The Outer Worlds na Switch: esforço ambicioso, mas com demasiados compromissos

Despido.

A Switch já nos conseguiu encantar em diversas ocasiões com ports que pareciam fora do alcance das suas capacidades, ao ponto de começarmos a acreditar que tudo é possível. Será que a Virtous consegue outro port milagroso com The Outer Worlds? "Após Starlink: Battle for Atlas, Dark Souls: Remastered, The Outer Worlds e brevemente XCOM2, não temos dúvidas que podem ser feitas adaptações Switch de qualquer jogo de actual geração," disse Zhang Chengwei ao Nintendo Life. Após jogar The Outer Worlds, vamos concordar em discordar.

Tecnicamente, o que o estúdio diz está correcto. Quando inicias The Outer Worlds na Switch, tens o pacote completo em termos de conteúdos. A Virtous tem um bom historial em termos de ports Switch, mas existe a sensação que a equipa deu um passo maior que a perna neste jogo, existem verdadeiros problemas que não podem ser ignorados. Estamos habituados a um certo nível de compromissos nestas conversões, o preço a pagar para ter jogos AAA no dispositivo portátil. No entanto, The Outer Worlds é um jogo no qual os diversos downgrades têm demasiado impacto na experiência e no qual o modo mobile não te dá o suficiente para valer a pena.

Do lado positivo, não temos dúvidas que este é um feito impressionante em termos da sua ambição. A Virtuos conseguiu converter um RPG topo de gama feito com o Unreal Engine 4 para uma máquina portátil. O facto de funcionar é espantoso, mas quando começas, os problemas acumulam-se. Começa com a qualidade de imagem. À primeira vista, as resoluções são aceitáveis, mas não estão enquadradas com as promessas da editora. As informações oficiais pré-lançamento, diziam que The Outer Worlds corria a 1080p na dock e 720p em modo portátil. No entanto, descobrimos que 720p é o mais comum ao jogar no ecrã, a resolução dinâmica desce para este valor. No modo portátil, 540p é a mais comum e 384p o valor mais baixo que encontrámos. Não tens a nitidez e imagem limpa que esperas de uma resolução nativa, como sugerido nas informações oficiais.

O vídeo poderá ser a melhor forma de avaliar a qualidade de The Outer Worlds na Nintendo Switch.

As resoluções medidas são comuns com outros ports Switch de jogos de actual geração, mas é problemático neste caso, especialmente no modo portátil pois torna-se difícil processar visualmente o que acontece em alguns locais. Parte do problema está relacionado com a solução anti-aliasing. The Outer Worlds apresenta grandes mundos abertos com uma vasta distância de visão e os teus olhos são atraídos por isto de forma natural, no entanto, a resolução inferior torna difícil ver o detalhe mais distante. O detalhe que surge está muito inferior ao das versões de actual geração, seja na complexidade de modelos, resolução de texturas e densidade geral, tudo está radicalmente alterado.

A primeira coisa na qual reparas é nas texturas. Os materiais PBR (renderização por físicas) das versões originais são deslumbrantes, com imenso micro-detalhe, dando um aspecto pseudo-realista ao jogo, apesar do ambiente de fantasia. O port Switch tenta reter o aspecto base, mas a resolução dos assets desceu para se ajustar às limitações da distribuição de memória da Switch. Penso que é um caso no qual o volume e resolução dos assets está fora do alcance do que pode ser feito nesta plataforma, não sem grandes alterações. Este é o problema, os assets não foram desenhados para serem vistos desta forma e consequentemente, o jogo fica com pior aspecto do que jogos Xbox 360 e PS3 comparáveis.

Aproxima-te de qualquer superfície e percebes o quanto é perdido em termos de detalhe nas texturas, isto é algo que verás em todo jogo. Tecnicamente, funciona, mas não é atractivo e acredito que resolver este problema exigiria uma mudança enorme no design de arte para acomodar o hardware mais fraco. Reduzir a qualidade dos assets não tem bom resultado visual. O mesmo também acontece na geometria, radicalmente simplificada. Desde as rochas a peças na nave, até aos edifícios e além, parece que o jogo usa uma pré-definição baixíssima de qualidade quando comparado com outras consolas.

Estes problemas também se aplicam nos modelos dos personagens, onde vês uma redução no detalhe da textura e geometria. Isto resulta em corpos mais angulares, com estranhos vestígios de cliping e roupas de aspecto estranho. Não é tão pronunciado quando as mudanças nos ambientes, mas é perceptível. A ausência de campo de profundidade nas aproximações aos personagens resulta em cenas feias, especialmente quando as texturas não são carregadas.

