O que se passa com Nier: Automata no PC?

Problemas amadores prejudicam o que podia ser um dos melhores jogos PC da Platinum Games.

Aclamado pela crítica, a versão PC de NieR: Automata era muito aguardada. Mesmo a correr na PS4 Pro, a resolução está limitada a 1080p e existem frequentes soluços - especialmente nas áreas mais abertas. Esperávamos que a versão PC fosse capaz de ultrapassar estas limitações mas infelizmente não. Mais do que isso, o fraco trabalho de conversão introduz novos problemas, alguns deles até custa a acreditar.

Infelizmente, as primeiras impressões não são positivas pois existe um problema com o modo de ecrã completo. Após instalar o jogo ficamos com uma imagem estilo 4:3 independente da resolução testada - e não é um problema limitado ao nosso equipamento. O pessoal da Borderless Gaming conseguiu forçar um modo sem janelas, que resulta - restaurando o rácio de aspecto correcto. O facto do jogo ser lançado assim não é bom. É possível jogar em ecrã completo Nos fóruns do Steam encontrámos uma actualização criada pelo jogador Kaldaien desenhado para resolver estes problemas estranhos e outros. Este é o mesmo jogador que ajudou a melhorar vários ports PC como Tales of Berseria e Tales of Zestiria.

Mas mesmo com estas correcções da comunidade, NieR: Automata é um jogo exigente que requer um PC rápido para brilhar, e alguns ajustes nas definições. Quanto mais jogamos, mais começamos a compreender o porquê de estar limitado a 1080p na PS4 Pro - pode não correr num motor de jogo, mas é muito exigente para o hardware. GPUs de média ou alta gama entregam uma experiência superior à da consola, mas foi preciso uma GTX 980 Ti para produzir uma experiência 1440p superior à da Pro com o seu rácio de fotogramas inconsistente.

Eis Nier: Automata no PC. Os problemas estragam um dos melhores jogos deste ano.

Mesmo com um i7 5820K de seis núcleos, ainda existem soluços ao explorar o mundo. Acreditamos que isto é um problema de optimização no motor - a carga CPU raramente excede os 20%, enquanto a 1080p o uso da GPU é baixo, apenas 60%, ascendendo para 95% a 1440p.

Quando os soluços surgem, a GPU dece para 20% da carga. A largura de banda da memória e armazenamento seriam os próximos pontos para descobrir onde está o gargalo, mas com uma RAM de quatro canais combinada com um SSD rápido, podemos colocar de lado esses problemas. Os soluços são reduzidos quando comparado com as versões PS4, mas mesmo com um PC entusiasta, não há como manter os 60fps.

Também existe a sensação que mesmo o básico não foi abordado aqui. Tal como na PS4, todas as cutscenes são vídeos pré-renderizados capturados a 900p, e codificados a 30fps. Infelizmente, para muitos, enfrentamos severos problemas na sua reprodução. Inconsistentes. Considerando que estas sequências são usadas para os principais momentos da história, a falta de uma reprodução suave é altamente frustrante.

E melhorias específicas do PC? Não esperes uma capacidade de adaptação como no Frostbite. Na verdade, apenas existe uma melhoria visual no menu - multi-sampling anti-aliasing (MSAA). É algo raro nos dias de hoje, mas é bom ver isto. Pelo outro lado, é brutalmente dispendioso e afecta imenso os rácios de fotogramas. Verifica os extensivos testes à gráfica da GameGPU e ficas desde logo com a ideia que o jogo não está preparado para o que é preciso.

GTX 980 Ti para 1080p60? GTX 1080 para 1440p? Se desligares a AA o jogo fica melhor em vários equipamentos. Muitos jogadores podem sentir a falta disto, pois a MSAA está directamente ligada às definições de qualidade - escolhe a definição high e ficas automaticamente com 8x MSAA. Na verdade, a MSAA causa pequenos problemas visuais quando usada em conjunto com oclusão ambiental - por alguma estranha razão, a OA também activa uma passagem AA alternativa (negando a necessidade da MSAA).

O menu de opções é escasso mas uma melhoria sobre os anteriores jogos PC da Platinum. NieR suporta resoluções livres, uma novidade no estúdio. É pena que o suporte para a resolução esteja com problemas e seja necessária uma actualização da comunidade para funcionar correctamente. Outras melhorias são coisas básicas - filtro anisotrópico 16x oferece uma melhoria decente sobre o que temos na PS4 Pro (que já de si apresenta uma grande melhoria sobre a versão PS4 base). FA é algo importante pois o mundo de NieR apresenta muitas zonas abertas planas.

Looking for in-depth analysis of the console code? Of course, we've got you covered.

A opção de blur é útil, permitindo um belo motion blur de objectos presente na PS4 Pro mas não na PS4 base. Depois temos a qualidade das sombras, que afecta a resolução dos mapas de sombras e a distância a que são geradas. Em high é consistente com a versão de consolas e reduzir isto afecta imenso a qualidade visual, por isso tenta manter em high a não ser que jogues no PC de baixa gama. Algo a ter em conta também é o pop-in de objectos que é um problema em todas as versões e não pode ser aliviado através de qualquer opção no jogo. Podes ver relva e edifícios a surgir do nada tal como na PS4.

Temos aqui um port que não é impressionante tendo em conta o quão fácil é encontrar problemas estúpidos que sugerem uma grave falha de controlo de qualidade. A performance não é espantosa mas é relativamente fácil ajustar o jogo para uma experiência altamente jogável que representa uma melhoria sobre as consolas - mas é desanimador ver que este jogo tem profundos problemas a nível do motor que nem mesmo um PC muito poderoso pode resolver.

É bom ver a implementação de funcionalidades padrão - Metal Gear Rising apenas permitia escolher resoluções e rácios de fotogramas, enquanto Transformers e Korra tiveram problemas similares. A selecção em NieR: Automata não é espantosa mas mostra progressos - afectados por problemas infantis. O mais recente jogo da Platinum é um jogo muito bom mas nenhuma versão oferece a performance que querias mas no PC tem o potencial para oferecer uma experiência melhor, se tiveres equipamento capaz de aturar estes problemas. Não esperes visuais de topo ou performance sólida.

Publicidade

Salta para os comentários (49)

Sobre o Autor

John Linneman

John Linneman

Staff Writer, Digital Foundry

An American living in Germany, John has been gaming and collecting games since the late 80s. His keen eye for and obsession with high frame-rates have earned him the nickname "The Human FRAPS" in some circles. He’s also responsible for the creation of DF Retro.

Conteúdos relacionados

Também no site...

Comentários (49)

Os comentários estão agora fechados. Obrigado pela tua contribuição!

Ignora piores comentários
Ordenar
Comentários