Heavy Rain Chronicles: O Taxidermista

Tensão ao virar da esquina.

A narrativa de Heavy Rain tem tanto de simples como de complexa. Embora siga um caminho que é recto na sua essência, existe muito por explorar ao final das tenras horas passadas em volta desta intriga. A trama fica bem clara, disso não há dúvida, mas a vontade de explorar um pouco mais deste mundo dá origem à série de conteúdos adicionais que se avizinham. Heavy Rain Chronicles abre assim uma porta para um punhado de novas vivências e histórias pertencentes a personagens que parecem merecer destaque uma vez findado o epílogo.

Mas mais interessante do que isso será obter nestes novos conteúdos algo diferente daquilo que a trama principal oferece. Assistir a um quebrar de barreiras que eleve o jogo a um patamar mais arrojado, algo que reinvente a acção principal sem a destoar. Realmente esperava assistir a algo mais dramático no decorrer da acção de Heavy Rain, algo que tocasse mais no ponto de vista psicológico, o que nem sempre aconteceu. Embora tenha os seus momentos, tensão nem sempre é palavra de ordem em Heavy Rain.

É aí mesmo que este primeiro conteúdo, o Taxidermista – oferecido de antemão aos compradores da edição especial de Heavy Rain –, vem oferecer algo de novo. Na pior das hipóteses, e caso tudo o resto falhe, tensão é algo com que podem contar neste episódio. E a forma como a sentem é exponencial. O Taxidermista relata um episódio onde a jornalista de serviço Madison Paige decide, por suas próprias mãos, investigar o caso do Origami Killer. É mais ou menos aquilo que acontece quando esta mesma mulher tenta sacar algumas informações ao "Doutor Medicamentos" algures no decorrer do jogo. O cenário será certamente familiar àqueles que seguem Heavy Rain desde o seu verdadeiro começo. É o episódio que fez o jogo renascer das cinzas ao ser mostrado na GC de 2008, numa altura em que o mistério em volta do jogo era mais do que muito.

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Madison Paige novamente em apuros.

Jogar este episódio é como que voltar a um sítio onde na realidade nunca estiveram. Uma espécie de Deja Vu. Toda a acção desenrola-se numa casa cheia de animais embalsamados – o que por si só é arrepiante – mas aquilo que acabam por descobrir e a forma como vos é demonstrado é o suficiente para crer que isto é algo diferente daquilo que jogaram antes. Existe muito por onde explorar, desde gavetas, armários ou ainda alguns divisões da casa que prometem surpreender. Até mesmo o confronto entre Madison e o Taxidermista é ligeiramente diferente daquilo que caracteriza os combates em jogo. É mais uma fuga.

A duração do episódio é bastante curta, o equivalente à maioria dos segmentos do jogo. Poderá durar à volta de 20 minutos no máximo. A possibilidade de o fazer com 5 finais distintos aumenta a longevidade, mas dificilmente irão explorar o mesmo canto da casa de maneira completamente distinta.

Uma vez acabado o desfecho inevitável – qualquer um que este seja – poucas razões ficam para voltar por mais. Mas uma coisa fica assente: aquilo que aqui vão ver é algo diferente daquilo que já viram. Até mesmo certas escolhas artísticas indicam isso. É algo mais adulto e virado para um público que se sente preparado para colher desta aventura algo com mais alma e, certamente, mais chocante. O drama característico ao resto da aventura não impera aqui. Em “O Taxidermista” vive algo que tende a mexer com o psicológico, algo que desperta a tensão.

Será interessante colectar daqui algo que se alargue às várias personagens do jogo, principais ou não. Vê-las nas mais diversas situações e poder explorar uma série de eventos que decorreram antes ou durante a narrativa principal.

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Sobre o Autor

Ricardo Madeira

Ricardo Madeira

Colaborador

É redator e dá voz à Eurogamer Portugal. É um dos mais antigos membros da equipa, e ao mesmo tempo um dos mais novos. Confusos? É simples.

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