Heavy Rain

O céu chorou. Três vezes.

As luzes têm que estar apagadas. Deverá haver silêncio. Deverá haver concentração. Deverá haver calma. Deverá haver sentimento. Poderá haver solidão.

Tem sido uma montanha russa o percurso de Heavy Rain aqui na Eurogamer. Estes altos e baixos são equiparados a personalidades, sentimentos. De todas as vezes que tive a oportunidade de jogar e estar em contacto com os produtores, a forma de olhar para a evolução de Heavy Rain nunca foi a mesma. Provavelmente por ser fornecido em formato quebrado, exemplificativo, e nada próximo ao que realmente Heavy Rain será.

Esta é certamente a melhor altura para jogar Heavy Rain, coincidência ou não, tudo que vejo lá fora é transposto para dentro do jogo. A chuva, o ar pesado, o frio, a humidade, e a escuridão de uma tarde tempestuosa. O clima estava criado.

A versão de antevisão que tive acesso dá-nos um vislumbre de um par de horas, onde pude pela primeira vez jogar com as quatro personagens do jogo, Ethan Mars, Norman Jayden, Scott Shelby, e Madison Paige, no formato correcto da estória.

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O mundo era apenas cor.

Heavy Rain não tem pressa de começar. Aliás, não existe um início, pois somos atirados para dentro da vida destas personagens, sem qualquer convite. Ouso dizer que Heavy Rain poderá não ter uma categoria que o possa definir, não que o seu sentido de jogabilidade, acção, ou no uso dos QTE (já la vou) não seja algo categorizado, mas que em si, o jogo poderá ter dificuldade em se rotular, no bom sentido. Esta ausência de um pressuposto que nos ajude a ligar o jogo a algo já conhecido é extremamente refrescante, pois traz-nos algo de verdadeiramente novo.

Possivelmente, e devido ao facto de serem os mesmos produtores, Fahrenheit ou Indigo Prophecy, poderá ser um dos possíveis jogos onde vemos claramente alguma semelhança. Esta semelhança não é tanto no formato real do jogo, mas nas ideias, nas questões, e nos temas abordados. Os videojogos chegaram à idade adulta, e Heavy Rain é um dos seus pioneiros. Se no cinema poderemos ter filmes para todos os gostos, e ter aquele mais que tudo que nos toca, e que nos marca para toda a vida, os videojogos têm, e existem certamente muitos exemplos, o meu diferente do vosso. Heavy Rain poderá ser mais um.

2
Chove dentro da sala.

Tem havido uma questão importante por detrás da produção de Heavy Rain. Conseguirá o público perceber Heavy Rain? Esta preocupação é vivida com muita intensidade, principalmente por David Cage, director e argumentista de Heavy Rain. Conforme suas próprias palavras, "Estão à procura de acção? De explosões? De FPS? De zombies e monstros? De barulho? Então estão no jogo errado." Estas palavras têm o valor correcto quando confrontados com Heavy Rain. Não confundam, Heavy Rain não é um jogo lamechas, parado, monótono, é bem mais que isso.

A coisa mais importante em Heavy Rain é o seu enredo. Na verdade, é o coração de toda a obra. Pelo que jogamos, ela é-nos dado aos poucos, saltando de personagem em personagem, onde elas se cruzam nos caminhos "normais" das suas vidas. Estes quatro cantos, são pontos fulcrais em tudo. O que ainda torna mais vivo tudo isto, são os diálogos, o texto escolhido para cada deixa. Mais uma vez, somos brindados por uma tradução integral para o português, com direito a legendas, quer com áudio em português ou noutra língua que escolham. As escolhas dos actores pareceram-nos acertada, reconhecendo de imediato certas vozes.

Falando ligeiramente da estória, estamos perante um argumento bem escrito. É um jogo adulto, que não esconde o que pretende ser. Existe uma trama linear, ou pelo menos do que compreendi até ao momento. Um serial killer conhecido como The Origami Killer tem atormentado tudo e todos, e escolhe a dedo as suas vitimas. Rapazes novos, os quais os mata sempre da mesma forma. Muito podemos especular, mas essa é a questão em Heavy Rain. Não queria deixar de referir que a componente sonora é um elemento extremamente importante para completar todo este quadro. Tal como num bom filme, teremos que ter uma banda sonora que o acompanhe. São duas coisas que não se podem separar, e Heavy Rain consegue ter a faculdade de nos brindar com uma banda sonora dinâmica, que se transforma perante as nossas acções, actuando nos momentos exactos, proporcionando assim, um fantástico ambiente. Para já existe apenas (salvo erro) música instrumental, e espero, ou desejo, que isso seja pautado por alguma faixa que inclua voz.

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Sobre o Autor

Jorge Soares

Jorge Soares

EG.pt Master of Puppets

Sempre ocupado e cheio de trabalho, é ele quem comanda e gere a Eurogamer Portugal. Queixa-se que raramente arranja tempo para jogar, mas quando está mesmo interessado num jogo, lá consegue arranjar uns minutos. Tem mau perder e arranja sempre alguma desculpa para a sua derrota, mas no fundo, é o que todos fazemos.

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