Confronto: Call of Duty: Black Ops 3

Comparámos as versões PC, PS4 e Xbox One.

Call of Duty: Black Ops 3 é talvez o melhor jogo na série. Tem uma campanha a solo ou em cooperativo - online ou ecrã dividido - ao lado do multi-jogador PvP clássico e o regresso dos populares zombies. Baseado nos luxuosos efeitos, o Treyarch está a levar o espectáculo gráfico mais além do que os anteriores. As impressões iniciais na campanha mostraram uma performance muito variável, onde o uso da conversão dinâmica de resolução nem sempre impressiona - especialmente na Xbox One, onde é comum correr abaixo de 900p.

Será que o Treyarch igualou ou melhorou a performance vista na beta multi-jogador? Será que a versão PC vai além dos problemas na performance vistos nas consolas? Advanced Warfare estava altamente optimizado no PC e ficámos curiosos em ver se este seguiria esse exemplo.

O PC tem vantagem em termos de resolução. Não existe conversor dinâmico (nem sequer como opção) e correr numa resolução nativa fixa permite uma qualidade de imagem consistente. Em termos de anti-aliasing temos mais opções, a SMAA T2X padrão oferece uma imagem mais nítida do que a implementação SMAA usada nas consolas, à custa de mais jaggies, especialmente em arestas longas. Se preferes o aspecto das consolas, tens essa opção. Fornece uma apresentação limpa nas consolas em detalhes ao perto e distantes, apesar de alguma informação nas texturas ser suavizada.

Apesar da falta de conversor dinâmico, Black Ops 3 permite correr em resolução nativa seja qual for a resolução final. Os que jogam a 1080p nativa terão os elementos HUD em resolução nativa enquanto o gameplay corre entre 960x536 e 3840x2160. É uma melhor solução do que a selecção para tudo. A conversão reduz imenso a carga GPU e mantém o aspecto correcto do HUD, o downsampling oferece AA excelente.

A qualidade de imagem nas consolas está intimamente ligada à resolução e é aqui que a PS4 tem uma grande vantagem: o treyarch usa um conversor dinâmico nas duas consolas mas a implementação é menos agressiva na PS4, onde temos maior número de pixeis permanente comparado com a One. Quando o motor está com dificuldades, a resolução nativa desce para 1360x1080 mas na maioria do tempo temos 1080p nativa. Fora das cutscenes, a One corre a 1280x900 nativa, a resolução horizontal desce para 1200 frequentemente. Nem todas as cutscenes correm a 1080 verticais, em algumas temos 900p dinâmicos.

As diferenças entre as versões de consola e PC de Black Ops 3.

Excepto a resolução, Black Ops 3 procura a mesma qualidade gráfica nas duas consolas, a arte e efeitos empregues são na maioria iguais. Ocasionalmente, o uso de 900p parece forçar o motor a escolher texturas de menor qualidade e mapas normais na One em superfícies ou objectos ao perto mas é raro, afectando pouco o jogo.

Comparado à versão PC, o detalhe nas texturas parece combinar as definições high e extra nas consolas, o detalhe de mistura é similar a médio e high. A maioria da arte está igual à da versão PC em extra mas os detalhes no chão frequentemente têm texturas de menor resolução enquanto a qualidade da textura nos personagens é idêntica. O detalhe geométrico nos personagens é igual ao PC no máximo, apesar dos objectos no ambiente serem gerados com menor complexidade - destroços e mobília quebrada espalhados pelo chão são dois exemplos.

O filtro anisotrópico opera na definição médio nas consolas, gerando texturas mais esborratadas em ângulos oblíquos enquanto a qualidade das sombras parece estar entre médio e high. Estes elementos apresentam as mesmas arestas diferidas como em médio no PC mas com menos separação e brilho. Efeitos visuais como motion blur, campo de profundidade e renderização de pele com dispersão sub-superfície parecem idênticas nas três. A oclusão ambiental é idêntica à definição high enquanto a iluminação volumétrica é igual à definição médio no PC.

As sombras são mais limpas no PC, o modelo de iluminação mais refinado e temos melhor consistência entre a qualidade da arte, combinado com superfícies geométricas suaves e detalhe delicado nas texturas. Não é uma grande melhoria mas permite ao jogo ir acima de 1080p sem comprometer a arte. A diferença entre os bens básicos nas consolas e PC é subtil, o Treyarch quis entregar uma experiência de topo nas duas consolas, muitos dos elementos gráficos estão idênticos em todas as plataformas. Claro que passar para extra e tirar partido do downsampling em resoluções superiores oferece mais refinamento no PC, apesar disto afectar a performance.

Nós usamos um i5 3570K e uma GTX 780, tudo no máximo, a correr a 1080p nativa com SMAA T2x sendo impossível chegar a 60fps excepto alguns momentos. A performance fica entre 30-45fps por muito tempo e frequentemente oferece uma experiência inferior à das consolas. Descer as sombras, o filtro anisotrópico e iluminação volumétrica para médio e a oclusão ambiental para high dá uma grande melhoria nos rácios de fotogramas. 60fps quase sólidos mas as cutscenes ainda sentem problemas. Descer a qualidade de texturas e mistura para high ajuda a melhorar ainda mais mas reduz o detalhe abaixo do padrão das consolas. Testámos o jogo num i7 com um GTX 980 Ti - ficámos muito mais perto de 1080p60 mas com trepidação, especialmente nas cutscenes.

