Zelda: Link's Awakening - análise à tecnologia: um remake simplesmente espantoso

As quedas na performance são perceptíveis, mas a experiência geral é imperdível.

Lançado em 1993, The Legend of Zelda: Link's Awakening é um jogo icónica da Game Boy. Numa altura em que a fórmula Zelda ainda estava a ser definida e os programadores estavam a habituar-se a hardware portátil, a Nintendo entregou um clássico intemporal. O remake para a Nintendo Switch apresenta visuais novíssimos, uma deslumbrante banda sonora, melhorias fundamentais e gameplay refinado, mas a sua essência é a mesma. 26 anos depois, a magia de Link's Awakening não diminuiu.

É uma compra essencial, mas não perfeita. Existem alguns problemas que precisam ser corrigidos, mas mesmo assim, fiquei impressionado pelo trabalho da Grezzo. Apesar das suas origens portáteis, esta é uma aventura Zelda completa: tens um grande e detalhado mundo principal que tira proveito do sistema, juntamente com oito masmorras e uma banda sonora brilhante.

O original estava restrito pelas limitações da era 8-bit e apresentava animações limitadas, scrolling ecrã a ecrã e a falta de inclinações, mas é um dos mais ambiciosos jogos portáteis da sua altura. Anos mais tarde, a versão DX foi lançada para a Game Boy Color com total compatibilidade com a original. Uma nova masmorra, a Color Dungeon, foi incluída apenas para a versão Game Boy Color. Esta versão foi vista como a definitiva durante décadas.

Agora, temos algo melhor. Link's Awakening na Switch dá o salto para visuais a 3D apresentados de uma perspectiva aérea, renderizados com várias técnicas visuais modernas que dão ao mundo um aspecto miniaturizado. É uma versão linda da estética original que se sente fresca, mas ainda assim autêntica.

Análise do Digital Foundry a Link's Awakening. Que jogo incrível.

Link's Awakening usa um sistema de resolução dinâmica. É uma escolha inteligente e com pouco impacto na apresentação. Existem dois pontos mais comuns na resolução: na dock, a resolução alterna entre 720p e 1080p, mas na maioria do tempo, o jogo corre no limite inferior no mundo principal e a 972p nos interiores. É algo similar no modo portátil, o jogo corre na sua maioria a 720p nos interiores e desce para 576p nos momentos mais exigentes. Pode descer mais do que isto, mas não encontrei um exemplo disso nos testes.

A qualidade de imagem é um pouco suave, mas funciona bem o suficiente e a perspectiva aérea minimiza o brilho nos pixeis distantes. Funciona e é certamente mais nítido do que Yoshi's Crafted World. O número de pixeis é apenas uma pequena parte da apresentação e o importante aqui é a arte e a forma como a Grezzo se dedicou ao original - o ambiente, cores, tom geral, e ainda apresenta na mesma uma versão moderna linda.

A versão DX foi a inspiração e o contraste entre cores é fundamental para o design visual. A Game Boy Color estava limitada no número de cores por ecrã. Os artistas que trabalharam no remake não tiveram essas restrições, mas o jogo mantém a mesma abordagem ao design.

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Switch vs Game Boy Colour - o remake é lindo, moderno, fresco, mas autêntico. É uma celebração de um verdadeiro clássico.

A equipa focou-se em tipos de materiais e no uso da luz e sombras para alcançar este resultado. Os realces especulares são muito importantes e dão aos cenários um aspecto mais 3D. As escolhas de materiais são interessantes, o mundo tem um aspecto mais brilhante e dá ao jogo uma estética similar à de brinquedos, como se as coisas fossem de plástico. Materiais como a areia na praia tiveram um aumento do brilho. Não é um aspecto desejável em jogos 3D modernos, mas combina bem com este design visual.

A autenticidade é o que mais destaco. A nova versão prova que o original apresentou um design quase perfeito e segue-o de perto. A Grezzo mantém o design do mapa original - cada arbusto, cerca ou relva ocupa o mesmo espaço no mapa. Basicamente, o mundo partilha a mesma estrutura do mapa original, fundamental para o design, mas os artistas dedicaram esforços para minimizar o aspecto de azulejos através de modelagem e texturização inteligente.

Algo que adoro no remake é o campo de visão que foi aumentado. A câmara foi elevada e ajustada para o aspecto de 16:9. Isto deixa-te ver melhor o terreno. Em diferentes partes do mapa, podes ver mais do mundo e torna mais fácil compreender a posição dos objectos. O scrolling ecrã a ecrã desapareceu, mas a Grezzo manteve ecos dele no seu novo design ao introduzir um sistema de passagem. O Link permanece no centro, mas ao caminhar numa direcção, a câmara revela lentamente mais da cena ao puxar Link para o lado oposto da imagem. Isto dá-te sempre uma perspectiva ampla da área.