Nintendo SwitchXbox One X
Existe imenso que não está presente na versão Switch.
Nintendo SwitchXbox One X
Certas superfícies foram ajustadas e foi perdido imenso detalhe.
Nintendo Switch PortableNintendo Switch DockedXbox One X
Em modo portátil a resolução desce, mas a qualidade visual é comparável.
Nintendo Switch PortableNintendo Switch DockedXbox One X
Ao perto, verás imensas texturas de resolução inferior.
Nintendo SwitchXbox One X
O detalhe nos personagens é menor e a oclusão ambiental desapareceu na Switch.

Isto leva-nos para outro problema, o pop-in. É severo e constante. As texturas e modelos surgem lentamente ao ponto de poder demorar até 10 segundos a surgirem. Quando está no seu estado de pouco detalhe, parece que estás no Google Earth em Street View com apenas parte do detalhe carregado. Em alguns momentos, o jogo pára para load, quando o sistema de streaming não consegue acompanhar.

Quando inicias o jogo pela primeira vez, estes problemas não são tão severos. Os primeiros momentos não têm problemas. No entanto, quanto mais jogas, pior fica. Lembram-te do clássico problema Rimlag na versão PS3 de Skyrim. A diferença é que se manifesta muito mais cedo. Para assegurar que não era um problema da minha consola, testei o jogo em todas as minhas 4 Switch, usando o cartão SD e a memória interna. O jogo comporta-se da mesma forma, por isso imagino que seja o mesmo para o resto.

Por isso, no que diz respeito ao detalhe e loading, o jogo tem problemas, mas existem muitas outras mudanças. Apesar dos objectivos renderizados frequentemente exibirem menos detalhe, muitos outros nem são apresentados. É uma troca justa, mas perceptível e talvez demasiado profunda. Árvores, rochas e relva estão ausentes na Switch, enquanto os campos de vegetação se tornaram em espaços vazios. Os belos céus de The Outer Worlds também foram inferiorizados: as nuvens volumétricas não estão aqui presentes. A oclusão ambiental foi removida, o que significa menos sombras no mundo, o que tira profundidade à apresentação.

Mas nem tudo ficou despido. Ao falar com os personagens, os programadores colocam um luz atrás da sua cabeça para ajudar a iluminar a cena, demonstrando dispersão sub-superfície nos personagens, o que permite à luz penetrar na pele de forma realista. Este efeito está presente na Switch, o que é surpreendente, mas não tem tão bom aspecto devido ao menor detalhe nas texturas. Reflexos e sombras screen-space também estão presentes.

Dark Souls Remastered foi um port relativamente bem sucedido da Virtuous para a Switch, mas recorreu mais às versões PS3 e Xbox 360.

Os sacrifícios tinham de ser feitos e foram feitos em abundância. A qualidade visual sofre imenso quando comparada com a das outras versões, ao ponto de um jogo bonito o deixar de ser. A nossa recomendação? Vê o vídeo e se não te importares, talvez o jogo funcione para ti. O jogo é fantástico, mas para mim, a atmosfera do mundo é fulcral para desfrutar de um jogo como este, por isso, os diversos downgrades prejudicam a experiência. Poderá ser diferente para ti.

No entanto, além dos cortes, terás de ter em conta uma performance instável. O alvo são os 30fps, mas quanto mais jogas, pior fica. Caminhar pelos cenários não parece causar problemas, desde que não exista algo muito complexo, mas os combates, especialmente em locais com mais detalhes, podem causar quedas para baixos 20s ou abaixo de 20. Isto torna a experiência ainda menos agradável. Apenas os ambientes estilo "masmorra" se aguentam. O modo portátil é basicamente igual ao modo dock, sugerindo que The Outer Worlds tem graves limitações relacionadas com a CPU.

Aceitaria melhor visuais com compromissos se a performance fosse estável, mas não é o caso, o que significa que o port tem mau aspecto e má performance. Os compromissos são demasiados. Por isso, abordando o que a Virtuos disse, o port existe sim, o trabalho de conversão foi feito. O problema é que quando dizes que podes converter tudo, é preciso ter uma espécie de medidor de qualidade. Neste caso, não é boa o suficiente. The Outer Worlds está na Switch, mas não chega nem de longe à qualidade das outras versões e a portabilidade não chega para o salvar. Reconheço que o desafio era elevado e respeito o esforço da equipa, mas o resultado final não pode ser recomendado.

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Sobre o Autor

John Linneman

John Linneman

Staff Writer, Digital Foundry

An American living in Germany, John has been gaming and collecting games since the late 80s. His keen eye for and obsession with high frame-rates have earned him the nickname "The Human FRAPS" in some circles. He’s also responsible for the creation of DF Retro.

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