmovik II – Birds of Prey revela a dada altura, no confronto pela supremacia aérea ao longo da costa britânica, que os pilotos da Royal Air Force (RAF) ficavam exaustos e de olhos ardidos perante o avanço constante e em massa da Luftwaffe. Eram dias seguidos em combate. Amigos e colegas de voo não voltavam. Ficavam agastados. Por cada avião da Luftwaffe abatido, entravam mais três em cena. A disparidade era enorme e do lado alemão também se pilotava com grande habilidade. Só com uma forte definição de resistência e destreza conseguiram os britânicos e aliados segurar as largas ofensivas dos alemães e operar uma inversão na tendência da guerra. No palco europeu e leste na sua máxima latitude, imensas batalhas ficaram consignadas, desde a frente britânica, passando pela Sicília, Bélgica, Berlim e Rússia, o périplo de Birds of Prey resume-se aos confrontos aéreos na Europa, estendida ao leste, entre as forças aliadas e o eixo.

Aliás IL-Sturmovik é o nome de um avião Russo do exercito vermelho dessa época, famoso pela superioridade que demonstrou perante o Messerscmitt Bf. Por esta altura o nome Sturmovik dirá mais aos jogadores habituados ao PC. Criado por uma equipa russa e tendo à cabeça Oleg Maddox, fervoroso adepto da aviação, os primeiros capítulos da série ficaram marcados pela forte tendência para a simulação. E logo uma das experiências mais assertivas e completas. A isso os produtores acrescentaram a possibilidade de activar mais automatismos e facilidades para permitir que os menos experimentados no género pudessem encontrar divertimento imediato e acessível. Este é o ponto actual. Birds of Prey abre o conteúdo de Sturmovik à audiência das consolas em alta definição e acrescenta um conjunto de novos degraus.

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Messerschmitt em voo picado.

Na forma mais simples o básico da pilotagem é suficiente para infligir poderosos ataques, perseguir os adversários e, com o apoio dos colegas do esquadrão, derrubar os aviões que se perfilam no horizonte, com um círculo vermelho envolvente, alvos fáceis a abater. Não há qualquer perigo nas manobras mais arriscadas e só mesmo a pouca altura do solo podem acontecer alguns problemas.

Antes mesmo de se arriscar a entrada na campanha, que segue toda uma cronologia (desde a defesa da costa britânica até Berlim), podem ser percorridos os níveis de aprendizagem que permitem um contacto com as regras mais elementares de voo, ataque e defesa. Mais arcade, a progressão pela campanha pode tornar-se num autêntico cruzeiro dos céus. E ainda há que contar com as assistências, entre estabilizadores, mira automática, identificação dos inimigos e modo perseguição.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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