O multi no i5 é algo diferente: é possível tudo no máximo a 60fps fixos, apesar da Killcam nos descer para 53fps e os intensos efeitos air-strike que afectam a performance das consolas afectarem de igual forma. Tal como nas consolas, Black Ops 3 exige menos do sistema no multi.

O nosso primeiro olhar à campanha mostrou que a performance é desanimadora nas consolas, nenhuma das duas ficou perto de sustentados 60fps. Para muitos amantes da série, a campanha é uma pequena diversão e a maioria do tempo será passado no popular multi. A beta deu-nos uma experiência mais consistente do que a campanha e no jogo final isso repete-se mas com algumas diferenças.

Reduzindo na iluminação, efeitos e nas grandes set-pieces, o Treyarch consegue recuperar uma performance que nos aproxima dos 60fps estáveis na maioria dos jogos multi. Ocasionais oscilações entre 50-60fps criam breves soluços mas duram segundos antes de voltarmos a suaves 60fps. Tal como na campanha, é usada v-sync adaptável para que o motor possa sofrer com tearing no topo do ecrã para reduzir o tamanho e duração das quedas nos rácios de fotogramas e melhorar na latência.

Em cenas mais exigentes, o motor é testado de forma mais intensa. Airstrikes afectam imenso a performance nas duas consolas; na PS4 um conjunto de explosões manda o rácio de fotogramas para perto de 30fps - por alguns segundos - na Xbox One fica nos meios 40s. É impossível produzir gameplay igual no multi e a julgar pelos resultados é provável que a One desça mais em condições iguais. Os instantes com mais fotogramas perdidos sugerem que a carga é mais difícil de gerir na One. Felizmente, estes momentos não são frequentes e não afectam os tiroteios. No geral, está melhor que na campanha.

A performance no multi de Black Ops 3 na PS4 e Xbox One.

A resolução dinâmica é usada no multi. A PS4 corre perto de nativa 1080p com algumas quedas imperceptíveis. A Xbox One oferece nativa 1600x900, descendo para até 1200x900. Curiosamente, as mudanças na resolução frequentemente ocorrem quando não há muita acção no ecrã e são mais pronunciadas em alguns mapas. Isto produz uma apresentação geral mais confusa, onde inimigos distantes são mais difíceis de ver, apesar do jogo passar menos tempo nestas resoluções inferiores do que na campanha.

A campanha é menos estável que o multi e Black Ops 3 fica aquém comparado com Advanced Warfare nas duas consolas. Os rácios de fotogramas flutuam regularmente entre 40-55fps nos combates, apenas em alguns momentos consegue 60fps sólidos sem quedas. Isto significa que muita da acção intensa na campanha é afecta por soluços e resposta dos comandos variável que não entregam a sensação consistente encontrada nos jogos Call of Duty.

É pena ver rácios de fotogramas tão desequilibrados em alguns dos momentos mais entusiasmantes como grandes batalhas em áreas abertas, onde vemos várias cenas explosivas com edifícios a tombar enquanto aviões explodem no ar de forma espectacular. Estas secções estão entre os melhores momentos em campanhas de Call of Duty mas infelizmente, a performance desaponta. Comparativamente, locais fechados ou mais pequenos oferecem tiroteios mais suaves que se sentem mais fluídos - ocasionais fotogramas perdidos passam despercebidos e temos os perceptuais 60fps com latência muito baixa como esperado desta série. É pena que o Treyarch não tenha sido capaz de manter este nível de performance na maioria do jogo.

Tecnologicamente, a campanha é ambiciosa nas consolas mas compromete o rácio de fotogramas, criando uma experiência que não se sente como o COD que conhecemos.

Call of Duty: Black Ops 3 - Veredicto Digital Foundry

O Treyarch é conhecido por puxar os limites técnicos da série, o resultado nas consolas iguala o do PC em muitas das definições high da apresentação. Isto entrega um espectáculo visual de luxo que impressiona nas extravagantes set-pieces mas também significa que o motor frequentemente tem dificuldades em entregar um rácio de fotogramas sólido. Não há muito a separar a performance entre consolas mas a PS4 consegue uma vantagem na campanha com a resolução superior - frequentemente nativa 1080p - enquanto as coisas não são tão boas na One, onde o agressivo conversor dinâmico pode afectar imenso a qualidade de imagem.

É o multi que salva o jogo nas duas consolas. Apesar das descidas na resolução abaixo da desejada 900p na One, ambas as consolas chegam frequentemente a 60fps e as quedas apenas acontecem em cenas com explosões. A versão PS4 fica à frente com a resolução superior mas os tiroteios rápidos da série ainda funcionam bem na One. Nesse sentido, a PS4 tem uma vantagem mas se passares mais tempo online, a One é na mesma uma boa escolha se é a plataforma onde estão os teus amigos. Não esquecer que as prioridades da Activision mudaram - e a PS4 tem a vantagem na chegada dos conteúdos adicionais.

A versão PC vai além das consolas em termos de funcionalidades mas a melhoria gráfica a correr a 1080p é mais pequena do que esperado, a PS4 em particular fica muito perto em várias áreas. A optimização parece ser pouca e chegar a sólidos 60fps eclipsando os visuais das consolas além da resolução não é fácil sem um equipamento de topo. Ainda assim, os soluços frequente distraem. Quem tem equipamento de baixa gama terá problemas - é mesmo pena, tendo em conta que Advanced Warfare operava bem em máquinas de média gama. Na teoria, é a versão PC que deves comprar mas não parece que está terminada - de momento, é a versão PS4 que oferece a melhor experiência sem ter que gastar uma fortuna em equipamento.

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