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Repara como a arte original foi interpretada com novas texturas na Switch.

No geral, a câmara funciona muito bem, as masmorras estão divididas em ecrãs individuais, como na Game Boy, mas as zonas maiores apresentam scrolling livre como no mundo principal. Isto também acontece nos momentos side-scrolling em algumas masmorras. A arte foi convertida com fidelidade e os Goombas do original foram recriados em pleno na Switch.

Sinto que a apresentação é brilhante, mas existem aspectos que não batem certo. Uma das queixas está no movimento dos personagens. A equipa usa movimento de oito direcções sem animações de transição e isto significa que ao mudar de direcção, Link muda completamente de posição. Poderá ser um pouco estranho inicialmente, mas resulta num jogo com melhor resposta e mais próximo do original. A falta de suporte D-Pad é um problema que espero ver corrigido.

Apesar destes problemas, sinto que as melhorias e novas funcionalidades compensam as falhas. A gestão de itens é um exemplo disso. No original, cada item é único e tens de trocar constantemente entre eles. No remake, certos itens, como a pena ou as bombas, podem ser equipas no X ou Y, mas outras acções são permanentes. O escudo está sempre equipa, tal como correr e a espada está sempre atribuída ao B. A Power Glove está sempre activa e podes pegar sem problemas nos objectos mais pesados.

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O remake é espantoso, mas não é perfeito. As grandes, apesar de breves, quedas na performance tiram-lhe algum do brilho.

O sistema de mapa também foi refinado, a resolução do mapa em si é agora elevada o suficiente para ver de forma confortável todas as áreas. Depois tens a banda sonora, que apresenta as músicas originais, mas também conta com novas músicas com um tom mais orquestral e que amo.

Adorei o jogo, mas existem problemas de performance. É uma melhoria da noite para o dia sobre a versão E3, onde as áreas exteriores corriam a 30fps. Os rácios de fotogramas são superiores e mais consistentes, mas não temos os 60fps perfeitos que associas a um jogo da Nintendo. A vasta maioria do jogo corre a 60fps, mas encontrarás problemas no rácio de fotogramas e sentirás bem as quedas esporádicas de 60fps para 30fps.

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A performance portátil é basicamente igual à da dock, sugerindo que é o poder da CPU o culpado pelas áreas afectadas.

Existem algumas situações em que podem acontecer slowdowns e a maioria deles pode surgir ao transitar entre áreas. Isto significa que entrar ou sair de edifícios, grutas, masmorras ou ao deixar uma aldeia, podem surgir problemas. Acredito que a culpa está na CPU pois isto envolve o streaming de novos dados e talvez informações da iluminação.

Além disso, existem pequenos soluços pelo meio e quando combinas tudo, não se sente tão fluído quanto um jogo da Nintendo deveria sentir, o que é pena. É mais perceptível ao explorar o mundo principal e por isso mesmo, é um problema tão grande. Consegui divertir-me apesar disto, mas distrai. A performance portátil é igual, as mesmas quedas que distraem de forma igual.

Os relógios CPU são idênticos entre mobile e dock, e sem DRS para puxar pela GPU, parece que é uma limitação da CPU. Isso é um grande problema, mas não é algo que arruíne o jogo, apesar de ser inesperado num jogo da Nintendo. Mas quero realçar que se olhares para o jogo como um todo, não há dúvida que é um remake excelente. É uma versão com um design excelente e altamente divertido.

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As melhorias foram bem pensadas - o mapa é uma grande melhoria e a gestão do menu e esquema de controlo é uma grande melhoria sobre o original.

Muitos jogos de hoje são feitos em torno da ideia de tudo ser maior, podes ir até aquela montanha, podes percorrer um deserto enorme durante 20 minutos. Link's Awakening é muito mais pequeno, tudo é mais compacto, mas é denso, interessante e é divertido explorar o mundo e voltar a explorar quando adquiriste os itens e armas necessários para progredir.

Aproximei este remake com entusiasmo e cautela. Ficas sempre a pensar de algo que te divertiu tanto no passado ainda se aguenta no presente, especialmente quando é interpretado com nova tecnologia, mas fico feliz por dizer que senti mais uma vez a magia de Link's Awakening.

Quer tenhas crescido com este jogo ou quer seja a primeira vez que vais para a Ilha Koholint, Link's Awakening é uma jornada que vale bem a pena seja qual for a forma escolhida para o jogar. Seja como uma experiência retro ou no remake, é uma experiência imperdível e mais de 20 anos depois do lançamento original, é o melhor que podemos dizer dele.

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Sobre o Autor

John Linneman

John Linneman

Staff Writer, Digital Foundry

An American living in Germany, John has been gaming and collecting games since the late 80s. His keen eye for and obsession with high frame-rates have earned him the nickname "The Human FRAPS" in some circles. He’s also responsible for the creation of DF Retro.

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