Entrevista: Josef Fares explica porque não podes escolher casal gay em It Takes Two

O seu novo jogo cooperativo será lançado esta semana.

Numa questão de poucos anos, Josef Fares, inicialmente um realizador de cinema, tornou-se num dos nomes mais sonantes da indústria dos videojogos. A sua estreia foi em 2013 no papel de director de Brothers: A Tale of Two Sons - que viria a vencer o prémio de inovação dos BAFTA - mas provavelmente só ficaste a conhecer o seu nome no final de 2017, quando durante os Game Awards soltou a célebre expressão "F*ck The Oscars", revelando um novo trailer gameplay de A Way Out.

A Way Out foi o jogo que melhor definiu o estilo de Josef Fares e do seu estúdio Hazelight. Existem muitos jogos com modos cooperativos, mas não há nada comparável a A Way Out. Foi desenhado de raiz para ser jogado na companhia de alguém e abriu o caminho para mecânicas cooperativas surpreendentes e divertidas. Josef podia ter optado pelo caminho fácil e ter feito uma sequela, mas invés disso, optou por criar um jogo completamente novo chamado It Takes Two.

Tal como A Way Out, It Takes Two é um jogo cooperativo, mas é radicalmente diferente em tudo. Enquanto o primeiro é sobre a relação e a fuga de dois prisioneiros, o segundo é sobre um casal que tem uma filha e está prestes a divorciar-se. O mesmo vale em relação às mecânicas, que conseguem ser uma enorme evolução perante aquilo que testemunhámos em A Way Out.

Fica com a nossa entrevista a Josef Fares. It Takes Two chegará às lojas a 26 de Março para PC, PS5, Xbox Series, PS4 e Xbox One.

Jorge Loureiro (EG.PT): Os videojogos estão a tentar ser cada vez mais inclusivos. Visto que a adopção de crianças por casais homossexuais é cada vez mais uma realidade nos países ocidentais, porque razão não podes escolher jogar com duas personagens do mesmo sexo?

Josef Fares (Director de It Takes Two): É porque se trata de uma história muito linear, baseada nas personagens. Isso significa que não tens qualquer escolha no jogo. Jogas com Cody e May, um casal que está prestes a divorciar-se e depois são forçados a cooperar. A história é sobre isto. Não temos nenhuma escolha no jogo. Mas vais adorá-lo de qualquer forma, acredita em mim!

"Não temos nenhuma escolha no jogo. Mas vais adorá-lo de qualquer forma, acredita em mim!"

Jorge Loureiro (EG.PT): No evento de antevisão, conseguimos a chegar ao momento em que estás quase a regressar à casa. A partir desse momento, ainda falta muito antes do final do jogo?

Josef Fares (Director de It Takes Two): Sim, garantidamente! Jogaste apenas duas ou três horas. O jogo tem, arredondando, 14 horas com uma enorme variedade de conteúdo. A partir de onde ficaste, vai ficar ainda mais maluco. Prepara-te para uma viagem selvagem.

Jorge Loureiro (EG.PT): Ao longo da aventura, Cody e May descobrem vários mini-jogos divertidos. Depois de chegares ao final da história, existe uma forma rápida de alcançar e jogar estes mini-jogos? Também seria altamente se houvesse um modo rush para derrotar todos os bosses.

Josef Fares (Director de It Takes Two): Por acaso não temos um modo rush, mas temos alguns checkpoints generosos para chegares aos bosses. Os mini-jogos vais conseguir aceder através do menu assim que encontrares todos os 25-mini jogos, se conseguires. Estão espalhados e escondidos pelo mundo de It Takes Two.

Jorge Loureiro (EG.PT): Disseste antes que It Takes Two é um tributo aos jogos da Nintendo. Podes elaborar?

Josef Fares (Director de It Takes Two): A forma como as mecânicas funcionam, sem nenhuma forma de tutorial, a dimensão da diversão, a variedade, a paixão... tudo é inspirado na Nintendo.

"A dimensão da diversão, a variedade, a paixão... tudo é inspirado na Nintendo"

Jorge Loureiro (EG.PT): Joguei a demo com uma pessoa pouco familiarizada com videojogos e teve dificuldade em controlar a câmera e a personagem em simultâneo. Há planos para opções de acessibilidade que tornem os controlos mais fáceis para pessoas assim?

Josef Fares (Director de It Takes Two): Como disse antes, recomendo que jogues com alguém que tenha um pouco de experiência em videojogos. Não precisam de ser hardcore, mas têm de saber, pelo menos, como controlar a câmera. Este não é um jogo para jogadores completamente novos, é para quem realmente adora videojogos e quer experimentar algo único e diferente. Em relação à acessibilidade para a câmera, não vamos incluir isso, daria muito trabalho implementar algo como isso. Acho que não vai acontecer.

Jorge Loureiro (EG.PT): Algumas editoras optaram por aumentar o preço dos jogos nas consolas de nova geração, mas no caso de It Takes Two até é mais barato do que todos os jogos AAA. Tiveram algum poder de decisão no preço ou foi tudo decidido pela EA?

Josef Fares (Director de It Takes Two): Não, isso foi algo que decidimos juntos. Sentimos que seria lógico para este jogo, não houve nada de estranho. Em relação ao preço, os jogos estão a ficar mais caros, mas se têm mais compras in-game, não vejo sentido em aumentar o preço. Acho que existem dois lados desta moeda: um dos lados é que os orçamentos estão a aumentar e os jogos deviam custar mais, porque custam o mesmo que custavam há muitos anos. Mas se o preço dos jogos vai aumentar, então devíamos minimizar a quantidade de compras in-game.

Jorge Loureiro (EG.PT): Este é um jogo cooperativo como A Way Out, mas ao mesmo tempo, é tão diferente em todos os aspectos. Porque acabaram por escolher o conceito de um casal a divorciar-se?

Josef Fares (Director de It Takes Two): Porque encaixava na jogabilidade muito bem. Novamente, não é um jogo sobre o assunto sério de estar divorciado, é sobre um casal que está a divorciar-se e que acaba por ser forçado a cooperar. Acho que isso acaba por se "emprestar" a momentos de jogabilidade que são altamente.

"Em relação ao preço, os jogos estão a ficar mais caros, mas se têm mais compras in-game, não vejo sentido em aumentar o preço."

Os mini-jogos, os momentos em que pegam um com o outro, são coisas com a maioria dos casais se consegue relacionar e também é algo que ainda não foi muito explorado nos videojogos. Por isso pensámos, porque não? Vamos fazer algo diferente. Adoramos ir para águas inexploradas na Hazelight.

Jorge Loureiro (EG.PT): Vão continuar a fazer jogos cooperativos no futuro ou querem algo novo? Sei que disseste anteriormente que não gostavas de sequelas.

Josef Fares (Director de It Takes Two): Certamente vamos continuar a fazer jogos cooperativos. Somos muito bons nisso e queremos continuar os limites do que consegues fazer num jogo narrativo / cooperativo. Isto é algo muito próprio da Hazelight, não te esqueças que somos os únicos a fazer isto, a escrever e a desenhar jogos como estes desde a sua concepção. Não é apenas um jogo singleplayer em que adicionas um modo cooperativo, é algo criado de raiz e que vamos continuar a criar, ficando cada vez melhores.

Salta para os comentários (45)

Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

Conteúdos relacionados

Também no site...

Comentários (45)

Ignora piores comentários
Ordenar
Comentários