Flight Simulator entrega visuais da máxima fidelidade

O poder das nuvens.

Flight Simulator da Microsoft é tão espectacular quanto esperávamos. O material revelado até à data realçava a abordagem quase foto-realista da renderização e o jogo cumpre em pleno, mas é difícil ilustrar o nível de detalhe sem precedentes, desde detalhe macro a micro, numa escala literalmente global. Isto é uma visão dos gráficos de próxima geração. Tem um aspecto incrível, mas com um preço. Prepara-te para requisitos de assustar para conseguir perto de 60 fotogramas por segundo com as definições de maior qualidade. Flight Simulator corre relativamente bem no hardwarte de hoje, mas está desenhado para aproveitar os componentes PC do futuro.

Além dos visuais, o que me agrada em Flight Simulator é o nível de acessibilidade. O gameplay é similar ao dos anteriores, mas embelezado com ainda mais detalhe e simulação. Voar com um Airbus A320 é complexo na vida real e poderá ser igualmente complexo no jogo, mas podes baixar a resolução e automatização para um nível de dificuldade à tua escolha. O Modo Easy é bom para jogar com um comando, por exemplo. No entanto, as físicas e simulação do mundo permanecem iguais, por isso não sentes que é um jogo arcada, é apenas menos manual. O ciclo gameplay é simples, resume-se a voar de um lugar para outro e essa simplicidade é a sua força. Para mim, no seu melhor, este jogo é muito relaxante e passei mais de 10 horas a aprender a pilotar o avião, a explorar e a desfrutar das paisagens do mundo. Fiz isto durante horas sem pensar no tempo, tal como uma caminhada no mundo real, por exemplo.

A nível da tecnologia, o novo Flight Simulator foi construído a partir do motor de simulação do anterior, mas com imensas melhorias e um novo motor de renderização, criado pela Asobo Studio. É o estúdio do excelente A Plague Tale: Innocence, um estúdio com conhecimento para apresentar soluções de renderização personalizadas e a equipa excedeu-se aqui. Apresentar todo o mundo num jogo não é uma tarefa banal, o motor usa imagens de satélite ou capturas aéreas como a base para a altura e dados das texturas dos terrenos. Uma IA responsável pela geração processual lê essas texturas de acordo com os seus próprios parâmetros e povoa adequadamente o terreno com materiais, estradas, edifícios, arbustos, árvores e mais, de acordo com os materiais criados pela equipa. Após isto, os artistas podem embelezar locais específicos com mais detalhe capturado por fotografia e texturas. Podes esperar algo mais luxuoso nas cidades capitais, locais históricos ou famosas paisagens naturais.

Flight Simulator 2020 são espantosos e o Digital Foundry fala-te disso.

Quando jogas, estás basicamente a olhar para uma imagem com uma resolução extremamente alta de todo o globo em 3D. Pensa no Google Earth, mas com muito melhor qualidade. Estamos perante múltiplos terabytes de texturas e mapas de altura para os quais jamais terias disco rígido para armazenar para alcançar o efeito desejado. A solução da Asobo é engenhosa. Este é um simulador é assim sendo, a velocidade do voo é recriara correctamente e é bem lento de acordo com os padrões arcada. Ao usar texturas e misturas básicas, o jogo usa a tua ligação à interne para fazer o stream e terreno com maior qualidade para o teu PC consoante jogas, via Azure. É uma nova forma de melhorar a fidelidade e diversidade que ainda não vi noutro jogo. É mesmo uma completa implementação do 'poder da nuvem' que consegue algo que simplesmente não seria possível com um download convencional. É um sistema muito eficiente, ao longo de mais de 10 horas de jogo, reparei em downloads por volta dos 7GB.

Não é apenas o detalhe dos cenários que usa o stream. Flight Simulator também renderiza a posição de aviões no mundo real na tua proximidade. O clima é simulado de acordo com dados da vida real, desde tempestades à renderização de nuvens. O objectivo é representar um voo real e condições climatéricas 24 horas por 7 dias. É ambicioso, é único e funciona. Em termos da renderização desse clima, o motor consegue nevoeiro próximo e distante, dispersão de luz e cobertura volumétrica de nuvens para cobrir uma vasta gama de possibilidades. Flight Simulator é um jogo sobre altitude e cerca de metade do teu ecrã geralmente renderiza o céu, muito do orçamento de renderização é gasto aqui.

Enormes formações de nuvens volumétricas prolongam-se até as perder de vista sem transições perceptíveis no detalhe ou pop in. As nuvens criam sombras umas nas outras e no chão, formando-se e dissipando-se de acordo com as condições do vento e clima. Em Ultra, as nuvens volumétricas têm uma resolução muito maior e o realismo é de cortar a respiração. Quando a renderização atmosférica, nuvens e luz combinam, o resultado é especial.

sky
É mesmo uma imagem em tempo real do jogo. A iluminação e renderização de nuvens estão sublimes e o suporte HDR é espantoso.

