Confronto: Uncharted 3: Drake's Deception na PS4

O Digital Foundry conclui a análise à Nathan Drake Collection e olha para as melhorias na actualização de lançamento.

Como culminação do trabalho do Naughty Dog na PlayStation 3, Uncharted 3: Drake's Deception entrega uma qualidade visual que poucos jogos conseguem sonhar em conseguir. Lançado em 2011, Uncharted 3 é o jogo PS3 que mais divide os jogadores. Após Among Thieves, o hype em torno de Drake's Deception foi imenso e para certos fãs não esteve à altura. Agora, ao revisitar, reparamos que temos um jogo muito engenhoso. Longe do hype, Uncharted 3 brilha - especialmente na PlayStation 4.

Apesar do jogo em si não cumprir com as expectativas em algumas quadrantes, as fundações tecnológicas certamente cumprem. Uncharted 3 é um dos jogos mais ambiciosos em termos visuais. Leva o trabalho de efeitos, animações e complexidade de cenas ao limite e é um jogo londo. Apesar de não ter os níveis grandes e impressionante iluminação indirecta de The Last of US, oferece um espectáculo que ainda hoje bate muitos jogos actuais, apoiado por uma caracterização e enredo que os rivais do Naughty Dog ainda não conseguem acompanhar.

Com uma fundação incrível, o que esperar da remaster? Olhando para os dois primeiros, o Bluepoint teve que refazer vários bens em cada jogo mas em Uncharted 3 não foi o mesmo. A qualidade dos bens ainda é muito similar à do original. No entanto, se reparares, a atenção ao detalhe ainda consegue brilhar nesta excelente remaster do Bluepoint.

A mudança mais importante é aparente desde logo - a redução na latência dos comandos. Quando Uncharted 3 foi lançado, os jogadores queixaram-se de mira lenta comparado com os dois anteriores. Dos 3 jogos, Uncharted 3 é o que tem maior latência nos comandos e de longe. O Naughty Dog tentou corrigir a situação implementando um modo alternativo de disparo. Ainda assim, não se sentia correcto.

Análise detalhada às mudanças feitas na transição para a PS4. As melhorias são subtis comparado com os outros dois jogos.

Na passagem para a PS4 foi finalmente possível corrigir isto de vez - e bem conseguido: Drake's Deception oferece controlos rápidos com boa resposta, divertidos de usar. É mais fácil disparar com eficácia e nunca temos a sensação que o movimento da câmara é afectado por latência indesejada. Honestamente, nenhum jogo na colecção precisa mais deste ajuste do que Uncharted 3.

Isto chega acompanhado do obrigatório aumento no rácio de fotogramas, operando a 60fps estáveis. Existem quedas em algumas sequências mas a performance é mais suave que Uncharted 2 remaster. Como é um dos jogos mais recentes do Naughty Dog, estávamos curiosos se surgiriam problemas na performance similares aos de The Last of Us Remastered mas no final vemos que não.

A qualidade de imagem é consistente com o resto da colecção. Temos 1080p com excelente anti-aliasing pós-processamento, juntamente com níveis variados na qualidade dos filtros de textura, empregues por superfície. Na PS3, o jogo usava uma solução AA menos refinada que tinha problemas em arestas longas e áreas de alto contraste, resultando em muito brilho. A implementação na PS4 oferece cobertura superior com mínimo pop-in sub-pixel de fotograma a fotograma.

Assim que vamos além da lista de melhorias esperadas, começamos a ver uma diferença maior entre Uncharted 3 e o resto da colecção. Os dois primeiros jogos recebem muitos bens novos entre os quais modelos, texturas e efeitos. Uncharted 3 recebeu menos mudanças. Encontrámos melhorias mas menos expansivas.

Apesar da geometria parecer igual entre as duas versões, vimos muitas texturas redesenhadas. Em gameplay normal, as texturas parecem muito similares, onde a resolução inferior da PS4 esconde muito detalhe. Ainda assim, quando a câmara se aproxima, é possível ver que as texturas base estão com maior qualidade na PS4. O trabalho de texturas na PS3 já era bom mas a 1080p, as melhorias são benéficas.

É na qualidade das sombras que vemos resultados curiosos. Os mapas de sombras mantêm uma resolução baixa com aquele efeito de escada visível. Existem melhorias na PS4: aqui temos um filtro adicional para suavizar as arestas mas não é completamente bem sucedido. No original PS3 temos sombras sem filtro. Aqui temos este efeito mas melhorado mas comum ao resto do trabalho neste jogo, não é uma grande diferença como em outros elementos no resto da colecção.

Pelo outro lado, as sombras de contacto foram melhoradas. A solução usada na PS3 podia introduzir círculos pretas em torno de objectos e personagens, gerando situações embaraçosas - algumas das técnicas de oclusão ambiental da anterior geração eram um pouco pesadas. A OA implementada na PS4 em Nathan Drake Collection é de maior precisão e consegue evitar estes artefactos e adiciona profundidade à cena.

