Devil May Cry 3 Special Edition na Switch: um port decente de um clássico

Existem melhorias sobre anteriores versões, mas não é a experiência definitiva.

15 ano após o lançamento da versão PS2, Devil May Cry 3 ainda é um dos melhores jogos de acção do seu género, mas tem sido difícil obter um remaster decente nos sistemas modernos e as conversões têm deixado a desejar. A boa notícia é que a chegada do jogo à Nintendo Switch representa uma excelente versão de Devil May Cry 3, mas ainda não é um port perfeito.

Existe a questão do valor na loja digital. A PS4 e a Xbox One receberam a HD Collection em 2018, na qual obtens a trilogia com uma só compra, enquanto na Switch (pelo menos fora do Japão) tens de os comprar individualmente, o que aumenta o valor. No entanto, Devil May Cry 3 chega com trabalho extra e tens funcionalidades exclusivas da Switch. Existe um modo para dois jogadores no qual Dante e Virgil sobrevivem a vagas de inimigos no Blood Palace, um belo modo extra ao estilo arcada, mas a aventura principal é o grande atractivo.

Quem jogar na Switch também terá várias novidades no singleplayer. Existe o novo modo Freestyle, que te deixa alternar em tempo real o estilo de Dante e está disponível desde o início do jogo, ao invés de optar entre os estilos Trickster, Royal Guard, Swordmaster e Gunslinger entre cada nível. Ao pressionar o botão B, tens acesso a novas opções e combos aéreos mais luxuosos.

No entanto, a Switch apresenta o que é fundamentalmente o mesmo jogo da Special Edition da PS2, apesar de ter uma qualidade de imagem superior. Apesar das texturas com a qualidade das originais, terás 1080p na dock e 720p em modo mobile. Não existe anti-aliasing na maioria do tempo, nem sequer uma passagem básica disponível na versão PC. Em termos de performance, DMC3 alcança o alvo desejado, 60 fotogramas fixos do início ao fim e apenas nas cutscenes terás 30fps. Resumindo, cumpre com o básico e é bom voltar a este clássico, especialmente em formato portátil.

Mas existem alguns contras neste port. Apenas terás as texturas e efeitos originais, não existem sinais de assets melhorados. A resolução é maior, mas a arte é retirada de um jogo de 2005 e frequentemente vês mapas de textura de baixa resolução. Num mundo em que os modders usam IA para melhorar a resolução da arte e alcançam resultados fascinantes, fico a pensar quando é que esse processo chegará a jogos mais comerciais?

Eis Devil May Cry 3 na Nintendo Switch, em modo portátil e na dock.

O uso de assets antigos também se manifesta noutros elementos. Apesar das cutscenes correrem com o motor de jogo e na resolução nativa, algumas delas são FMVs pré-renderizadas e de baixa qualidade, com mau aspecto. É o mesmo problema da HD Collection, mesmo no PC onde poderias sonhar com elevadas resoluções. O único ponto positivo é que estes vídeos foram apresentados originalmente a 16:9 e ficam bem no ecrã da Switch.

Mas até nisto existem problemas pois tens uma versão 324p recortada do que era originalmente um vídeo 4:3 a 480p. Junta isto aos artefactos de compressão e cria uma desconexão forte da imagem nítida a 1080p no gameplay. É uma pena pois estas cenas são frequentemente lindas coreografias, com acção cheia de estilo. O impacto destas cenas em baixa resolução é mitigado, até certo ponto, quando jogas em modo portátil.

Existem outros problemas. Os menus de personalização usam arte antiga e aspecto 4:3, tal como a HD Collection nas outras plataformas. O que mais desilude é o uso de efeitos de baixa resolução na Switch. Poderá ser uma contra-partida para correr a 60fps, mas os inimigos que derrotas criam uma rajada de pó pixelizado.

Apesar dos problemas, existe muito de positivo na versão Switch de DMC3. Com excepção dos efeitos, o modo dock é igual ao da PS4, Xbox One e PC. Temos novos modos multiplayer e a opção Freestyle. Mais importante, é uma experiência portátil sensacional. Os loadings são quase instantâneos entre áreas. É muito fluído na Switch e penso que é algo digno de destacar. As animações vistosas e satisfatórias, mesmo ao disparar sobre inimigos que estão no ar enquanto caminhas pelo cenário.

Adorei voltar a jogá-lo, mas gostaria de ter visto um maior nível de modernização. Sim, tentar incluir novos assets seria bom, mas outros aspectos também precisam de melhorias, como a câmara. O gameplay é o grande destaque e ainda corre muito bem, os combates são altamente entusiasmantes. É perfeito para os fãs de Bayonetta, que esperam pelo terceiro jogo. Apesar de não acreditarmos que as novidades justificam a decisão de dividir os lançamentos, é na mesma recomendado. A conversão é relativamente básica, mas pelo menos acerta no fundamental.

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Sobre o Autor

Thomas Morgan

Thomas Morgan

Senior Staff Writer, Digital Foundry

32-bit era nostalgic and gadget enthusiast Tom has been writing for Eurogamer and Digital Foundry since 2011. His favourite games include Gitaroo Man, F-Zero GX and StarCraft 2.

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