O terreno por baixo das nuvens também recebeu imensa atenção ao detalhe nos arbustos, árvores, edifícios e estradas que se prolongam até perder de vista, em Ultra. Algumas áreas têm melhor aspecto do que outras, dependendo dos dados de satélite ou se usam o stream de materiais foto-realistas, mas no geral, a maioria dos locais são belos. Voar perto do chão fora das cidades revela materiais com grande detalhe, até lâminas individuais de relva. Nem é preciso dizer que lá no alto, os resultados são quase foto realistas. Além disso, o mundo não é estático. As cidades têm ciclos de dia e noite com carros e autocarros a percorrer as ruas, centenas de fontes de luz e outros elementos dinâmicos que afectam a iluminação volumétrica do jogo. Se voares por uma cidade à noite, até podes ver a parte de baixo do avião iluminada pela cidade em baixo. Nem é preciso dizer que a renderização da nave e cockpit não tem rival. A ray tracing chegará no futuro e estou ansioso para ver como será.

No entanto, este salto geracional na fidelidade tem um preço. Num Ryzen 9 3900X com uma RTX 2080 Ti, definições ultra a 4K significam rácios de fotogramas entre os 30 e 40fps na maioria do tempo. O rácio de fotogramas varia de acordo com o quão próximo do chão estás ou o quão perto das nuvens ficas. O sistema de nuvens, por exemplo, exige imenso da GPU, enquanto voar a baixa altitude em Ultra é mais exigente para a CPU. Mas não tenhas medo, Flight Simulator escala bem na GPU e CPU, de acordo com as várias opções gráficas aqui presentes.

Falaremos mais disso quando o jogo for lançado, mas existem algumas vitórias fáceis aqui. Por exemplo, no caso de uma limitação da CPU, posso duplicar a performance ao descer para as definições mais fracas, o que permite explorar camadas na adaptação da CPU. A 4K, em situações limitadas pela GPU, descer de Ultra para High resulta numa melhoria de 32% na performance, subindo para 61% se passares para Medium. Tentei explorar as diversas opções, mas penso que High oferece a melhor relação entre qualidade e preço. O impacto na qualidade visual é mínimo e o aumento na performance é palpável. O conversor interno de resolução também merece atenção, especialmente porque poderá usar reconstrução de imagem se estiver abaixo dos 100%. Num PC mainstream, descer para 1080p em Medium mostra que um sistema Core i5 8400 equipado com uma GTX 1060 ou RX 580 consegue correr a 30fps-40fps, a Nvidia consegue uma vantagem de 25% na performance. Espero que existe alguma magia para a AMD aqui pois parece que a Polaris tem fraca performance aqui

cockpit
Como seria de esperar, a renderização de cockpits é sublime.

Mas a conclusão é que isto é basicamente um jogo de próxima geração com requisitos mais exigentes e apesar da capacidade para adaptar o jogo a diversos equipamentos, não o verás no seu melhor num PC mainstream. Dito isto, tal como Red Dead Redemption 2, jogar em Medium é melhor do que muitos jogos em termos da qualidade da apresentação geral, é uma questão de adaptar a tua percepção das definições de qualidade num jogo em que Medium tem melhor aspecto do que muitos a correr em Ultra.

No tempo que tive com a versão preview de Microsoft Flight Simulator, vi um nível de ambição e mestria gigantescos. Penso que a Asobo fez um trabalho muito bom em termos do escalonamento gráfico (mas gostaria de ver suporte Nvidia DLSS para uma melhoria na performance), mas é importante ter em conta que Flight Simulator também é exigente para a CPU, algo que poderá melhorar no futuro quando transitarmos da DirectX11 para a DirectX12.

Mas o que mais amei em Flight Simulator é que se sente genuinamente como um exclusivo de PC. Sim, está a caminho uma versão Xbox, mas o jogo foi pensado primeiramente para o PC e a imensa pluralidade do hardware suportado, algo que vai além das CPUs, GPUs, teclados e ratos. Joguei com um comando, rato e teclado e até com flight stick com pedais. O jogo reconhece automaticamente cada controlador e tem pré-definições para praticamente tudo, tal como os grandes simuladores de voo já lançados. Até jogar com o comando Xbox 360 é relaxante, se jogares em Easy.

O jogo mantém este nível de suporte e a sua personalização é intuitiva. Podes editar tudo na janela do jogo, desligar widgets e movê-los como num RPG de outrora. É simplesmente incrível. Podes jogar com câmara na terceira ou primeira pessoa, podes assistir ao avião a voar em câmara livre, sem restrições, afastando-te quilómetros se é isso que queres. Não é simplesmente um jogo e sinto que é muito mais do que um simulador. Em diversos sentidos da palavra, é uma jornada e muito bela.

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Sobre o Autor

Alex Battaglia

Alex Battaglia

Colaborador

Ray-tracing radical, Turok technophile, Crysis cultist and motion-blur menace. When not doing Digital Foundry things, he can be found strolling through Berlin examining the city for rendering artefacts.

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