Uma das funcionalidades visuais que se destacam em Uncharted 3 é a iluminação volumétrica. Usada em elementos tais como feixes das lanternas ou raios de sol, o efeito está em todo o jogo. Ao contrário do efeito screen-space, estes feixes de luz continuam visíveis mesmo quando a fonte está fora da visão. Na PS4, a precisão destes feixes de luz volumétricos é maior do que na PS3. No original, os objectos que passam pelo perímetro do volume de luz também podiam exibir artefactos em serra - isto foi eliminado na PS4.

O brilho vermelho, ou sangrar da cor do canal vermelho, usado para dar ênfase à iluminação de alta intensidade foi reduzido ou até removido na PS4. É perceptível perto das chamas na fuga no chateau mas pode ser observado em outros locais. É incerto se o efeito foi eliminado por uma questão artística ou técnica mas a ausência é difícil de explicar. Apenas é perceptível em comparação directa mas é um exemplo de como pequenos efeitos nos jogos originais não conseguem regressar na colecção.

O campo de profundidade também foi melhorado. Na PS3, nas cutscenes em tempo real e pré-renderizadas, objectos mais próximos da câmara colocados perante um fundo desfocado tendem a exibir artefactos nas arestas quando os dois se cruzam. A versão remaster usa um efeito de maior qualidade que elimina estes problemas. É outro exemplo de como a remaster de Uncharted 3 é mais um refinamento do que uma alteração fundamental ou dramática, como vimos nos dois anteriores.

Juntamente com o lançamento, o Bluepoint lançou uma actualização. Apesar do jogo no disco ser sólido, a actualização adiciona mais polimento. Duas das funcionalidades mais importantes introduzidas na actualização 1.01 incluem melhorias na performance e sombras de melhor qualidade.

Em termos de rácios de fotogramas, temos uma melhoria sobre a já estável experiência. As ruínas no início do original perdiam fotogramas ao explorar e nos tiroteios. Notamos quedas para 55fps nessa secção. Com a actualização vemos apenas um soluço pequeno após chegar à cena mas rapidamente limpa e a secção corre a estáveis 60fps.

Comparamos a performance de Uncharted 3 na PS4 com a do original na PS3.

Em Uncharted 2 é mais comum termos slowdown mas vemos melhorias com a actualização. Os tiroteios nos pântanos em Borneo introduziam quedas nos 60fps - ainda acontece com a actualização mas a média do rácio de fotograma está 2-3fps acima em média, produzindo uma experiência mais suave nestas secções. Consistente com Uncharted 3, onde as quedas foram melhoradas ou removidas.

É importante notar que mesmo sem a actualização os problemas na performance estão restritos a cenas específicas enquanto a maioria do jogo opera sem problemas. A actualização elimina estas manchas e melhora o nível da performance. No geral, a performance excede a de The Last of Us Remastered, onde apresentava longas sequências em que não aguentava os 60fps.

A qualidade das sombras também melhorou. O original usada um efeito diferido em arestas de algumas sombras. Com a actualização temos um método de filtro diferente e o diferido foi removido, resultando numa apresentação mais suave. É impressionante que o Bluepoint tenha conseguido melhorar a qualidade das sombras e melhorar a performance - a renderização de sombras é uma das tarefas computacionais mais exigentes para a GPU.

Uncharted: the Nathan Drake Collection - veredicto Digital Foundry

A respeito de Uncharted 3, as melhorias do Bluepoint parecem mínimas comparado com o resto da Nathan Drake Collection mas ainda existem mudanças que a elevam além da tradicional remaster. A qualidade de imagem refinada, texturas melhoradas, rácios de fotogramas suaves são bem-vindos mas são os comandos melhorados que se destacam. O jogo corre agora como inicialmente desejado.

Agora que examinámos a colecção como um todo, podemos desfrutar do feito alcançado aqui. Terminámos todos os 3 jogos na PS4 e podemos dizer que cada um beneficia imenso com as mudanças. O Bluepoint tomou decisões inteligentes que conseguem criar um pacote consistente - feito impressionante tendo em conta que os originais cobrem toda uma geração de consolas. Sempre respeitámos o Bluepoint nas suas remasters mas nesta colecção estabeleceu-se como o principal estúdio para estes trabalhos. Apenas estúdios como HexaDrive ou M2 têm pessoal e atenção ao detalhe que se compare.

Quanto aos jogos em si, todos os que relembrem com carinho estes títulos devem desfrutar destas melhorias. As melhorias nos visuais e gameplay elevam a experiência além dos originais. As mudanças no gameplay no primeiro e terceiro em particular fazem muita diferença. Segundo o Naughty Dog, 80% dos jogadores com uma PS4 nunca jogaram Uncharted e são a audiência alvo. Escusado dizer que se estás nesse grupo, este é o melhor momento para começar.

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Sobre o Autor

John Linneman

John Linneman

Staff Writer, Digital Foundry

An American living in Germany, John has been gaming and collecting games since the late 80s. His keen eye for and obsession with high frame-rates have earned him the nickname "The Human FRAPS" in some circles. He’s also responsible for the creation of DF Retro.

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